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Perseguição, tiroteio e morte: A insana fuga de Albert Johnson

Em 1932, o misterioso caçador fugiu por um mês, enfrentou a polícia canadense no meio da neve e jamais revelou suas verdadeiras intenções

Alana Sousa Publicado em 14/11/2020, às 11h00

Foto de Albert Johnson
Foto de Albert Johnson - Wikimedia Commons

Na área isolada da floresta dos Territórios do Noroeste do Canadá, no início da década de 1930, vivia um misterioso homem chamado Albert Johnson — mais tarde apelidado de Mad Trapper de Rat River. Nativos da floresta e as autoridades da região não sabiam muito sobre ele, além de que ele era recluso e parecia ter vindo de longe.

Certo dia, em dezembro de 1931, policiais da Real Polícia Montada do Canadá decidiram viajar 90 quilômetros até a cabana que ficava próxima ao Rio Rat; mal sabiam eles que aquela ação desencadearia uma das maiores histórias de perseguição do país.

O primeiro contato

Chegando lá, os oficiais Alfred King e Joe Bernard bateram na porta da pequena casa, após uma série de denúncias de que Johnson supostamente estaria desativando armadilhas de outros caçadores, os detetives decidiram por interrogá-lo pessoalmente. Fumaça saía da chaminé e Albert estava presente, porém, ignorou os policiais e se recusou a trocar qualquer informação.

Estranhando a reação do caçador desconhecido, King e Bernard optaram por ir embora e retornar depois com um mandato de busca, assim, o homem não teria escolha a não ser falar de onde viera e o porquê de estar ali.

Após cinco dias, a dupla de oficiais voltou a cabana, mas dessa vez a situação foi ainda mais hostil. Quando King apresentou o mandato de busca e tentou adentrar a cabana a força, Johnson fez um disparo de arma de fogo, ferindo o policial. Bernard, então, apenas carregou o parceiro para a vila de Aklavik.

Restos da cabana de albert / Crédito: Wikimedia Commons

 

O que a princípio seria uma normalização de rotina, pois, o caçador estava alojado com uma sinalização inadequada na floresta, em pouco tempo se tornou em um intenso embate. Vendo o perigo que Albert poderia oferecer, uma equipe maior viajou aos Territórios do Noroeste. Com 42 cães, nove homens e quase 10 quilos de dinamite, o objetivo era expulsar Johnson a qualquer custo.

A insana fuga

O encontro foi explosivo. Sem nem ao mesmo tentarem conversar, o time de autoridades colocou dinamite ao redor e no teto da cabana e detonaram. A casa veio ao chão e das ruínas Albert surgiu, atirando para todo os lados. O tiroteio durou cerca de 15 horas, até os policiais voltarem para a delegacia em busca de reforços.

Em 14 de janeiro de 1932, a equipe voltou mais preparada, mas encontraram o local vazio. Neste momento, emissoras de rádio já noticiavam o confronto e a escapada de um homem misterioso que vivia na floresta. Assim teve início uma perseguição que duraria mais de um mês. A inteligência e agilidade da fuga de Johnson ganharam da quantidade de homens atrás dele por um bom tempo.

Contando com a ajuda de voluntários, como nativos esquimós, os oficiais estavam em vantagem no conhecimento da área. Mas o caçador tinha consigo uma bravura que não possibilitava sua prisão.

Apenas em 30 de janeiro que Albert foi avistado novamente, no combate em um bosque ele conseguiu atirar em direção ao policial Edgar Millen, que foi atingido no peito e faleceu na mesma hora. Com o cessar dos disparos, os detetives contaram que o único som que ecoou em meio às árvores foi a risada maligna de Johnson.

Tentando fugir a qualquer custo daquela região, o criminoso escalou uma montanha de 2 mil metros e desapareceu na mata de novo. Com as entradas principais da floresta fechadas por policiais, as opções de fuga eram escassas e o Mad Trapper precisou criar outra estratégia.

Equipe ao lado do aeroplano / Crédito: Wikimedia Commons

 

O frio era congelante e uma das esperanças era de que o homem morresse congelado. Longe disso, Albert criou uma trilha em meio aos animais, deixando suas pegadas na neve quase imperceptíveis; quando anoitecia, montava um acampamento na margem do rio congelado.

A trilha só foi descoberta graças a introdução de uma aeronave na operação, assim o piloto conseguiu detectar quais eram os movimentos do estrangeiro e antecipar seus próximos passos. Este detalhe foi essencial para a captura de Johnson, que estava determinado a escapar.

Em 17 de fevereiro, a equipe havia se aproximado do local onde o caçador estava, era a oportunidade de ouro, a primeira em que eles realmente tinham uma chance. Notando a presença dos homens da Real Polícia Montada do Canadá, Albert tentou correr e conseguiu atingir um dos membros da operação, porém, ao mesmo tempo um tiro lhe acertou a região da pélvis.

Era o fim. Johnson caiu morto na neve após tanto fugir. A bala fez um grande estrago em seu corpo, a perícia depois revelou que os intestinos, tecidos e artérias foram gravemente danificadas, causando o óbito. No total foram três disparos contra o fugitivo.

A identidade misteriosa de Albert Johnson

Até hoje, ninguém sabe ao certo quem foi o protagonista da intensa perseguição, não se sabe nem se Albert Johnson era seu nome verdadeiro. Em uma ou duas frases proferidas por ele em todos os encontros registrados percebia-se um sotaque incomum, o que levou a acreditar que ele seria originário da Suécia, Dinamarca ou Escandinávia.

Com olhos azuis, cabelos castanhos e um rosto envelhecido, legistas estimaram sua idade ente 30 e 35 anos. Junto a seu corpo foram encontrados diversos itens, como: quantias de ouro e dinheiro, navalha, bússola, faca, anzóis, pregos pássaros e esquilos mortos e, ainda, dentes com detalhes de ouro.

Cadáver de Johnson / Crédito: Wikimedia Commons

 

Viajando 100 quilômetros em três dias, suas motivações permaneceram em alta mesmo depois de sua morte. As digitais não combinavam com nenhuma outra no banco de dados da polícia, seu rosto não era reconhecido por ninguém, mesmo com cartazes divulgados em todos os lugares.

Anos mais tarde, um grupo de caçadores disse que o homem parecia com alguém que eles conheciam, mas que era chamado de Arthur Nelson. De fato, existia uma pessoa com esse nome na década de 1920, em Dease Lake, mas ainda assim, o sujeito era reservado e não falava muito sobre si, desaparecendo do radar tempos depois.

Essa teoria foi a mais crível entre muitas levantadas, historiadores tentaram provar que Albert era alguém de registros antigos, no entanto, a exumação de seu cadáver em 2007, desmentiu todas as hipóteses. Quase 90 anos depois, Mad Trapper ainda é um mistério não resolvido.


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