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A peculiar história do fóssil contrabandeado de um dinossauro comprado por Nicolas Cage

Ele não sabia que o esqueleto de 70 milhões de anos que havia adquirido por mais de R$ 1 milhão era roubado e teve que entregá-lo para a Mongólia em 2015: “quer saber o que mais? Eu nunca recebi meu dinheiro de volta”

Isabela Barreiros, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 16/01/2021, às 07h00

O ator Nicolas Cage
O ator Nicolas Cage - Wikimedia Commons

Nicolas Cage é conhecido por ter participado de filmes como Motoqueiro Fantasma (2007) e A Lenda do Tesouro Perdido (2004), mas também por ter uma vida repleta de eventos totalmente excêntricos. Mesmo que um astro de Hollywood possa ter uma vivência insana por si só, é possível afirmar que Cageultrapassa a maioria dos artistas nesse quesito.

Um dos episódios mais estranhos da vida do ator aconteceu em 2007. Naquele ano, Nicolas adquiriu um esqueleto completo de um Tyrannosaurus bataar, um dinossauro carnívoro cujos restos foram encontrados apenas na Mongólia. Ele viveu há mais de 70 milhões de anos, e agora faria parte da coleção de Nicolas.

O artista comprou os ossos da galeria IM Chait, baseada em Los Angeles, nos Estados Unidos, por US $ 276 mil, o que, na época, valia mais de um milhão de reais. A compra já demonstrava sua obsessão por fósseis no geral, que aumentou conforme os anos, assim como sua obsessão com coisas peculiares.

De acordo com o programa The Filthy Rich Guide da CNBC, ele adquiriu os mais variados objetos ao longo de sua carreira. Castelos, um polvo, gibis antigos e até mesmo uma coleção de nove cabeças de pigmeus fazem parte da coleção do artista, que precisou vender imóveis para pagar pelos itens.

No entanto, a situação ficou ruim para Cage quando descobriu-se que o famoso esqueleto comprado por ele era, na verdade, roubado. Naquele momento, iniciou-se um conflito com o governo da Mongólia, país onde os ossos foram descobertos que criminalizou a exportação de fósseis há muito tempo, em 1924.

Crédito: Wikimedia Commons

 

Claro que o artista não teria como saber, afinal, sua compra foi feita em uma galeria responsável pelos leilões nos Estados Unidos. A instituição, no entanto, já tinha passado pela mesma situação antes desse episódio em questão: eles já tinham vendido outro esqueleto que foi exportado ilegalmente pelo paleontologista Eric Prokopi.

"Eu tive que devolver. É claro que o crânio tinha que ficar no seu país de origem, mas como eu poderia saber que ele foi tirada de lá ilegalmente?", disse Cage em entrevista ao New York Times Magazine. "Quer saber o que mais? Eu nunca recebi meu dinheiro de volta. Isso foi terrível".

Na época, o então procurador de Nova York, Preet Bharara, foi responsável por abrir o processo que requeria a devolução do esqueleto à Mongólia, seu país de origem. Ele não citava o nome do ator, que também não foi acusado de nenhum crime pois logo concordou em devolvê-lo às autoridades.

O assessor de Nicolas, Alex Schack, também já tinha sido convocado em 2014 pelo governo dos Estados Unidos quando a hipótese do fóssil ser roubado foi levantada pelos especialistas. Ele enviou à Reuters o certificado de autenticidade da galeria dado logo após a compra do espécime.

Cage não recebeu seu dinheiro de volta depois da megalomaníaca aquisição. No entanto, ele disse ao New York Times Magazine que essa compra foi responsável por inseri-lo de fato no mundo da arqueologia e, ainda, da mitologia de forma mais geral. 

"Eu comecei a seguir mais de perto estes temas, e procurar propriedades que se alinhavam com isso. Era como A Lenda do Tesouro Perdido. É como entrar em uma biblioteca. Você lê um livro, e nele há referência a outro livro, e depois a outro", contou.


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