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Hacienda Nápoles: Os hipopótamos de Pablo Escobar

Os animais, que faziam parte de seu zoológico particular, invadiram a cidade e hoje se tornaram um inusitado problema para as autoridades colombianas

Fabio Previdelli Publicado em 21/10/2019, às 14h00

Um sinal de alerta para hipopótamos perto da Hacienda Nápoles
Um sinal de alerta para hipopótamos perto da Hacienda Nápoles - Getty Imagens

Mesmo após sua morte, em dezembro de 1993, Pablo Escobar deixou rastros que ainda hoje afetam as vidas dos colombianos. Dono de um império poderoso e de gostos singulares, Pablo tinha como uma paixão incomum por animais exóticos, tanto que fez da Hacienda Nápoles um imenso zoológico particular.

O local chegou a abrigar cerca de 1.900 espécies e, sem dúvida nenhuma, uns dos mais incomuns eram os hipopótamos — um macho e três fêmeas, que foram contrabandeados dos Estados Unidos.

O local provou ser um excelente habitat para os grandes mamíferos, já que os animais tinham toda a água e grama de que precisavam, além do clima quente a que estavam acostumados. Enquanto ainda estava vivo, El Patrón abriu as portas de seu zoo privado para receber todos os tipos de visitantes. Nessa época, era comum a chegada diária de ônibus com inúmeras crianças que queriam conhecer o lugar.

Entrada da Hacienda Napoles / Crédito: Getty Imagens

 

Porém, tudo mudou quando o chefe do Cartel de Medellín passou a ser perseguido pela Polícia Nacional da Colômbia, o que fez Escobar abandonar sua Hacienda e deixar seus animais para morrerem de fome. Felizmente, para os bichos, a propriedade foi confiscada pelo governo após a morte do narcotraficante.

Assim, a grande maioria dos animais foi enviada para zoológicos de todo o país. A única exceção, entretanto, foram os hipopótamos. Conhecidos pela agressividade, os animais foram deixados em paz pelas autoridades do país. Mas logo os problemas começariam a aparecer.

Longe de predadores que pudessem ameaçar o fim da espécie no país, eles passaram a procriar ferozmente. Hoje, mais de 50 deles vivem no país, mas nem todos permaneceram na Hacienda Nápoles. Afinal, grande parte dos bichos conseguiu escapar do complexo e adentraram cursos de água próximos.

Especialistas locais estimam que o número de hipopótamos possa chegar a 100 em um período de 10 anos, se o problema não for gerenciado. A solução ideal seria realocá-los, mas além do processo ser muito trabalhoso, não há um local ideal para abriga-los. Outra alternativa seria devolvê-los à África, mas existe o risco deles adquirirem doenças fatais.

A castração também é muito improvável. Além do processo ser caro e extremamente perigoso para os veterinários, o hipopótamos são muito sensíveis a compostos químicos que são presentes em sedativos, o que poderia resultar na morte dos animais. Além disso, seria difícil garantir que todos os machos fossem atendidos, já que não se sabe ao certo quantos deles existem.

Especialistas locais estimam que o número de hipopótamos possa chegar a 100 em um período de 10 anos / Crédito: Getty Imagens

 

A extrema dificuldade do governo colombiano em resolver um problema que já se arrasta por mais de duas décadas, fez com que os animais, por mais invasivos e assustadores que possam parecer, ganhassem o carinho e apego de muitos moradores locais e, de certa forma, agregassem um certo valor turístico e econômico para o país.

Apesar de não haver registros de pessoas que foram atacadas pelo animal, o futuro dos hipopótamos colombianos permanece uma incógnita. A única certeza que eles deixam é que apesar de morto, Pablo Escobar ainda deixa vestígios por onde passou.


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