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Ossos de membro da elite maia: a mais instigante descoberta recém-divulgada, segundo a redação

A partir da análise dos ossos de Waal de Ajpach, os cientistas descobriram fatos importantes sobre a vida do homem de destaque

Giovanna Gomes, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 28/03/2021, às 10h00

Inscritos em um dos vasos encontrados na tumba
Inscritos em um dos vasos encontrados na tumba - Divulgação/Kenichiro Tsukamoto

Uma incrível descoberta sobre o antigo membro da elite maia, Waal de Ajpach, surpreendeu amantes da arqueologia no ultimo mês, quando uma equipe de pesquisadores da Universidade da Califórnia encontrou ossos do homem que viveu há mais de mil anos no continente americano.

Segundo os cientistas, estima-se que o enterro tenha ocorrido em torno do ano de 726 d.C., quando ele tinha entre 35 e 50 anos de idade.

Os pesquisadores encontraram objetos enterrados junto ao homem, além de hieróglifos em uma escadaria no sítio arqueológico de El Palmar em Campeche. Assim, liderados pelo professor Kenichiro Tsukamoto, os estudiosos logo começaram a estudar o material encontrado com a finalidade de entender melhor como foi a vida de Waal.

No final, o resultado dos estudos foi publicado na revista Latin American Antiquity.

Kenichiro Tsukamoto - Crédito: Divulgação/Universidade da Califórnia

 

O que dizem os hieróglifos

O membro da elite exercia funções muito importantes na época em que viveu. Como um embaixador, ele viajava para diferentes territórios em nome de seu povo.

De acordo com os hieróglifos analisados pela equipe de Tsukamoto, Waal partiu da cidade de El Palmar, localizada no sul do México, no ano de 726 d.C., e viajou para Honduras, com o objetivo de encontrar o rei de Copán. Lá, ele promoveria uma aliança entre as dinastias de Copán e Calakmul.

Os arqueólogos decobriram que Waal de Ajpach foi enterrado em um templo, assim como ocorria com as demais pessoas da alta sociedade na época. Eles ainda afirmam que o homem teria alcançado tal cargo pelo fato de seus pais terem pertencido à elite.

Algo que logo chamou atenção da equipe é que os dentes do homem haviam sido perfurados com implantes de pedras de pirita e jade, marcas que eram comuns a membros da elite e que realizadas como rito de passagem em jovens na fase da puberdade.

Dentes de Waal de Ajpach - Crédito: Divulgação/Kenichiro Tsukamoto

 

Contudo, junto a seus restos mortais havia apenas dois vasos decorados, o que não é muito comum, visto que a elite maia geralmente era enterrada com inúmeras joias, mostrando-nos se poder e prestígio em vida.

O que os ossos revelaram

Contudo, o resultado das análises dos ossos surpreendeu os pesquisadores.

Conforme declarou Tsukamoto em um comunicado, "sua vida não é como esperávamos com base nos hieróglifos". Ele ainda acrescenta que "muitas pessoas dizem que a elite desfrutou de suas vidas, mas a história é geralmente mais complexa."

O motivo para tamanha surpresa foi que, a partir das análises, os arqueólogos perceberam que o homem havia sofrido de periostite nos braços enquanto vivo, uma doença que faz com que a membrana que envolve os ossos inflame. Ela pode ocorrer em razão de um trauma, doenças como escorbuto e raquitismo ou até mesmo por infecções bacterianas.

Um dos vasos encontrados - Crédito: Divulgação/ Kenichiro Tsukamoto

 

Conforme divulgado pela equipe, a inflamação, muito provavelmente, teve como causa o ato de carregar bandeiras sobre terrenos desnivelados, além do fato do representante constantemente ter de se ajoelhar na presença dos governantes. Outro problema identificado nos ossos de Waal foi a artrite localizada em seus pés e mãos, no cotovelo direito e no joelho e cotovelo esquerdos.

Além disso, foi constatado que seu crânio possuía regiões porosas e esponjosas nas laterais, uma lesão que conhecemos como hiperostose porótica e que é causada por problemas nutricionais ou doenças. Isso nos revela que ele, apesar de ter pertencido à elite, não teve uma vida tão boa quanto se pode imaginar. 

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