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Partida final: a triste saga do craque Miklós Fehér em campo

Durante uma partida de futebol entre o Benfica e Vitória de Guimarães, o astro da Seleção Húngara sofreu um colapso que comoveu o país

Wallacy Ferrari Publicado em 31/10/2020, às 09h00

Miklós Fehér comemorando gol com batidas no peito
Miklós Fehér comemorando gol com batidas no peito - Divulgação / SL Benfica

Nascido em Tatabánya, na Hungria, em 20 de julho de 1979, Miklós Fehér já despontava na infância em relação aos amigos. Em um país de pouca tradição no futebol, o garoto não apenas tinha uma excelente noção de posicionamento, mas também uma mira imbatível nas categorias para jovens jogadores.

Tal talento acompanhou o garoto por toda adolescência, favorecendo ainda mais por suas características físicas; Fehér atingiu 1,85m durante a puberdade, além de desenvolver um porte físico impressionante para a pouca idade. Dessa maneira, conseguiu chamar atenção do Gyõri ETO FC, clube que disputa o Campeonato Húngaro de Futebol, sendo integrado na equipe aos 16 anos de idade.

Lá, fez sua melhor sequência de gols na categoria profissional, chamando a atenção de outros clubes na Europa e rendendo sua primeira convocação para o sub-18 da Seleção Húngara. Em 1998, teve a oportunidade de crescer a carreira com sua transferência ao clube português Porto, no entanto, não conseguiu se encaixar na equipe e passou para o Benfica em 2002, iniciando o auge.

Momento em que Miklós cai no campo após levar cartão amarelo / Crédito: Divulgação / SIC TV

 

Interrupção repetina

Servindo como amuleto do time, Miklós era peça chave durante o segundo tempo do Benfica durante os dois anos de estadia. Apesar de não conseguir a titularidade, era acionado para equilibrar sua força física com a técnica notável quando os rivais já estavam mais cansados. A técnica chamou a atenção da Seleção da Hungria, que o integrou no elenco principal para a disputa das Eliminatórias Europeias.

Em uma das etapas de qualificação para a Copa do Mundo de 2002, Fehér chegou a marcar um "hat trick" contra a Lituânia, além de garantir a camisa 9 do time nacional, sendo um ídolo com apenas 22 anos de idade.

Dois anos depois, uma partida eliminatória contra o Vitória de Guimarães, o astro entrava em campo com a camisa 29 para auxiliar o ataque da equipe, que vencia por 1 a 0.

Em uma jogada lateral, Féher impediu a saída de bola de um atleta rival, levando um cartão amarelo pelo bloqueio. Rindo sarcasticamente sobre a penalidade, Miklós começou a desacelerar a caminhada, tentou sentar no chão e acabou caindo de maneira abrupta, batendo a parte traseira da cabeça com força no gramado.

A queda imediata chamou a atenção de colegas de equipe, que rapidamente notaram o mal súbito.

Estátua de Miklós Fehér no Estádio da Luz, em Portugal / Crédito: Wikimedia Commons

 

Morte no Inferno

O futebolista croata Tomo Sokota foi o primeiro a se aproximar do companheiro de equipe, tirando sua língua da garganta para evitar o sufoco e realizando massagem cardíaca. O corpo imóvel de Fehér assustava os atletas e chamou a atenção do estádio pelo tumulto formado, chegando a ter uma ambulância entrando ao campo. Retirado com uma maca e inserido no veículo, o húngaro foi levado ao hospital.

Conhecido dos brasileiros na passagem pelo Flamengo, Jorge Jesus era o treinador do Vitória de Guimarães e estava em campo durante o incidente: “Ele saiu na ambulância e nós voltámos a jogar. Mas o que queríamos era sair rapidamente dali e ir para o hospital ter com ele. O jogo já não importava em nada. A vitória e o meu gol não importavam em nada”, disse o técnico na coletiva de imprensa.

Após diversas tentativas de reanimação e a intensa cobertura da imprensa esportiva, que transmitia o jogo, o médico-legista anunciou o falecimento do jogador por volta da meia-noite do horário local, atribuindo a causa a uma fibrilação ventricular causada por uma cardiomiopatia hipertrófica — condição onde a deficiência muscular cardíaca é causada por uma hipertrofia sem causa óbvia.

O corpo, velado no estádio do Benfica, popularmente apelidado pela torcida como Inferno da Luz, contou com o companheiro brasileiro Argel Fuchs no carregamento do caixão, além do anúncio da diretoria do clube de que a camisa 29 jamais seria usada por outro jogador. No jogo seguinte do clube, uma faixa estendida na torcida chamou a atenção da imprensa: “Fehér, apesar da tua transferência para o paraíso, o Inferno da Luz jamais te esquecerá”.


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