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Os irmãos que lutaram em diferentes lados na Segunda Guerra

Separados pela guerra, um dos irmãos serviria a FEB, enquanto o outro atuaria junto ao Exército de Hitler

Redação Publicado em 20/11/2021, às 09h00

Os irmãos Paul Heinrich e Gerd Brunckhorst
Os irmãos Paul Heinrich e Gerd Brunckhorst - Divulgação / DW

Gerd Emil Brunckhorst viu seu irmão caçula pela última vez no ano de 1938, na Baía de Guanabara, hoje famosa região do Rio de Janeiro. Paul Heinrich tinha apenas 16 anos quando partiu em um navio em direção à Alemanha, terra natal de seus pais, para fazer um tratamento médico. 

O que os dois não contavam era que, naquele exato momento, eclodiria a Segunda Guerra Mundial, que acabaria por separá-los por definitivo. Impedido de voltar, Paul teve de viver no país europeu até que, mais tarde, em 1943, foi recrutado pelo Exército de Hitler. Tempos depois, Gerd também recebeu uma convocação, mas para atuar do lado oposto.

Era manhã de 11 de julho de 1944, quando ele partiu em um imenso navio norte-americano em direção à campanha da Força Expedicionária Brasileira na Itália.

"Quando eu já estava na Itália, soube de uma carta dele escrita à minha tia, de agosto de 1944, dizendo que ele iria embarcar em direção ao front russo. Depois disso, não voltou mais. A gente não sabe exatamente quando ele morreu", declarou Brunckhorst ao DW em 2015, já aos 95 anos de idade.

O caçula da família

Paul era o mais novo de quatro irmãos e tinha um problema glandular que o impediu de chegar a uma estatura superior a um metro e meio de altura, mesmo aos 16 anos.

"A família o mandou à Alemanha para que talvez a mudança de clima desse um impulso para ele, mas não foi", disse Gerd.

Ele explicou que, quando o irmão foi impedido de voltar ao Brasil, passou a trabalhar em uma fábrica de munições na Europa. Quando o conflito se aproximava do fim, o garoto acabou sendo enviado para a Frente Oriental.

"Como cidadão brasileiro, ele não era obrigado a servir ao Exército Alemão, mas até ficou orgulhoso quando foi convocado já no fim da guerra", recordou o idoso. "Foi uma grande perda para a nossa família."

A convocação de Gerd

Era ano de 1944 e Gerd havia acabado de ser dispensado de seu trabalho, uma vez que seu novo chefe consideravam os alemães e seus descendentes como uma grande ameaça.

Getúlio Vargas visita soldados da FEB durante embarque para a Itália / Crédito: Domínio público / Arquivo Nacional

 

Depois da demissão, não demorou muito até que um oficial chegasse até ele, convocando-o para lutar junto à Força Expedicionária Brasileira (FEB). O jovem Brunckhorst se apresentou então no dia seguinte e foi enviado ao Mato Grosso para receber treinamento.

Campanha brasileira na Itália

Concluído o treinamento, dirigiu-se ao Rio de Janeiro, de onde zarparia o navio que o levaria ao seu destino.

"Quando encostei do armazém 10 do Rio de Janeiro estava lá aquele navio monstruoso. Descemos até o quarto porão, na linha d’água. Minha beliche estava bem na pá do navio, o alvo predileto dos submarinos", lembrou.

"Na noite seguinte, Getúlio Vargasapareceu: 'Brasileiros!', com aquele jeitinho de gaúcho. De manhã cedo, já estávamos saindo da Baía Guanabara e só tocavam canções patrióticas. 'Nós somos a pátria amada, fiéis soldados'. O Rio de Janeiro ficava para trás."

Soldados brasileiros capturam italianos fascistas em 1944 / Crédito: Domínio público / Desconhecido

A missão de Gerd

Como era trilíngue, Gerd atuou como intérprete dos oficiais brasileiros ao chegar em Nápoles. Ele fazia parte do 9º Batalhão de Engenharia, unidade que entrou em ação durante a Segunda Guerra para construir estradas e pontes.

No entanto, cinco meses após sua chegada, em novembro de 1944, Gerd sofreu uma fratura no joelho, o que determinou o fim de sua atuação no Exército. No ano seguinte, no dia 8 de maio, se encerraria o conflito.


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