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Sangue e autoritarismo: O controverso governo de Josef Stalin

Koba governou com mão de ferro a maior nação socialista do mundo e praticou diversas atrocidades contra o próprio povo soviético

André Nogueira Publicado em 19/08/2019, às 13h00

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- Reprodução

Stalin, ou ainda, Koba foi um dos mais significativos e longevos governantes da Rússia. Nascido na Geórgia em uma família humilde, o futuro ditador equilibrava numa mesma personalidade a fama de rude camponês e uma inteligência de erudição singular.

O jovem Stalin se tornou bolchevique em 1903, fato que determinaria sua trajetória política. Já em sua integração ao bolchevismo, começou com práticas violentas, próprias da estratégia revolucionária: organização de greves, extorsões, roubos e assassinatos possibilitavam que o movimento fosse financeiramente sustentável. 

Jovem Koba, antes de assinar como Stalin / Crédito: Wikimedia Commons

 

Com os sucessos das greves das quais participou, o revolucionário começou a ganhar destaque no Partido e ascendeu rapidamente, se aproximando do líder bolchevique Lênin. Em 1917, Stalin teve uma participação de destaque na Revolução, a ponto de, após a vitória vermelha e a implantação do regime soviético, ele assumiu o governo, mesmo com a existência de grandes nomes de políticos e militares, como Zinoviev, Kamenev e Trotsky, como concorrentes.

Em 1927, quando tomou o poder, o mundo presenciou o fechado e sangrento regime de Stalin. A partir desse período, diversos lideres bolcheviques presentes na Revolução foram sistematicamente assassinados, junto a diversos conjuntos da população que iam contra o projeto planificador stalinista. Além disso, foram criados os Campos de Trabalho nas regiões isoladas da URSS, usados como prisões políticas.

Unidades nacionais periféricas da União Soviética também sofreram na mão de Stalin. Unionista convicto, ele lançou mão de estratégias violentas para assegurar a submissão de países como a Ucrânia. Neste caso exemplar, o governo central desviou a produção de grãos para o restante do império, gerando uma crise de fome de grandes proporções. Estima-se que 5 milhões de pessoas morreram nesse processo, conhecido como Holodomor.

Gulag / Crédito: Reprodução

 

Outro momento violento do governo Stalin foi a tática de guerra usada contra os nazistas entre 1941 e 1945. Isso porque, ao utilizar uma clássica estratégia do Exército Vermelho, o comando de guerra atirava em qualquer soldado que pensasse em recuar. Da mesma forma, generais que confrontassem a estratégia do governo eram executados por traição.

Enquanto o Exército marchava em direção a Oeste, praticando diversos massacres e estupros (o que era comum em ambos os lados da guerra), inúmeros soviéticos morreram nas mãos dos próprios oficiais.

Stalin liderou a URSS até 1953, quando morreu. Com a posse de seu sucessor, Khrushchev, diversos crimes praticados em seu governo foram internacionalmente divulgados e o mundo descobriu o legado de sangue e autoritarismo dos anos em que Koba redefiniu os destinos do Socialismo Real com mão de ferro.