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Os mistérios de Anquesenamom, irmã e esposa de Tutancâmon

Filha de Aquenáton e Nefertiti, a rainha agiu em uma conspiração internacional após a morte do marido

Isabela Barreiros Publicado em 01/07/2020, às 07h00

Representação de Tutancâmon e Anquesenamom
Representação de Tutancâmon e Anquesenamom - Wikimedia Commons

Anquesenamom não era o nome original da terceira de seis filhas conhecidas do faraó Aquenáton e sua esposa Nefertiti. Nascida em 1348 a.C., e falecida após 1322 a.C., a nobre viveu durante um período turbulento no Egito Antigo, em que uma revolução religiosa estava tomando a região.

Na verdade, ela nasceu como Ankhesenpaaten, mas seu nome foi modificado, juntamente com Tutancâmon — a incorporação do nome do deus Amon sinalizava a volta à velha ordem religiosa, projeto político do reinado do faraó menino após a morte deu seu pai.

Juventude

Provável escultura de Anquesenamom / Crédito: Keith Schengili-Roberts/Wikimedia Commons

 

Egiptólogos creem que Anquesenamom nasceu em Waset, que posteriormente se tornou a famosa cidade de Tebas, no quarto ano do reinado de Aquenáton. No entanto, é provável que ela tenha crescido na nova capital Akhetaten, que hoje é chamada de Amarna. Existem muitas inscrições e pinturas do período do governo de seus pais que documentam sua juventude.

É possível que ela tenha se casado com seu próprio pai após a morte da então esposa do faraó. O incesto era recorrente entre as famílias faraônicas, se tornando quase que uma espécie de tradição entre a nobreza egípcia. Essa prática tinha como intuito fortalecer o poder de seu reinado, podendo perpetuar durante muito tempo o controle de grupos específicos sobre o governo.

Durante esse período, a egípcia deu luz à princesa Ankhesenpaaten Tasherit, que provavelmente é filha ou de Aquenáton ou de Semencaré, que se tornou sucessor do rei durante os anos de 1338 a.C. e 1336 a.C. Acredita-se também que Anquesenamom tenha sido co-regente do faraó imediato a seu pai, mas a paternidade de sua herdeira ainda é debatida.

Casamento com o faraó menino

Máscara mortuária de Tucancâmon / Crédito: Wikimedia Commons 

 

O certo é que Tutancâmon acabou sendo reconhecido como o único herdeiro masculino da 18ª Dinastia e, para reforçar ainda mais seu direito ao trono, os conselheiros do faraó-menino realizaram seu casamento com Anquesenamom, que na época devia estar em por volta dos 12 anos.

Segundo o egiptólogo Bob Brier, da Universidade de Long Island, nos Estados Unidos, “a medida tem a ver com o fato de que a linhagem feminina era uma garantia importante da ligação com a realeza no Egito”. Assim, a união de dois meios-irmãos de sangue real seria quase o máximo de legitimidade política.

Novamente, observamos relações consanguíneas entre membros da família real egípcia. Mas, ainda assim, é preciso apontar que eles provavelmente eram meios-irmãos. Pelo que se sabe, os dois eram filhos de Aquenáton, mas Tutancâmon foi fruto do casamento do faraó com uma de suas irmãs.

A múmia conhecida como Dama Jovem foi encontrada na tumba KV35, no Vale dos Reis. De acordo com arqueólogo Zahi Hawass, ela múmia foi identificada, por análises de DNA, como a mãe do rei Tut e filha do faraó Amenófis III e da rainha Tiye. Ainda não se sabe quais das esposas de Aquenáton ela teria sido, mas os resultados também demonstraram que ela era irmã completa do marido.

A múmia Dama Jovem / Crédito: Wikimedia Commons

 

No entanto, o casamento dos dois não gerou nenhum herdeiro. Anquesenamom teria sofrido dois abortos, um com oito e outro com cinco meses de gravidez. Os dois fetos foram mumificados, contrariando a prática da época, e colocados na tumba do pai, que faleceu pouco tempo depois, com por volta de 19 anos.

A morte do faraó foi misteriosa e ainda hoje existem teorias que tentam entender o que realmente causou o óbito precoce do rei. O que se sabe é que a então esposa de Tut agiu em conspiração internacional que se mostrou fracassada. Ela escreveu uma carta a Supiluliuma I, o rei dos inimigos hititas, com desespero e interesse político.

“Meu marido morreu. Filhos eu não tenho. Mas para ti, dizem, os filhos são muitos. Se me desses um dos filhos teus, ele tornar-se-ia meu marido. Nunca hei de tomar um servo meu e fazê-lo meu esposo! Tenho medo!” Isso não chegou a acontecer, pois o príncipe até chegou a ser enviado ao Egito, mas nunca alcançou seu destino, sendo morto no caminho.

Assim, acredita-se que a solução encontrada por Anquesenamom tenha sido o casamento com o ex-vizir Aye. Foram encontrados anéis que comemoram esse matrimônio, no entanto, não se sabe mais nada sobre o futuro da rainha depois desse acontecimento. Análises feitas em múmias encontradas na tumba KV21 especularam que uma delas poderia ser da viúva de Tut, mas isso não foi comprovado.


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