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Pai abusivo e mãe alcoólatra: a conturbada infância de Marlon Brando, sex symbol de Hollywood

Durante a juventude, o jovem encontrou a atuação como refúgio para os abusos: "Ele tinha o hábito de dizer que eu nunca chegaria a nada”

Wallacy Ferrari Publicado em 25/04/2020, às 08h00

Marlon Brando em ensaio fotográfico (à esq.) e acompanhado de seu pai (à dir.)
Marlon Brando em ensaio fotográfico (à esq.) e acompanhado de seu pai (à dir.) - Wikimedia Commons / Voxsartoria

Nascido em 1924 em Omaha, nos EUA, o galã Marlon Brando passou por episódios durante a infância que não foram tão doces como seu sorriso enquanto jovem, mas rígidos como suas interpretações de Don Corleone. Com boa parte de sua juventude em Illinois, o pequeno Brando já convivia com os horrores de Hollywood antes mesmo de pensar em conquistar a fama.

A mãe, Dodie, era uma alcoólatra que, frequentemente, desaparecia de sua residência e deixava os parentes aflitos por seu paradeiro, até ser encontrada embriagada em algum bar. De acordo com o filho, “preferia ficar bêbada a cuidar de nós”. O refúgio na bebida, no entanto, era justificado por uma figura ainda mais opressora na criação de Marlon: seu pai.

Também chamado Marlon, o pai era um ex-aluno da Academia Militar Shattuck que trabalhava como caixeiro-viajante, sendo um representante de vendas de sucesso. Apesar de viajar para negócios com frequência, a relação com o filho sempre foi intensa pela frieza e ignorância por parte do pai.

A segurança financeira presente na casa da família contrastava com a insegurança que os filhos tinham com o pai grosseiro. Frannie, irmã do ator, chegou à relatar a injustiça e maldade presente nas punições paternas: “Em nossa casa, havia culpa, vergonha e castigos que, muitas vezes, não tinha relação com a bagunça que havíamos causado, e eu acho que o sentimento de injustiça nos marcou profundamente”.

O Marlon pai não era abusivo somente com os filhos, mas também com Dodie. Aos 14 anos, o filho chegou a separar uma violenta discussão entre os pais, ameaçando mata-lo se machucasse a mãe novamente. Como refúgio, buscava acalmar a mãe aprendendo suas músicas preferidas no piano.

Em entrevista, Brando chegou a relatar, de maneira tímida, os abusos que afirmou jamais ter esquecido: “Eu herdei seu nome, mas nunca o agradei ou até mesmo o interessei. Ele adorava dizer que eu não conseguiria fazer nada direito. Também tinha o hábito de dizer que eu nunca chegaria a nada”.

Uma chance para seu talento

Marlon Sr. em visita ao filho em set de filmagem / Créditos: Divulgação / Twitter

 

No ensino médio, o jovem Marlon refletia o comportamento conturbado de seus familiares dentro das salas de aula, confrontando professores, vandalizando propriedades e até incendiando os móveis no colégio, o estopim para sua expulsão foi um episódio onde o ator andou de moto pelos corredores de sua escola. Descontrolável, o pai preferiu o mandar para a mesma academia militar que havia se formado.

Diferente do que esperava, o jovem se deu muito bem no internato, com ótimas notas em literatura e aulas de teatro, onde canalizou sua raiva e talento. Apesar de escrever cartas para o pai, nunca foi sequer respondido. Com a rejeição, preferiu seguir o único caminho que parecia agradável para sua carreira: a atuação.

Tendo problemas com os rígidos diretores da academia, Branco seguiu o conselho de uma professora de inglês, que afirmou que o mesmo tinha potencial, e largou os estudos. Preferiu se mudar para Nova York, onde, anos depois, se tornaria um símbolo da atuação. O pai tentou se reaproximar de Brando com o sucesso, o que inicialmente lhe deixava extasiado.

Quando notou o interesse do pai em sua fortuna e fama, preferiu ligar os pontos e estreitar a relação. Marlon Brando Sr morreu em 1965, aos 80 anos, quando o filho tinha apenas 40, sem ao menos conversar sobre os abusos. O ator fez questão de se lembrar do pai, mas de uma maneira profissional: “Se eu tenho uma cena onde devo interpretar alguém com raiva eu lembro do meu pai batendo em mim”.


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