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Perdido no espaço: a inacreditável jornada de Sergei Krikalev

Após embarcar para a estação espacial Mir, o cosmonauta russo se viu em um longo período de incertezas após o fim da União Soviética

Fabio Previdelli Publicado em 28/06/2020, às 09h00

Foto do cosmonauta Sergei Krikalev
Foto do cosmonauta Sergei Krikalev - Wikimedia Commons

Com o início da Corrida Espacial, na segunda metade do século passado, a exploração espacial passou a ser vista como uma maneira de demonstrar superioridade tecnológica e ideológica dos países envolvidos.

Posteriormente, outras missões foram lançadas. Diversos astronautas e cosmonautas escreveram seus nomes na história ao longo dos últimos anos. Porém, por maiores que sejam as adversidades que eles passaram, nenhum deles viveu uma situação tão inusitada quando a de Sergei Konstantinovich Krikalev.

Fazer uma viagem para o espaço é um dos maiores feitos na vida de qualquer astronauta, mas para Sergei isso se tornou algo corriqueiro. Afinal, ao longo das suas mais de duas décadas de carreira, ele passou 803 dias, 9 horas e 39 minutos no espaço em seis missões diferentes — esses números fazem dele a terceira pessoa a passar mais tempo fora da Terra.

Além disso, Krikalev ainda possui cerca de 40 horas das chamadas “atividades extraveiculares”, que é quando os astronautas realizam tarefas fora de seus veículos ou das estações espaciais, ficando praticamente à deriva no espaço.

Porém, sem dúvida alguma, de todo esse tempo que ficou fora da Terra, a missão que mais marcou o cosmonauta foi aquela iniciada em 19 de maio de 1991, quando Sergei, até então um cidadão soviético, embarcou junto de sua equipe para a missão a bordo da Soyuz TM-2, que viajaria para Mir — a primeira estação espacial da história, que foi criado pelos soviéticos em 1986.

Inicialmente, já estava planejado para que ele permanecesse no espaço por alguns meses, a fim de realizar 10 atividades extraveiculares. Após seis meses, Sergei aceitou passar mais um tempo em Mir enquanto alguns de seus companheiros retornariam à Terra. Porém, o que pouco sabia, é que enquanto estava no espaço, seu país passava por uma grande transformação na Terra.

Afinal, após o natal daquele ano, a União Soviética deixaria de existir. Após a Dissolução da URSS se tornar oficial, o presidente Mikhail Gorbachev deixou o cargo e declarou o fim do país, enquanto tudo isso acontecia, Krikalev seguia em Mir, como o último cidadão de um país que não existia mais.

Todo esse processo causara um verdadeiro colapso na economia dos soviéticos e os fundos reservados para a missão se tornaram escassos. Como se isso já não fosse o suficiente, a base espacial da antiga União Soviética ficava agora no Cazaquistão, que se tornou uma nação independente e começou a cobrar por sua utilização.

Sergei Krikalev com James H. Newman (à esquerda) durante o STS-88 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Sergei só soube de tudo isso pelo fato de sua esposa trabalhar no controle da missão e conseguir se comunicar frequentemente com ele. Fora isso, tudo se tornou um grande ponto de interrogação, até mesmo a maneira com que o cosmonauta recebia alimento e suprimentos básicos na estação.

Sua jornada espacial só chegou ao fim em 25 de março de 1992, 311 dias depois de partir, quando Krikalev enfim retornou a solo firme. “A mudança não é tão radical”, disse em uma coletiva de imprensa alguns dias depois de sua volta. “Eu vivia no território da Rússia enquanto as repúblicas estavam unidas na União Soviética. Agora eu voltei para a Rússia, que faz parte da Comunidade de Estados Independentes.”

Porém, apesar dessa sua experiência durar bem mais que o esperado, aquela não seria sua última viagem ao espaço. Poucos meses depois, Krikalev se tornou o primeiro cosmonauta russo a viajar com astronautas americanos e uma nave estadunidenses: a US Space Shuttle Discovery, que decolou em fevereiro de 1994.

Após essa missão, o russo voltaria ao espaço em outras três ocasiões, sendo a última delas em 2005. Após receber as maiores honrarias do estado soviético e russo, Sergei finalmente se aposentou em 2007.


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