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Os horrores de Brigitte Mohnhaupt, a militante esquerdista da Fração do Exército Vermelho

Influenciada pelos conceitos de Che Guevara e Carlos Marighella, ela foi considerada a mulher mais perigosa da Alemanha

Fabio Previdelli Publicado em 08/04/2020, às 18h00

Foto de Brigitte Mohnhaupt
Foto de Brigitte Mohnhaupt - Divulgação

Brigitte Mohnhaupt foi uma ex-militante da organização de extrema-esquerda alemã denominada Fração do Exército Vermelho (RAF) — também conhecido como Grupo Baader-Meinhof.

Inicialmente, ela foi integrante do Coletivo de Pacientes Socialistas (SPK), um grupo esquerdista, ativo entre 1970 e 1971, que defrontava os médicos alemães que eram vistos como inimigos dos pacientes, pois usavam a medicina e psiquiatria apenas visando e pouco se importando com o sofrimento dos enfermos.

Com a dissolução do SPK, Mohnhaupt e sua amiga, Irmgard Möller, entraram para a Fração do Exército Vermelho. Influenciada pelos conceitos de Che Guevara e pelo minimanual do Guerrilheiro Urbano, de Carlos Marighella, ela assumiu um cargo de liderança após a prisão dos fundadores do grupo, em 1972.

O revolucionário Che Guevara / Crédito: Getty Images

 

Em junho daquele ano, ela acabou presa em Berlim por ter seu nome ligado ao RAF. Além do mais, ela foi acusada de falsificação de documentos e porte ilegal de armas e foi condenada a cinco anos de prisão.

Após a morte da fundadora do RAF, Ulrike Meinhof, em maio de 1976, Brigitte solicitou que fosse transferida para a prisão de segurança máxima de Stammheim, em Stuttgart, onde estavam outros líderes do Baaden-Meinhoff e sua amiga. Entre os encontros e desencontros no cárcere, ela foi treinada para ser líder de uma nova geração da Fração do Exército Vermelho — afinal, logo ela estaria em liberdade.

Em janeiro de 1977, foi solta e deu andamento em seus planos junto ao grupo. Um de seus primeiros passos seria o resgate de Andreas Baader, Gudrun Ensslin e outros membros que cumpriam perpétua em Stammheim.

Brigitte Mohnhaupt, com a ajuda de Christian Klar, também iniciou uma série de atentados num período que ficou conhecido como Outono Alemão. Dentre os atos, houve o sequestro e assassinato do presidente Jürgen Ponto, do Dresdner Bank; de Hanns-Martin Schleyer, presidente da Federação dos Empregadores da Alemanha; e de Siegfried Buback, procurador-geral da República.

Ulrike Meinhof, uma das fundadoras do RAF / Crédito: Wikimedia Commons

 

Houve também o sequestro do avião Lufthansa 181 por quatro membros da Frente Popular para a Libertação da Palestina (PFLP), um grupo de apoio ao RAF. A ação terrorista se desenrolou por cinco dias e só acabou após a aeronave ser invadida por um comando antiterrorista alemão em Mogadíscio, na Somália. Assim, na noite de 17 de outubro, os 86 passageiros e os cinco tripulantes foram libertados ilesos. Já três dos quatro sequestradores foram mortos.

Todos esses atos foram executados num período de 50 dias — entre setembro e outubro —, o que levou o país a sua maior crise política e institucional pós-guerra. Essa conduta fez Mohnhaupt ser perseguida por toda a Alemanha Ocidental. Ela também passou a ser considerada a mulher mais perigosa do país.

Em novembro de 1978, ela e outros três membros da RAF foram presos na Iugoslávia. Porém, como o país não chegou em um acordo com o governo alemão para a libertação de oito fugitivos políticos croatas, o grupo foi liberado.

Anos depois, em setembro de 1981, Brigitte voltou aos noticiários após uma tentativa frustrada de assassinar um general americano que era comandante da OTAN. O método escolhido foi o disparo de um míssil antitanque que seria guiado por um terrorista.

Voo Lufthansa 181 / Crédito: Wikimedia Commons

 

A prisão de Brigitte Mohnhaupt aconteceu em fevereiro de 1982, quando ela foi capturada perto de um depósito de armas da RAF que ficava escondido em um bosque perto de Frankfurt.

A terrorista foi condenada a cinco penas de prisão perpétua. Ficou estabelecido que ela teria que ficar no mínimo 24 anos em cárcere antes de ter direito a pedir a liberdade condicional. Mesmo sendo reconhecida uma figura importante da RAF, não ficou estabelecido qual papel ela teve nos assassinatos e nos atentados. Mesmo presa, ela declarou que os ataques do grupo continuariam. Entretanto, os crimes jamais tiveram o mesmo grau de letalidade daqueles comandados por Brigitte.

A militante foi libertada em 25 de março de 2007, aos 57 anos, depois de ter cumprido 25 anos de prisão. Sua saída da prisão gerou uma série de debates no país, com vários grupos políticos sendo favoráveis a clemência de Mohnhaupt e de Klar.

O antigo Ministro da Justiça do país alegou que eles mereciam uma segunda chance. Já um membro do Partido Verde alegou que a dupla ficou reclusa mais tempo do que qualquer criminoso do Exército Nazista.


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