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10 palavras inocentes com origem obscena

Abacate, porcelana, orquídea e outros termos vieram da imaginação sexual dos antigos

Letícia Yazbek e Thiago Lincolins Publicado em 24/05/2019, às 12h00

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Se palavrões geralmente, começam como termos inocentes, o efeito oposto também acontece: palavras que surgiram como metáforas sexuais, com a mudança da língua ao longo dos séculos, ou por terem origem em termos estrangeiros, acabam ditas na mais perfeita inocência. 

1. Orquídea

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Para o olhar moderno, em metáforas artísticas, a flor se identifica com a anatomia feminina. Os gregos, porém, viram outra coisa. A palavra vem do grego orchis, que significa testículos. É que as raízes de algumas orquídeas têm um formato que lembra essa parte.


2. Baunilha

Quando os espanhóis foram apresentados à planta cultivada pelos nativos, a apelidaram de vainilla, diminutivo de vaina (em português, bainha). Vaina tem origem na palavra latina vagina, que significava estojo ou bainha (que cobria a lâmina de uma espada). E vagina. A explicação é que a planta envolvia e abrigava os grãos. 


3. Seminário

A palavra vem do latim seminarium, que quer dizer viveiro de plantas. Ela tem origem em outra palavra em latim, semen, que significa sementes e também originou o termo em português sêmen. A ideia é que, em um seminário, são semeadas ideias e conhecimentos.


4. Porcelana 

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A insólita assimilação se deve ao fato do termo ter origem na palavra italiana porcellana, que se refere às conchas de búzios - devido à aparência lisa e brilhante. Contudo, a palavra deriva de porcella, traduzido como porca jovem. Alguém — a História infelizmente não registrou quem — notou a semelhança das conchas com a vulva do animal.


  5. Abacate 

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O termo vem de awakalt, que na língua asteca Nahuatl significa testículo. A semelhança é óbvia, não tem como ser desvista, e desculpe a quem acabamos de estragar o gosto por vitaminas e guacamoles. 


6. Punk 

O termo foi utilizado pela primeira vez durante a Idade Média, por Shakespeare. Em suas obras, o dramaturgo usou a palavra taffety punk para descrever as prostitutas bem vestidas da época.

Ao longo dos séculos, passou a designar um rufião, um desviante sexual masculino, e daí qualquer pessoa desprezível. Na época do surgimento da subcultura punk, queria dizer particularmente alguém jovem e desprezível. 


7. Mastodonte 

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Julgue você próprio a imaginação do paleontólogo Georges Cuvier. Ao descobrir um elefante gigante, ele pensou em mamilos - achou que os dentes do bicho eram semelhantes a eles. Assim, fez uma junção com masto que, em grego significa “mama” e odont, “dente”. Dente de mamas. 


8. Recuar

Assim como os termos recular (espanhol), rinculare (italiano) e reculer (francês), a palavra é derivada do latim reculare, que quer dizer, literalmente, andar com o traseiro (culus) para trás.


9. Esculachar

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O termo chegou ao Brasil com os imigrantes italianos, no início do século 20. Sculacciare (esculachar) quer dizer dar palmadas na bunda - no, principalmente de crianças - e tem origem em culo, que quer dizer nádegas.


10. Babaquice

Babaca, termo africano de origem bantu, era utilizado para se referir de forma vulgar ao órgão sexual feminino. E, até poucas décadas atrás, ainda era considerado um palavrão. O derivado babaquice indicava o ato de "focinhar a babaca”. Isto é, fazer sexo oral em mulher. Algo que os homens do passado achavam uma babaquice. E a marcha do progresso segue adiante. 


E 4 que não têm nada a ver com sexo

Estes são casos de etimologia popular, palavras que parecem ter uma origem óbvia (e chula, nestes casos), mas que tem outra.

  • Coitado: nada a ver com coito. Vem do latim vulgar coctare, derivado de cogere, forçar. Alguém forçado a fazer algo.
  • Testemunha: o latim testis significava tanto testículo quanto testemunha. Mas a teoria mais aceita é que essa palavra tenha vindo do proto-indo-europeu thrists, “terceiro”. A terceira parte no processo. É o testículo que deriva da testemunha, pois “testemunha” a masculinidade de alguém. 
  • Bacana: não vem de bacanal, mas do espanhol argentino bacán, o chefão, o poderoso. Nota-se a origem em expressões como os bacanas.
  • Aporrinhar: de bater em alguém com uma porra — não é uma palavrão, mas o nome de uma arma medieval. Porrete é diminuitivo de porra, também chamada de clava ou maça. Uma arma contundente, que só se tornou palavrão por metáfora, bem depois.