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Os traumas do relacionamento abusivo de Ike e Tina Turner

Sofrendo violência doméstica constantemente, a cantora revelou que já tentou suicídio e que a resposta de seu marido foi que ela “deveria morrer”

Isabela Barreiros Publicado em 22/11/2020, às 08h00

Foto antiga de Ike e Tina Turner
Foto antiga de Ike e Tina Turner - Wikimedia Commons

A carreira de Tina Turner é de invejar qualquer artista. A cantora foi um dos nomes mais importantes do rock principalmente ao longo da década de 1960 e teve um sucesso enorme durante esses anos, ao lado de seu então marido, Ike. No entanto, o que não estava exposto sob os holofotes era o abuso constante sofrido por Tina.

O homem foi o principal responsável pela entrada da mulher no mundo da música. Esse fator não seria esquecido por ele: Ike mudou o nome dela e se tornou praticamente seu dono, obtendo todos os ganhos da carreira artística da mulher e tendo em seu nome a marca comercial dela.

Casados em 1962, os dois mantiveram o relacionamento durante 16 anos. Durante todo esse período, Tina sofria com violência tanto física quanto psicológica causada incessantemente por seu companheiro. Ele quebrou a mandíbula da esposa, jogou café quente em seu rosto e ainda obrigava ela a cantar mesmo que a artista não estivesse bem.

No livro Minha história de amor, escrito por ela e publicado em 2018, a cantora conta detalhes sobre o relacionamento perturbador que durou mais de uma década, repleta de sofrimento. 

Crédito: Wikimedia Commons

 

"A nossa vida juntos foi marcada por abuso e medo. (...) Num jeito perverso, os hematomas que ele me deu — um olho roxo, o lábio machucado, a costela trincada — eram marcas de posse. Uma maneira de dizer: 'Ela é minha e eu posso fazer o que eu quiser com ela'. Eu sabia que tinha que ir embora, mas eu não sabia como dar o primeiro passo. Nas horas mais difíceis, eu me convenci que a morte era o meu único caminho", escreveu.

Na obra biográfica, ela narrou também um episódio brutal entre ela e o então marido, que faleceu no final de 2007. A cantora contou que, em 1968, tentou suicídio, tomando dezenas de pílulas para dormir de uma vez. 

"Para começar, havia três mulheres em casa naquele dia e Ike estava fazendo sexo com todas. Tudo estava desmoronando: meu status, minha confiança, meu mundo. Uma noite, antes de um show, eu não aguentava mais e engoli 50 pílulas para dormir. Eu sabia que elas iam demorar para fazer efeito, então eu calculei que conseguiria fazer o número de abertura e desse jeito Ike ia conseguir o dinheiro da performance. Eu estava tão bem treinada que até meu suicídio deveria ser conveniente para ele", narrou.

Assim que ela foi encontrada desacordada, foi levada a um hospital. Quando acordou, a situação parecia ainda pior. "No dia seguinte, eu acordei, virei o rosto e lá estava Ike. 'Você deveria morrer', ele disse". 

O casal também recebeu muito dinheiro pela música Proud Mary, quando ganhou um Grammy em 1971. Mas até uma coisa que poderia parecer positiva era transformada no inferno na vida de Tina

"O que Ike fez? Gastou todo o dinheiro para montar um estúdio perto de casa. (...) Ele começou a usar cocaína, porque alguém havia dito que isso ia ajudar no sexo. Para mim, entretanto, transar com Ike era hostil, e um tipo de estupro, principalmente quando começava ou terminava comigo sendo espancada. (...) Ele usava meu nariz como saco de pancadas tantas vezes que eu conseguia sentir o sangue descendo a minha garganta quando eu cantava. Ele quebrou meu maxilar e eu não lembrava como era não ter um olho roxo", escreveu.

Crédito: Wikimedia Commons

 

Mas os abusos não duraram para sempre: Tina decidiu que colocaria fim ao relacionamento regado de violência doméstica. A história de superação da cantora pode servir como inspiração para muitas mulheres que sofrem com relações problemáticas. Quando ela escapou, não tinha nada. 

Em entrevista ao The Jonathan Ross Show, da ITV, a cantora disse: "Eu saí do casamento sem nada e tive de fazer as coisas por mim mesma, para minha família, então eu voltei a trabalhar para me manter. Foi muito difícil e perigoso porque Ike era uma pessoa violenta e, naquele momento, usava drogas e estava muito inseguro. Eu não tinha dinheiro, eu não tinha para onde ir". 

Hoje, a artista de 80 anos é casada com Erwin Bach e está “aposentada” do mundo da música desde que terminou a turnê "Tina!: 50th Anniversary Tour" em 2009. Ela só saiu da aposentadoria para lançar um remix da famosa canção "What's Love Got to Do With It?", lançada em 1984.


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