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Os segredos obscuros — e terríveis — de Lydia Sherman

Muito amada por onde passava, ninguém imaginava que por trás de uma aparência angelical, existia um histórico insólito

Paola Churchill Publicado em 16/05/2020, às 09h00

Retrato da assassina Lydia Sherman
Retrato da assassina Lydia Sherman - Wikimedia Commons

Lydia Sherman chamava atenção por onde passava: tinha cabelos escuros volumosos, olhos azuis bem claros e arrebatava corações na cidade de Danbury, Nova Jersey.

Ela e sua família frequentavam a Igreja Metodista, que promovia grandes jantares entre os fiéis. Foi em um desses eventos, que a mulher conheceu Edward Struck, um ferreiro viúvo que tinha seis filhos. Um relacionamento controverso: ele tinha 40 anos e Lydia, 17, mas isso não impediu que se casassem e se mudassem para Nova York onde começariam uma vida de casados.

Struck apesar de ter seis filhos, queria ter mais crianças com sua amada esposa. Assim, a família cresceu e eles tiveram sete bebês. A família começou a passar por problemas financeiros, já que apenas o salário de ferreiro não seria suficiente para criar 13 filhos.

Assim, o marido de Lydia conseguiu um emprego de policial, mas logo encontrou problemas após matar um barman, depois de uma briga. O homem entrou em depressão profunda, principalmente pela falta de emprego e por seus filhos do primeiro casamento terem deixado a casa da família. 

Diante do episódio, a mulher passou a considerá-lo um peso morto. Ao invés de procurar um emprego para sustentar sua grande família, Lydia começou a planejar maneiras de se livrar do depressivo marido que, em suas próprias palavras, "empacava sua vida".

Mente diabólica

Em 1864, era fácil conseguir arsênico era: qualquer farmácia de esquina americana vendia o item como veneno para roedores. Sem nem pensar duas vezes, Lydia comprou um pouco do produto e misturou no mingau de aveia de Struck.

A assassina usava arsênico para matar suas vítimas/Crédito: Pixabay

 

O efeito foi devastador. O homem passou a sentir dores abdominais terríveis, convulsões; e sua garganta ardia como se tivesse ingerido água fervendo. Diante dos horrores cometidos pela própria amada, ele veio a óbito.

O resultado de sua autópsia foi ainda mais bizarro que toda a situação: foi constatada que a causa da morte seu deu diante do agravamento do seu quadro depressivo. Assim, a esposa conseguiu escapar das mira das investigações. 

Percebendo que saiu ilesa do assassinato, a diabólica mulher passou mostrar sua verdadeira faceta. Decidiu que seus três filhos mais novos teriam o mesmo destino que o próprio pai.

Seis semanas após assassinar o marido, a mulher envenenou às crianças. Isso porque sem saber dos horrores de Lydia, os outros familiares não desconfiavam da mulher, que era considerada adorável e extremamente cuidadosa. 

Morte por morte

Protegida, Sherman matou as crianças uma por uma, sempre da mesma maneira: os envenenando com arsênico. Todos os óbitos eram definidos como complicações da febre tifoide, enfermidade muito comum na época.

No entanto, um filho do casamento anterior de Edward começou a suspeitar da assassina. Na época, ele achava muito estranho tantas mortes semelhantes na mesma família. Intrigado, levou seus questionamentos as autoridades, que prometeram abrir uma investigação sobre o caso.

Novos crimes

Pouco tempo depois, enquanto trabalhava em uma loja, Lydia chamou a atenção de John Curtis, que assim que soube que a moça tinha experiência com enfermagem, a contratou para cuidar de sua mãe, em Connecticut. Era a oportunidade perfeita para Sherman, que havia se livrado das últimas investigações iniciadas pelo ex-enteado. 

Em 1868, depois de oito meses trabalhando de cuidadora, Lydia conheceu o viúvo rico, Dennis Hurlburt, que se encantou pela belíssima mulher. Não demorou muito para que eles se casassem e dividissem o mesmo teto. Todavia, ele não estava livre da sádica.

Em menos de um ano, Dennis morreu após comer uma sopa envenenada. Ela, assustadoramente, saiu ilesa de todo crime mais uma vez. Por estar no testamento do falecido, tornou-se uma mulher rica. 

Imagem de Lydia quando foi presa/Crédito: Wikimedia Commons 

 

A última vítima

Oito meses após a morte de seu segundo marido, a assassina ficou interessada num mecânico da região, Horatio Sherman. Sustentando a narrativa de mulher viúva e com um passado triste, os dois se casaram. O homem estava perdidamente apaixonado pela assassina em série.

Por outro lado, Sherman tinha um sério problema com alcoolismo, o que deixava a mulher extremamente irritada. Em mais um momento de fúria, matou o novo marido. A vida das pessoas era irrelevante para Lydia: ela se achava poderosa por conseguir escolher quem iria viver ou morrer.

Acreditando que as autoridades não conseguiriam capturá-la após envenenar a bebida do parceiro, Lydia encontrou seu fim. Os médicos da região estranharam a morte dos maridos da mulher num curto período de tempo; e de maneira tão repentina e igual. Assim, decidiram fazer uma segunda autopsia para desvendar o mistério.

Eles detectaram presença de arsênico no intestino e estômago das vítimas. Os médicos avisaram as autoridades que emitiram um mandado de prisão para Lydia Sherman. Como consequência, em 7 de junho de 1872, ela foi presa por assassinato.

Durante um julgamento que durou apenas oito dias, a assassina alegou piamente sua inocência dizendo que aquilo era uma loucura, mas diante do grande número de provas, o júri a considerou culpada em segundo grau pela execução de Horatio Sherman.

Ela passou cinco anos presa, até que em determinado momento, começou a fingir que tinha uma doença gravíssima e foi levada para o hospital. Se aproveitando dessa oportunidade, a assassina fugiu.

Ela foi encontrada uma semana depois, com uma identidade diferente e trabalhando na mansão de um viúvo rico. Passaria os seus dias finais em confinamento até morrer por complicações causadas por um câncer.


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