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Sobrevivendo ao inferno: pai e filho passaram por 5 campos de concentração nazistas

Os judeus austríacos Gustav e Fritz Kleinmann passaram por todo o holocausto juntos, e apoiando-se um no outro, escaparam do horror nazista

Isabela Barreiros Publicado em 19/06/2020, às 09h00

A família Kleinmann
A família Kleinmann - Arquivo Pessoal

Durante a Segunda Guerra Mundial, o holocausto nazista foi responsável por assassinar cerca de dois terços dos nove milhões de judeus que vivam na Europa no século 20. Histórias tristes e terríveis não faltam para descrever o horror que foi a vida das pessoas que tiveram que passar por essas circunstâncias.

Ainda assim, existem casos daquele período que podem demonstrar um pouco da esperança que alguns tinham mesmo em meio a tragédias. Os judeus austríacos Gustav e Fritz Kleinmann se encaixam nesta descrição — eles sobreviveram, juntos, à cinco campos de concentração ao longo do holocausto alemão.

Buchenwald, Auschwitz, Mauthausen, Mittelbau-Dora, Bergen-Belsen. Foram estes os terríveis locais aos quais o pai e filho sobreviveram ao longo de suas trajetórias.

A história ficou mais conhecida após o historiador e escritor Jeremy Dronfield decidir juntar os manuscritos deixados pelos dois, no livro "O rapaz que seguiu o pai para Auschwitz". Em entrevista à ISTOÉ, o autor afirmou que “há muitas histórias contadas sobre Auschwitz, mas a de Gustav e Fritz se sobressai. Os dois participaram de toda a história dos campos de concentração nazistas. Além disso, deixaram textos que hoje constituem documentos preciosos”.

Antes da existência dos campos de concentração, Gustav Kleinmann trabalhava como estofador, e sua mulher como dona de casa. Eles tinham quatro filhos — Fritz, Edith, Herta e Kurt. Tini, a mãe, e Herta foram mortas logo no início, em um campo na Bielorrússia. Kurt e Edith fugiram para os Estados Unidos e sobreviveram. Gustav e Fritz estavam apenas no começo de uma violenta trajetória.

Crédito: Arquivo Pessoal

 

Assim que eles foram descobertos, foram enviados à Buchenwald, na Alemanha. Nesse período, os dois passavam fome e eram diariamente espancados. Segundo Dronfield, “Gustav contraiu disenteria e esteve a ponto de morrer, mas, tal como escreveu nas suas anotações secretas, seu ‘pequeno’ [Fritz] era o motivo pelo qual seguia levantando todos os dias. ‘O menino é minha maior alegria. Damos força um ao outro. Somos um, inseparáveis’”.

O autor narra que, de acordo com os relatos obtidos após a morte da família, eles começaram a ter experiência em sobreviver aos campos de concentração. Eles chegaram ao mais terrível deles em 1942, quando já tinham estratégias o suficiente para sobreviverem juntos.

“Nunca chame a atenção” era o lema dos Kleinmann. Eles aprenderam que quanto mais invisíveis fossem aos carcereiros dos campos, mais tempo poderiam sobreviver lá dentro. Além disso, colaborar também era um método de sobrevivência. Fritz, quando fez 18 anos, se voluntariou para trabalhar como pedreiro em um dos locais em que esteve preso.

“Queria ficar com meu pai custasse o que custasse. Não posso seguir vivendo sem ele”, escreveu o jovem de apenas 18 anos em um de seus diários encontrados e organizados por Dronfield. O autor se impressiona contando como os dois “passaram pelo inferno juntos, do princípio ao fim”.

“Não conheço outro caso de dois familiares que tenham estado em mais de dois campos e que, além de sobreviver, se mantiveram juntos todo o tempo”, confirma o historiador. “O amor deles era um elo indissolúvel. É a explicação para terem resistido a violências, humilhações e ameaças”, conclui.

Fritz tinha um plano para tentar fugir do último campo de concentração que estiveram. No entanto, ele não teve coragem de abandonar seu pai no terrível local. Os dois conseguiram sobreviver a tudo — e ainda saíram vivos em 1945, quando a guerra acabou.


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