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Os horrores de Anatoly Onoprienko, a Besta da Ucrânia

Filho de um condecorado na Segunda Guerra Mundial, Onoprienko confessou ter matado 52 pessoas — e jamais se arrependeu

Fabio Previdelli Publicado em 06/06/2020, às 09h00

Anatoly Onoprienko
Anatoly Onoprienko - Divulgação

Um homem de estatura média, com físico de esportista, que era educado e eloquente. Assim poderia ser descrito Anatoly Onoprienko, que, além do ter uma excelente memória, ficou conhecido por ser impiedoso e cruel com suas vítimas, quanto que seus crimes lhe renderam a alcunha de A Besta da Ucrânia.

Nascido na aldeia de Lasky, na antiga União Soviética, em 25 de julho de 1959, ele era o mais novo entre os dois filhos de Yuri Onoprienko, que havia sido condecorado por bravura devido aos seus serviços prestados na Segunda Guerra Mundial.

Entretanto, sua vida começou a dar uma guinada negativa quando sua mãe faleceu, logo quando Anatoly tinha apenas quatro anos. Como consequência, o pequeno foi levado para ser cuidado por seus avós e uma tia, no entanto, pouco tempo depois, ele foi entregue a um orfanato na aldeia de Pryvitne.

Mugshot de Anatoly Onoprienko / Crédito: Wikimedia Commons

 

Segundo Onoprienko, o fato de seu pai ter lhe dado enquanto continuou cuidado de seu irmão mais velho, que era 13 anos a mais que ele, foi o motivo para um enorme ressentimento. Anatoly considera que o trauma foi fundamental para seu destino e, sua vida de crimes e assassinatos cruéis.

A fase adulta e os assassinatos em série

Quando mais velho, para ganhar a vida, trabalhou um tempo como marinheiro e atuou como bombeiro na cidade de Dneprorudnoye. Apesar de ter trabalhado por um certo período fora do país, confessou, mais tarde, que sua fonte primária de rende era obtida com atos criminosos: como roubos e assaltos.

Os atos hediondos de Anatoly começaram no final da década de 1980, quando ele e seu sócio, Serhiy Rogozin, roubaram e mataram nove pessoas. As vítimas foram dois adultos e sete crianças. Com a polícia na sua cola, abandonou ilegalmente a União Soviética e viajou, por um breve período de tempo, para a Áustria, França, Grécia e Alemanha — onde permaneceu durante seis meses detido por roubo.

Em 1995, enfim retornou à Ucrânia, onde voltou a estabelecer uma nova onda de crimes. Entre outubro daquele ano e março de 1996, o serial killer matou 43 pessoas. Na véspera de Natal, invadiu a casa da família Zaichenko e matou quatro pessoas — o pai, a mães e os dois filhos — com uma espingarda de cano serrado. Posteriormente, incendiou a residência para não deixar pistas.

Menos de seis dias depois, outra família foi atacada e morta, e o padrão passou a se repetir pelas próximas semanas — estima-se que até oito famílias foram dizimadas pelas mãos de Onoprienko naqueles seis meses.

Essa série de crimes levou a uma investigação maior e, assim, o governo ucraniano enviou boa parte da Guarda Nacional para proteger a população. Além do mais, cerca de dois mil investigadores foram deslocados para analisar o caso.

Foto de Anatoly Onoprienko / Crédito: Divulgação

 

Com isso, em março de 1996, o Serviço de Segurança de Ucrânia (SBU), deteve o jovem Yury Mozola, considerado suspeito pelos assassinatos. Durante uma semana, o rapaz de 26 anos foi torturado com fogo e sessões de cargas elétricas. Sem confessar aquilo que não cometeu Mozola não aguentou os momentos de sofrimento e acabou falecendo — sete responsáveis pela morte foram encarcerados após o caso.

A prisão do assassino e seu julgamento

Ao longo das investigações, todas as suspeitas foram virando para Onoprienko. Investigadores encontraram provas definitivas no apartamento de sua noiva e seu irmão, onde foram achados uma pistola roubada e mais de cem objetos pertencentes às vítimas dos crimes.

Após ser preso, confessou imediatamente os assassinatos e admitiu que, entre 1989 e 1995, sua lista de vítimas atingia a marca de 52 alvos. Entretanto, em nenhum momento se disse arrependido de seus atos, muito pelo contrário, alegou que os cometeu após ouvir uma série de vozes em sua cabeça de uns “deuses extraterrestres” que o haviam escolhido por considerá-lo uma pessoa de “nível superior”.

Também alegou possuir poderes hipnóticos e afirmou que consegui se comunicar com os animais através da telepatia.

Anatoly Onoprienko / Crédito: Divulgação

 

Mas isso não impediu que no dia 23 de novembro de 1998, ocorresse seu julgamento. No tribunal, os gritos do público que acompanhava a audiência do lado de fora se contrapunham com o comportamento do assassino, que se mostrava tranquilo e sereno.

Considerado o julgamento mais caro do país, a perícia médica o considerou completamente capaz de entender seus atos e, por consequência, deveria assumir toda a responsabilidade pelos mesmos.

Anatoly Onoprienko acabou condenado a pena de morte, mas como a Ucrânia havia entrado no Conselho da Europa em 1995, o criminoso acabou sentenciado à prisão perpétua. Onoprienko faleceu em cárcere no dia 27 de agosto de 2013, aos 54 anos, em decorrência de um ataque no coração.


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