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Passado brasileiro: os antigos indígenas caçavam tubarões?

Uma pesquisa realizada recentemente por pesquisadores da UFSC e da UFRJ apresentou uma nova tese sobre o tema

Giovanna Gomes Publicado em 28/02/2021, às 10h00

Tubarão-branco
Tubarão-branco - Divulgação

Ao longo de mais de um século, a historiografia considerou que os antigos indígenas brasileiros não praticavam a caça de tubarões, salvo em casos de animais que já chegavam feridos ou velhos à costa do país.

Contudo, um estudo recente de pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) aponta que tal constatação, na verdade, pode ter novos capítulos.

Uma série de indícios os levam a crer que os povos nativos caçavam tubarões não apenas para comer. Temos como exemplo os dentes dos animais, que eram utilizados como pontas de flechas e até mesmo impressionantes lâminas de barbear. Além disso, possivelmente haveria uma função social para a prática.

Ilustração de indígenas - Crédito: Divulgação

 

Nova pesquisa

A partir da análise de uma série de materiais, desde itens como ferramentas, cerâmicas e fogueiras, até mesmo restos dos mais variados tipos de animais datados do período entre 500 e 700 anos atrás, foi possível constatar uma antiga relação entre os indígenas e os peixes cartilaginosos.

Entre as evidências encontradas no distrito do Rio do Meio, em Santa Catarina, havia um grande número de fósseis de tubarões de diferentes espécies, como o tubarão-branco, o tigre e o martelo, os quais chegam a um tamanho superior a três metros de comprimento e mais 450 quilos.

Tubarão-tigre - Crédito: Wikimedia Commons

 

Isso fez com que os especialistas considerassem que aqueles povos deveriam ter habilidades de caçar esse tipo de animal marinho e que, em torno de 54% da dieta dos indígenas daquela localidade deveria ser composta pelos grandes peixes.

Surge um enigma

Contudo, por mais que existam evidências da prática, há uma grande dúvida entre os estudiosos. Eles tentam entender o porquê de a maior parte das vértebras de tubarões encontradas pertencerem a espécies pequenas ou a animais mais jovens, enquanto os dentes encontrados eram de espécimes grandes.

Alguns apontam que as vértebras dos menores eram descartadas enquanto os peixes maiores eram preparados com os ossos.

Sambaqui do Ipuã, em Santa Catarina - Crédito: Hilton Lebarbenchon

 

Anteriormente, pesquisadores da Universidade Federal do Sergipe (UFS) já haviam constatado algo que corrobora a nova tese. Na ocasião, o objeto de estudo eram os sambaquis. Neles, foram encontrados restos mortais humanos datados de entre 500 e 8 mil anos junto a colares e outros adornos feitos com dentes de tubarão.

Agora, com as novas descobertas, tudo indica que não se tratavam de simples enfeites, mas havia também restos de hastes de madeira, armas que, muito provavelmente, auxiliariam aqueles caçadores no pós-vida. Haveria, portanto, segundo os estudiosos, um motivo espiritual ou cultural para a prática e que traria status para quem o fizesse.

Leia o estudo completo aqui. 


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