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Overdose, acusações e processos: Lil Peep e a morte que continua gerando revolta, 4 anos depois

Rapper morreu pouco antes de um show de sua turnê; desde então, os motivos que causaram isso viraram alvo de polêmicas entre a mãe do cantor e seus empresários

Fabio Previdelli Publicado em 26/05/2021, às 16h00

O rapper Lil Peep
O rapper Lil Peep - Getty Images

Nome em ascensão no rap em 2017, Lil Peep era considerados por diversos veículos especializados, como o Pitchfork, “o futuro do emo”. Misturando o hip-hop com elementos do punk, emo e trap, o cantor fazia sucesso com letras emotivas que falavam, entre outras coisas, da depressão e do uso de drogas.  

Naquela época, Gustav Åhr, nome verdadeiro do artista, havia acabado de lançar seu disco de estreia: "Come over when you're sober (part one)". Porém, pouco antes de realizar um show de sua turnê, ele foi levado às presas para um hospital após sofrer uma overdose.  

Desde então, os motivos que causaram sua morte viraram alvo de polêmicas entre a mãe do cantor, empresários e produtores. 

A overdose 

Em novembro de 2017, Lil Peep, seu empresário Bryant Ortega e sua gerente de turnê Belinda Mercer seguiam em um ônibus para uma apresentação. Entretanto, quando ele foi ser acordado para o show, Ortega disse que o artista já não mais respirava e não tinha batimentos cardíacos. 

A principal hipótese levantada até então, segundo a CNN, é que o cantor havia falecido depois de sofrer uma overdose acidental de medicamentos, o que foi corroborado dias depois, com a autópsia mostrando que ele tinha altas doses de Fentanil e Xanax no corpo — remédios usados, respectivamente, para combater a dor e reduzir os efeitos da ansiedade.  

Lil Peep durante apresentação/ Crédito: 7EVENSIQS/Wikimedia Commons

 

Além disso, de acordo com o Pitchfork, um exame toxicológico também mostrou a presença de outras substâncias em seu corpo, como Alprazolam, cocaína, hidromorfona, oxicodona, oximorfona, tramadol e cannabis. Porém, não havia resquícios de álcool em seu sangue. 

Seu empresário revelou que, antes do show, ele havia tentado chamar Lil por duas vezes, porém, não demonstrava nenhuma reação, apesar de respirar normalmente. Na terceira vez, no entanto, foi constatado que Gustav não tinha mais sinais vitais. O relatório policial informa que foi feita uma tentativa de reanimação cardiorrespiratória, porém, sem sucesso. 

A CNN noticiou que a possibilidade de um assassinato foi descartada pelos investigadores. Porém, essa opção não foi deixada de lado por sua mãe, Liza Womack, que acusa os empresários do filho de terem causado essa situação. 

A briga judicial 

Em outubro de 2019, Liza abriu um processo alegando que Gustav morreu em decorrência de um homicídio culposo e negligência. Os réus eram seu empresário Bryan Ortega e sua gerente de turnê Belinda Mercer, que faziam parte da First Access Entertainment (FAE), uma empresa de gerenciamento e serviços de gravadora que trabalhava com Lil Peep

Além disso, ela também briga na justiça com eles em um caso de quebra de contrato. Ao todo, de acordo com o Pitchfork, 10 ações foram movidas por Womack, sendo que o juiz aceitou a maior parte delas. Com isso, o veículo informou que um júri ficou marcado para o próximo dia 10 de novembro. 

“Eu quero justiça para Gus”, diz Liza ao Pitchfork. “É por isso que estou fazendo isso. Seja qual for a forma que assuma, o que procuro é que as pessoas sejam responsabilizadas por seu comportamento”. 

A mãe do rapper alega que, antes da morte do filho, ele teria dito a seu empresário que não queria se apresentar. Segundo a mãe, Bryan e sua gerente, então, disseram que isso só poderia acontecer caso Gustav ficasse “doente”. Assim, a apólice de seguro cobriria o cancelamento do show. 

Com isso, Liza alega que os dois instruíram o cantor a tomar muito Xanax. Assim, eles ligaram para o promotor do show e disseram que teriam que cancelá-lo. Porém, o promotor disse que tinha visto as publicações de Lil e afirmou que a apresentação seguiria conforme o combinado. O processo afirma que os gerentes da turnê disseram a Peep para postar um vídeo garantindo aos fãs que ele estava bem. 

Com esses relatos, o juiz da Corte Superior de Los Angeles também aceitou as alegações contra a FAE por danos punitivos, embora Womack ainda precise provar tudo o que disse. “Normalmente, os punitivos são derrubados muito cedo”, explica Amy Breyer, uma advogada de propriedade intelectual e entretenimento, ao Pitchfork, dizendo que a decisão é significativa. 

Porém, naquele mesmo mês, a FAE processou a mãe de Lil Peep por quebra de contrato, alegando que ela vendeu mercadorias póstumas do filho sem autorização. Em março do ano passado, Womack acrescentou a CEO da First Access, Sarah Stennett, como corréu em seu processo, alegando que ela violou seu dever fiduciário, ou seja, a obrigação de colocar os interesses do cliente acima dos dela. 

Liza afirmou também que abriu o processo, pois, estava preocupada com fato de outros jovens artistas serem expostos a pressões das quais eles não estão preparados psicologicamente para lidar, assim como aconteceu com seu filho.  

“Uma mudança mais duradoura virá se descobrirmos uma maneira de remover ainda mais o estigma sobre as questões de saúde mental e apoiar os artistas”, disse John Seay, advogado do setor de entretenimento de Atlanta, em entrevista à Pitchfork.  

Já Breyer sugere que o caso de Peep pode marcar um raro momento de responsabilidade para a indústria quando se trata de abuso de substâncias. “Pode realmente haver uma oportunidade para uma mudança radical”. 

À Pitchfork, os advogados da FAE, OrtegaMercer, contestaram as alegações de Liza, dizendo que o processo levantado por ela era “infundado e ofensivo”. Além disso, disseram que a alegação de que "qualquer um de seus funcionários, ou Chase Ortega, ou qualquer outra pessoa sob nossos auspícios foi de alguma forma responsável, cúmplice ou contribuído para sua morte é categoricamente falsa".  

Em novembro do ano passado, Bryan disse à Rolling Stone, por meio de seu advogado, que, embora simpatize com o desejo de Womack de encontrar respostas, "o processo dela contra mim é totalmente infundado, equivocado e sem mérito".


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