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A peculiar caverna do apocalipse dos vikings

Para evitar o Ragnarok, o terrível fim do mundo da mitologia nórdica, os recém-chegados à Islândia tiveram que tomar algumas medidas específicas

Isabela Barreiros Publicado em 12/01/2022, às 12h07

A caverna Surtshellir, na Islândia
A caverna Surtshellir, na Islândia - TomR via Wikimedia Commons

Em abril do ano passado, pesquisadores da Islândia encontraram uma série de artefatos antigos e raros, em um verdadeiro tesouro milenar desenterrado de uma caverna situada perto de um vulcão que entrou em erupção há quase 1.100 anos.

Na época, os vikings haviam colonizado a região há pouco tempo e, depois que a lava esfriou, construíram uma estrutura de pedra em forma de barco. Dentro dela, provavelmente queimaram ossos de animais, que incluíam gado, cavalos, ovelhas, cabras e porcos.

O poço de oferendas, que recebeu muitos sacrifícios animais, teria sido uma forma de evitar o Ragnarok, um evento que seria responsável por trazer o fim do mundo como nós o conhecemos, com a morte dos deuses e um planeta incendiado.

As principais hipóteses sobre a descoberta impressionante foram descritas em um estudo publicado em fevereiro do ano passado no periódico científico Journal of Archaeological Science e trazem perspectivas interessantes sobre as noções de mundo dos vikings.

Como evitar o fim do mundo?

Como reportou a LiveScience, a Caverna Surtshellir surgiu com a erupção do vulcão próximo dela há mais de mil anos, em um período em que os vikings haviam recém se estabilizado na região.

"Os impactos desta erupção [vulcânica] devem ter sido inquietantes, colocando desafios existenciais para os colonos recém-chegados da Islândia", escreveram os cientistas no estudo.

Segundo os pesquisadores no estudo, que analisou evidências culturais e circunstanciais para suas teorias, a lava provavelmente foi associada à lenda do Ragnarok, que prevê a humanidade sendo exterminada em um apocalipse de fogo.

Não é possível afirmar com certeza que a construção encontrada dentro da caverna foi desenvolvida para apaziguar os deuses, mas existem evidências o suficiente para apoiar a hipótese de que os vikings estavam temendo pelo inferno do fim do mundo depois da erupção.

Estrutura rochosa encontrada pelos pesquisadores / Crédito: Divulgação/Kevin Smith

 

Mais especificamente, os colonos teriam associado a caverna à Surtr, o gigante nórdico que seria o responsável por dar início aos eventos do Ragnarok. É o que os especialistas descrevem no artigo:

O mundo terminaria quando Surtr, um ser elemental presente na criação do mundo, matasse o último dos deuses na batalha de Ragnarök e depois engolisse o mundo em chamas”.

Além do barco contendo as oferendas, ainda foram encontradas na caverna 63 contas de um mineral raramente encontrado na Escandinávia; três delas vieram do Iraque e outras continham restos de orpiment, vinda do leste da Turquia e extremamente rara.

A descoberta levou os arqueólogos a questionarem o motivo pelo qual artefatos preciosos locais tão distantes estariam ali e ajudou na teoria proposta por eles de que os vikings estavam tentando evitar o fim do mundo.

Uma das entradas da caverna / Crédito: TomR via Wikimedia Commons

 

Na mitologia nórdica que relata a história do Ragnarok, Surtr luta contra Freyr, o deus da prosperidade e da fertilidade, que morre durante a batalha e não consegue parar o apocalipse.

Ao colocarem ossos de animais como oferenda e outros objetos valiosos na caverna, os vikings poderiam estar tanto tentando fortalecer Freyr em seu duelo contra o vilão, quanto em uma tentativa de apaziguar Surtr, para que ele se abstivesse de destruir o mundo.

Embora o local tenha sido de extrema importância para os vikings ao longo dos anos e recebido uma série de sacrifícios e presentes exóticos, “Surtshellir foi abandonada dentro de uma geração após a conversão da Islândia ao cristianismo, então evitada por mais de 600 anos”, escreveram os pesquisadores.

A última oferta colocada na construção rochosa em forma de barco foi um "conjunto de pesos de balança com um na forma de uma cruz cristã", segundo o estudo, mas a caverna continua ligada ao fim do mundo já que ela é considerada "o lugar onde Satanás emergiria no Dia do Julgamento" segundo uma tradição islandesa.


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