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Paço Imperial: Conheça o palácio onde viveu a família imperial

A construção, que está de pé desde 1743, tem uma rica história que é entrelaçada com a das elites brasileiras

Ingredi Brunato, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 17/11/2021, às 15h11

Paço Imperial em 1900
Paço Imperial em 1900 - Domínio Público

A Praça Quinze de Novembro é situada na área central da cidade do Rio de Janeiro. Dessa forma, é apenas natural que tenha sido a localização ideal para o governador da capitania. 

O palácio que mais tarde abrigaria a Coroa Portuguesa depois de sua vinda às pressas para o Brasil foi construído graças ao Conde Antônio Gomes Freire de Andrade, que achava que sua residência era muito simples.

O nobre escreveu uma carta diretamente ao rei de Portugal, que na época era Dom João V, a fim de reclamar a respeito de sua situação de habitação.

Para seu deleito, foi atendido, e então começou a construção da nova sede da capitania do Rio de Janeiro, que foi encabeçada por um engenheiro português, o militar José Fernandes Alpoim.

Na época, vale comentar, a localização da nova moradia do capitão-general era considerada inusual. Isso pois, na época, o lugar visto como ideal para uma casa era o topo de um morro, o que não era o caso do terreno onde a glamorosa residência que estava sendo erguida.

O projeto demorou de 1738 até 1743 para ficar pronto, mas a espera definitivamente valeu a pena: o conde Antônio viveu os seus vinte anos seguintes (até a sua morte em 1763) no luxuoso local, conforme documentado pelo site oficial do governo do Rio em uma publicação de 2016.

Importante em todas as épocas

Após a morte do nobre, a residência foi usada para um outro propósito, que acabou apelidando o lugar durante este período — ele era então conhecido como o Palácio dos Vice-Reis. 

Interior da Sala dos Arqueiros / Crédito: Domínio Público

 

Por coincidência, no mesmo ano em que o conde faleceu, o governo-geral do Brasil mudou sua sede para o Rio, que foi a cidade eleita para ser a capital da então colônia. 

Em 1808, veio a fase em que a construção ganhou sua função mais conhecida, aquela que deu o nome que o lugar tem hoje: abrigou a família imperial. 

Quem veio foi Dom João — que na época era príncipe regente, mas depois seria coroado Dom João VI —, sua mãe, Dona Maria, assim como o restante da Corte e sua comitiva, composta por inúmeros nobres, damas de companhia e criados. 

Mesmo quando D. João se mudou para outro local, a Quinta da Boa Vista, sua esposa, Carlota Joaquina, ficou para trás com suas filhas. O Paço Real ainda foi usado durante eventos importantes, como coroações e casamentos, com seu posicionamento central na cidade sendo mais adequado para essas ocasiões.

O local, por exemplo, que registrou o importante episódio, em 1822, onde Pedro I revelou que não voltaria para Portugal, momento que conhecemos como 'Dia do Fico'. 

Vale destacar que a construção não permaneceu intacta durante essas décadas. Inúmeras modificações foram feitas ao longo dos anos, com espaços sendo acrescentados ou reformados.

Paço Imperial hoje / Crédito: Domínio Público

 

O local histórico também já teve inúmeros usos além de moradia: foi sede da Casa da Moeda, possui cômodos que já foram usados como cárcere, e contém uma biblioteca com um acervo com cerca de 8 mil obras, apenas para dar alguns exemplos.

Por fim, o Paço Imperial foi palco de momentos inesquecíveis da história brasileira, como o Dia do Fico e a assinatura da Lei Áurea, que aboliu a escravidão no país. 

Exterior do Paço Imperial no dia da sanção da Lei Áurea / Crédito: Domínio Público

 

Hoje, o local é aberto à visitação para quem quer andar pelos corredores que um dia foram percorridos pelos por imperadores e nobres cujas decisões eram capazes de moldar o destino do Brasil.