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A OUTRA FACE: Como parecia o Jesus Histórico?

Longe de ter sido o branco de olhos azuis que vemos hoje, Cristo nasceu na Palestina da Era Romana. Confira como devia ser o rosto dele!

André Nogueira Publicado em 25/12/2019, às 10h00

Brian nasceu no mesmo dia que Jesus, mas não era nada parecido com ele
Brian nasceu no mesmo dia que Jesus, mas não era nada parecido com ele - Monty Python/Warner Bros.

A face de Cristo é um tema que até hoje causa certa polêmica. Estamos plenamente acostumados a pensar um Jesus a partir das imagens propagadas na Europa, que têm uma base de referências na Bizâncio ortodoxa. Daí, nasce a figura nada verossímil de um Rei dos Judeus branco, de cabelos longos e lisos e olhos azuis. Nada mais distante do concreto.

Além da imagem do Cristo branco, outras referências imagéticas existiram e que podem ser usadas para traçar a verdadeira face do Messias. Então é possível repensar como Jesus realmente de parecia. 

PELOS NO ROSTO

As primeiras ilustrações cristãs de Jesus tentam aproximar a imagem do profeta à de um homem comum, distante de sua realeza celestial. Por isso, essas primeiras figuras não tinham barba e os cabelos eram curtos. Porém, como Cristo provavelmente foi um homem errante, sem contato com barbeiros, ele devia ter longas mechas e uma barba comprida.

No século 19, Jesus era só retratado como branco / Crédito: Wikimedia Commons

 

Jesus nasce num intermédio relevante. Entre o mundo grego - onde a barba desalinhada diferenciava um filósofo - e a realidade latina - onde o destaque estava nos homens de barba feita - Cristo pertence a um mundo próximo-oriental marcado pelo judaísmo

A barba não era um diferencial de um judeu na época, mas as iconografias em moedas romanas sobre Jerusalém do primeiro século, principalmente da Judeia Capta, retratam de uma maneira comum os israelitas: com uma barba curta. É provável que Jesus tivesse uma também. Mas seu cabelo não devia ser muito longo.

O cabelo longo, na Galileia, era uma marca específica dos naziristas, uma ordem que realizava um voto que envolvia o não-corte dos pelos. Porém, não tem como Jesus pertencer a essa ordem: há diversos relatos dele bebendo vinho, algo que é proibido entre os naziristas.

INDUMENTÁRIA

Na época de Jesus, uma importante marca de riqueza eram as longas túnicas que beiravam o chão, que simbolizava poder financeiro. Tanto que Cristo chega a pedir cuidado com os homens de vestes longas. Aos de origem humilde, como provavelmente foi Jesus, era comum que as roupas não passassem da altura dos joelhos.

Então essa devia ser a indumentária principal do Messias. Também era comum que essas pessoas usassem faixas coloridas a tira-colo, indo do ombro à cintura. Em cima dessa roupa, devia usar um manto chamado himation.

Moisés de Dura-Europos: o mais parecido com o que Cristo deveria ter sido / Crédito: Wikimedia Commons

 

No livro de Marcos, há uma referência a ele usando uma dessas peças, assim como em outros trechos da Bíblia. Provavelmente essas peças não era nem tingidas (que é algo ligado ao feminino nesse período) nem branco (que é sinal de riqueza e poder).

Nos pés, assim como todo mundo da época, ele devia usar sandálias. Exemplares de calçados da época já foram encontrados na região da Palestina, e sabe-se bem como elas eram: simples, com solas grossas de couro e tiras que a prendem passando entre os dedos do pé.

ROSTO

As feições de Cristo são o tema mais polêmico. O que se sabe ao certo é que JEsus, como escreve a Carta aos Hebreus, “descendeu de Judá”. Ou seja, era judeu. Então, resta a dúvida de como aparentava um judeu da Galileia, perto dos 30 anos, nessa época. 

Em 2001, essa questão norteou o antropólogo forense Richard Neave, que criou um modelo de homem galileu para o documentário Filho de Deus (BBC). A partir de um crânio desenterrado na Palestina, ele remodelou e criou uma reconstituição de um judeu da Era Romana, que é referencial para pensarmos a face de Cristo.

A verdadeira face de Cristo / Crédito: Richard Neave

 

A partir dessa reconstrução, é fácil dizer que estamos muito acostumados com uma figura de Jesus que não se aproxima da realidade. Alguns retratos bíblicos anteriores à Era Bizantina e à Renascença são muito mais verossímeis que a maioria dos retratos que nos circundam nos dias de hoje.

Um bom exemplo de como ele deveria ser está, na verdade, na retratação de Moisés numa sinagoga em Dura-Europos, do século terceiro. Com roupas não tingidas, manto, cabelos não muito longos e borlas nos cantos, cientistas acreditam que essa seja a maneira mais factual de representar um homem judeu da época de Cristo.


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