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As particularidades curiosas de uma múmia egípcia de 2 mil anos

Um estudo de 2020 investigou um detalhe impressionante no retrato do indivíduo

Redação Publicado em 02/06/2021, às 07h00

O ‘Retrato de um homem barbudo'
O ‘Retrato de um homem barbudo' - Divulgação/Museu de Arte de Walters

Às vezes apenas um pequeno detalhe pode gerar as perguntas que faltavam para que se possa entender algo por completo. Foi isso que pesquisadores da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, compreenderam ao notar uma particularidade que poderia ser considerada mínima em um retrato antigo.

Os especialistas estavam analisando uma obra cujo nome era ‘Retrato de um homem barbudo’. Ela representa um “homem barbudo vestindo uma toga decorada com dois clavos roxos”, conforme escreveram no artigo que apresenta a pesquisa, publicada na revista científica International Journal of Ceramic Engineering and Science.

O retrato foi encontrado no Egito e provavelmente data do século 2 d.C., um período que marcou a história da arte da região por apresentar obras mais realistas — o quadro em questão sendo um exemplo disso. 

Além do retrato do homem, foram encontrados inúmeros outros quadros que têm uma origem comum: mais de mil obras foram descobertas na cidade de Faium, que fica a 130 km a sudoeste da grande capital do Egito, Cairo. O retrato do homem barbudo, porém, acabou recebendo quase toda a atenção.

‘Homem barbudo’

O pigmento roxo encontrado no retrato / Crédito: Divulgação/International Journal of Ceramic Engineering and Science

 

O quadro, que foi pintado em madeira, estava guardado nos lençóis da múmia do indivíduo retratado. Além de conseguirem analisar o corpo mumificado da pessoa em questão, os pesquisadores contaram com o retrato para investigar os detalhes sobre ela. 

No final de outubro do ano passado, os cientistas divulgaram suas descobertas acerca da obra. Eles tinham percebido que ela contava com resquícios de um pigmento roxo, uma cor que acabou gerando inúmeras perguntas que ainda estão sendo respondidas.

Embora o objetivo dos artistas da época fosse retratar uma pessoa de modo mais fiel possível, ainda existia uma expectativa de que o status social do indivíduo ficasse claro para quem observasse a pintura. Aspectos como cores e objetos eram importantes para essa representação.

O pigmento roxo foi encontrado na toga do homem, o que gerou ainda mais perguntas. É possível que o tom representasse a posição que ele ocupava na sociedade da época, por exemplo. 

Em nota, repercutida pela revista Galileu, Glenn Gates, do Museu de Artes Walters, localizado em Baltimore, nos Estados Unidos, salientou a importância da descoberta. A instituição em que ele trabalha guarda o retrato. 

"Uma vez que o pigmento púrpura ocorria no clavi, marca roxa na toga que na Roma Antiga indicava posição senatorial [de senador], pensava-se que talvez estivéssemos vendo um aumento da importância do assistente na vida após a morte", explicou.

"A cor roxa estimula muitas perguntas”, disse Darryl Butt, coautor da pesquisa. De fato, como apontaram os especialistas no artigo, a tonalidade está relacionada tanto à realeza quanto à morte e até mesmo à vida em culturas diferentes. Entender o que ela significava no período romano do Egito Antigo é uma tarefa muito importante.

No estudo, os cientistas notaram ainda que o pigmento em questão parecia ser formado por partículas muito maiores que as mais comuns. Os pesquisadores se questionaram: “pedras preciosas ou semipreciosas moídas contendo cromo, como granada, espinélio ou mesmo rubi, poderiam ter sido adicionadas a pedido do indivíduo retratado, em uma tentativa de aumentar o status na vida após a morte?”. 

Eles apontaram ainda que “grande tamanho de partícula, a aparência de gema e a localização restrita ao clavi podem apoiar isso”.

Ainda que seja um estudo inicial sobre o tema, sua importância está em gerar novas perguntas para o retrato. “A presença de roxo nesse retrato em particular nos fez imaginar o que ele significava”, afirmou Butt.


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