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Passado de dor e privilégios: Infância de Lady Di também foi marcada por altos e baixos

Traumas de infância não a impediram de lutar por seus sonhos e valores

Revista Caras - Especial Lady Di, 60 (ED. 1442A) Publicado em 31/08/2021, às 00h00

Diana na infância (à esqu.) e Diana adulta (à dir.)
Diana na infância (à esqu.) e Diana adulta (à dir.) - Divulgação/Althorp House e Getty Images

Descendente da alta aristocracia britânica, os Spencer, a eterna princesa Diana (1961–1997) — que completaria 60 anos em 1º de julho de 2021, se estivesse viva — transitava pelo universo da realeza desde a infância.

Herdeira do conde John Spencer (1946–2005) e de Frances Ruth (1963–2004) — cujo casamento contou com a presença da rainha Elizabeth II (95) —, a jovem nasceu na aldeia de Sandringham, ao norte da capital inglesa, Londres.

E a proximidade com os Windsor era algo natural, não apenas pela posição privilegiada de sua família, mas também pelo fato de ser vizinha da Sandringham House, a casa de campo do clã real.

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Um de seus grandes amigos de infância, por exemplo, era o príncipe Andrew (61), terceiro filho da rainha. “Ela era adorável, uma verdadeira rosa inglesa com bochechas rosadas. Quando cheguei para trabalhar na família, me disseram que ela era travessa, mas ela era alegre, amorosa e bastante tímida. Quando se sentia confiante, no entanto, se tornava próxima”, disse a ex-babá de Diana Mary Clarke (75).

Se na vida adulta a trajetória de Diana foi marcada por altos e baixos, na infância, infelizmente, não foi diferente. Apesar da vida de regalias e luxos, os traumas começaram com a separação de seus pais, em 1967, quando tinha apenas 6 anos.

O casamento conturbado e marcado por discussões chegou ao fim após sua mãe assumir que estava tendo uma relação com o empresário Peter Shand Kydd (1925–2005), com quem se casaria dois anos depois. “Víamos nossa mãe chorando o tempo todo e não podíamos fazer nada. Foi muito doloroso e devastador para mim e meu irmão”, chegou a dizer ela, citando o caçula dos Spencer, Charles (56).

“Diana e eu tínhamos duas irmãs mais velhas, Sarah e Jane, que estudavam em um internato, então, naquele momento, era só eu e ela, estávamos juntos naquilo”, falou Charles, que se tornou confidente da irmã.

“As férias sempre foram muito sombrias, pois tínhamos que dividir as semanas com o papai e a mamãe”, dizia a jovem. Para completar, Diana se sentia culpada pela frustração de seus pais, que, em sua gestação, queriam um filho homem.

Diante da decepção de saberem que era mais uma menina, demoraram uma semana para escolher o nome de Diana. “Às vezes, eu me sentia um incômodo”, chegou a desabafar ela.

Após a separação, os irmãos foram morar com a mãe, em Londres, porém o pai entrou na Justiça pela custódia das crianças e acabou ganhando. “Nosso pai era uma fonte de amor tranquila e constante, mas nossa mãe não foi feita para a maternidade. Não foi culpa dela, ela não conseguiu. Ela prometeu a Diana que voltaria para vê-la e ela costumava esperar na porta, mas nunca veio”, confessou Charles, hoje chamado de conde Spencer.

Ao contrário do que se pensa, o título de lady não surgiu após o ingresso na família real. A insígnia veio quando seu avô morreu, em 1975, tornando seu pai o 8º conde de Spencer. Consequentemente, Diana e suas irmãs passaram a ostentar o título de nobreza.

Seguindo o costume das famílias da classe alta da época, Diana iniciou seus estudos em casa, com o auxílio da governanta Gertrude Allen, e, aos 5 anos de idade, ingressou
na Riddlesworth Hall, uma escola preparatória para meninas, onde revelou seu talento para a música e a dança.

“O engajamento que ela demonstrou na vida adulta já era natural desde sua infância”, analisou Reg Sweet (81), ex-professor de latim da escola. “Eu saía da escola e visitava idosos em um asilo uma vez por semana...”, contou ela.

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Para afastá-la do balé, seu pai a transferiu para a West Heath, mas, após cinco anos na instituição, Diana não passou nos exames finais e acabou sendo obrigada a terminar os estudos na Suíça.

Aos 18 anos, Diana regressou à Inglaterra e ganhou um luxuoso apartamento de seus pais, em Londres, onde viveu o período de maior independência e autonomia de sua história. “Foram os momentos mais felizes da minha vida. Foi juvenil, inocente, descomplicado e, acima de tudo, divertido”, definiu ela, que dividia o novo lar e as tarefas domésticas com três amigas.

Apesar de não ser fã da cozinha — alguns a definiam como um verdadeiro desastre —, a futura princesa se matriculou em um curso de culinária francesa na conceituada Cordon Bleu e suas especialidades eram o rocambole de chocolate e a sopa de beterraba.

Em busca de sua realização pessoal, Diana chegou a atuar como professora de balé, trabalhou como faxineira, babá e deu aulas no jardim da infância. O espírito livre, porém, se contrapunha à timidez e insegurança.

Diana não frequentava as festas e boates às quais os jovens de sua idade costumavam ir e preferia passear em lugares calmos e reservados. Tanto que nunca havia namorado quando conheceu seu futuro marido, o príncipe Charles (72), e chegou a declarar que ainda era virgem.

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“Eu sabia de alguma forma que eu tinha que me manter reservada para o que estava por vir. Sabia que iria me casar com alguém aos olhos do público”, apontou ela em entrevista.

Apesar de vislumbrar seu futuro, Diana nunca imaginou que se casaria com o herdeiro da Coroa Britânica. Por ironia do destino, a proximidade com a família real fez com que a sua irmã mais velha, Sarah, engatasse um breve namoro com o primogênito da rainha, relação que durou poucos meses.

O período, no entanto, fora suficiente para o príncipe se encantar por Diana, já que ambos frequentavam os mesmos ambientes. “Eu os apresentei. Eu sou o cupido”, afirmou Sarah, sobre ter, inconscientemente, unido o casal mais polêmico da realeza.


**Esse texto foi extraído do Especial Lady Di, 60 (ED. 1442A), da Revista Caras. Todos os direitos reservados