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Pacto com Diabo e morte controversa: Robert Johnson, a maior lenda urbana da história do Jazz

A encruzilhada onde o músico teria feito contrato de sua alma se tornou patrimônio histórico americano e rendeu diversas teorias

Wallacy Ferrari Publicado em 19/04/2020, às 09h00

Robert Johnson, em uma das únicas fotos existentes do músico
Robert Johnson, em uma das únicas fotos existentes do músico - Divulgação

Os mistérios na vida de Robert Leroy Johnson fizeram do músico o homem mais misterioso do mundo. Seu incerto nascimento é datado entre 1909 e 1912, na pequena cidade de Hazlehurst, no Mississipi.

Os únicos registros de sua infância e adolescência era em campos dos membros de sua família, que também eram lavradores. Sem frequentar a escola, passou a se dedicar a música aos 16 anos de idade, tocando composições próprias em bares.

Com letras carregadas de agonia e dor, descrevia solidão, romances e as dificuldades enfrentadas pelos americanos na época da Grande Depressão de 1929 e seus prejuízos. Quando começou a ter certa notoriedade pelas composições, muitos fatos estranhos passaram a render certa desconfiança sobre a origem de seu talento.

Entre suas 29 composições gravadas, alguns títulos e letras tinham como enredo principal um contato com uma força sobrenatural que buscava sua alma, nomeando especificamente os sinônimos de demônio, como “satan”, “devil” e “demon”. Na música Me and The Devil Blues, é ainda mais específico ao descrever Satanás batendo em sua porta pela manhã e orientando a ir embora com ele.

Além disso, o comportamento de Johnson, de acordo com testemunhas, era macabro. O homem pouco falava e tinha um olhar profundo e fixo. Nas ocasiões chegou a gravar suas músicas tocando o violão em frente a parede, como se estivesse recebendo alguma entidade em seu corpo. O mistério apontava um caminho único: Johnson fez um pacto com o Diabo.

A placa instalada no ponto da lendária encruzilhada entre as rodovias 61 e 49 / Créditos: Wikimedia Commons

 

A lenda da encruzilhada

O lendário cruzamento entre as rodovias 61 e 49, em Charkdale, no Mississipi, teria sido o palco da maior lenda urbana do jazz. Com um violão e uma garrafa de uísque, teria solicitado a presença da figura para realizar uma proposta em troca de sua alma.

O trato tinha um só objetivo: Johnson queria ser o melhor musicista possível e que pudesse fazer, sem esforço algum, tudo que quisesse no violão para ser o maior artista de blues. O pacto teria sido selado com ambos bebendo o uísque trazido pelo musico.

Em teoria, os sucessos Sweet Home Chicago e I Believe I'll Dust My Broom teriam sido escritos, gravados e reproduzidos com o diabo em seu corpo, dando força e poder totalitário para a genialidade presente na letra e melodia. Porém, as últimas composições seriam as relacionadas ao demônio, visto que, o trato especificava que apenas 30 músicas seriam gravadas e que, ao longo de sua carreira, esse número estava se aproximando.

Para amparar a conspiração, Robert gravou em toda sua carreira 29 músicas, deixando de lado onze composições que estavam completamente prontas para serem passadas em estúdio. Antes de gravar a trigésima, teria se rebelado contra Satanás, para que pudesse continuar gravando e aproveitando do sucesso em vida.

Sua morte, no entanto, ainda dá mais crédito ao mistério: com o descumprimento, teria sido lançada uma maldição famosa no mundo da música: A maldição dos 27. Assim como muitos músicos que morreram e entraram no ‘clube dos 27’, as circunstâncias do óbito de Robert Johnson são inconclusivas e de motivos incertos.

Um rumor levanta a possibilidade de que o músico faleceu em decorrência de uma sífilis, que contraiu e desenvolveu rapidamente. Em outra, teria se envolvido com uma moça casada e o marido da mesma teria o envenenado. 

Apesar dos mistérios, sua obra sucinta com o padrão de doze compassos no jazz inspirou uma geração inteira de músicos, como Eric Clapton, que chegou a gravar um álbum de covers somente com composições de Johnson, e rendeu ao astro um Grammy póstumo pelo conjunto da obra, além de ser eternizado no Hall da Fama do Rock and Roll na primeira cerimônia, em 1986.


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