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Perdida no Oceano: A trajetória de Bahia Bakari, única sobrevivente de um terrível acidente de avião

Há exatos 11 anos, em 30 de junho de 2009 acontecia a tragédia do Voo 626 do Iêmen, que deixou 152 pessoas mortas — menos Bakari

Penélope Coelho Publicado em 30/06/2020, às 13h30

Airbus A310 da Yemenia
Airbus A310 da Yemenia - Wikimedia Commons

Grandes acidentes aéreos ficam para sempre marcados na história como enormes tragédias, que infelizmente não foram evitadas. Não foi diferente com o voo comercial Yemenia 626, quando o Airbus A310 que ligava Sana'a — capital do Iêmen, até Moroni, capital de Comores, caiu em pleno Oceano Índico.

O nome de maior atenção dessa história foi o de Bahia Bakari — que no início de sua pré-adolescência enfrentou momentos terríveis com a queda da aeronave em que ela estava junto com a mãe. A garota se tornou a única pessoa que sobreviveu a esse acidente.

Bahia Bakari em entrevista / Crédito: Divulgação/Youtube/France 3/30 de junho de 2019

 

O voo

Nascida em 15 de agosto de 1996, Bahia é a mais velha dos quatro filhos do casal Kasim Bakari e Aziza Aboudou, em 30 de junho de 2009, o destino da francesa que na época tinha somente 12 anos, estava prestes a mudar para sempre.

Tudo aconteceu quando ela e a mãe Aziza decidiram viajar para Comores, país de origem de sua família, localizado na África Oriental. As duas queriam aproveitar as férias de verão. Tudo ia bem, primeiramente as mulheres iniciaram a viagem em Paris e fizeram uma parada na cidade de Marselha; de lá pegaram um voo para o Iêmen e embarcaram no voo 626.

Nos últimos momentos da viagem, um impacto foi sentido e a aeronave começou a perder altitude, chocando-se diretamente com o mar, o avião ficou em pedaços devido ao encontro com o oceano.

Mesmo sem um colete salva-vidas e somente com o conhecimento básico em natação, a menina — que foi lançada para fora do avião — decidiu lutar pela sua vida com todas as forças. Bakari então, se agarrou fortemente a um pedaço de fuselagem da aeronave, que agora estava destroçada. A jovem permaneceu flutuando no Oceano índico por horas, sem água e sem comida, somente com a esperança de ser encontrada.

Resgate

Bakari (ao centro de preto) em cerimônia de aniversário de um ano do acidente, em 2010 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Bahia passou a noite à deriva no mar, viu o céu escurecer e o dia amanhecer, quando finalmente, depois de 9 horas perdida, a menina foi achada por uma embarcação privada, que estava ajudando nas buscas naquela região.

Bakari foi mandada de volta para França para encontrar com seus pais e irmãos, e no hospital descobriu sobre a morte das 152 pessoas que estavam no voo, inclusive a de sua mãe.

Apelidada pela imprensa de a Menina Milagrosa, Bahia apresentou algumas lesões como a clavícula e a pélvis fraturadas, além de queimaduras nos joelhos e machucados no rosto. Contudo, ela foi liberada do hospital depois de três semanas, após alguns procedimentos cirúrgicos e tratamentos.

Conclusões

Até hoje as causas da queda do avião ainda são incertas, depois do acidente novas informações foram dadas pelo governo francês. Inspeções realizadas na aeronave dois anos antes da tragédia, em 2007, apontavam várias falhas no Airbus 310-324. O avião estava proibido de voar comercialmente na pela Europa, entretanto, a aeronave não passou por outras análises e acabou decolando.

Mais de 10 anos depois, a garota carrega marcas eternas do acidente que mudou sua vida. Em 2010, Bahia lançou o livro intitulado Moi Bahia, la miraculée (Eu sou Bahia, a garota milagrosa, na tradução literal para o português).

Na biografia de memórias escrita em parceria com o jornalista francês Omar Guendouz, Bakari conta detalhes de como conseguiu sobreviver a este terrível episódio. A jovem conta que antes de entender o que realmente havia acontecido, chegou a pensar que levaria uma bronca de sua mãe, por não estar de cinto de segurança.

Depois do acidente, Bakari foi estudar no Louise-Michel College. Atualmente, quase com 24 anos de idade, ela está bem e teria recusado uma oferta do cineasta Steven Spielberg, para fazer um filme baseado em sua história. 


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