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Perseguido pelo Estado Islâmico: A triste história do arqueólogo Khaled al-Asaad

Quando o ISIS invadiu a cidade de Palmira, al-Assad arriscou a própria vida em prol da arqueologia da região. "[Foi morto] porque não traiu seu compromisso com Palmira", declarou á diretora-geral da Unesco à época

Fabio Previdelli Publicado em 29/05/2021, às 11h00

Fotografia de Khaled al-Asaad ao lado de achado arqueológico
Fotografia de Khaled al-Asaad ao lado de achado arqueológico - Wikimedia Commons

Por mais de 40 anos, Khaled al-Asaad foi chefe de antiguidades na antiga cidade de Palmira, um Patrimônio Mundial da UNESCO, atuando como arqueólogo por lá por mais de cinco décadas, como relembrou a BBC Internacional em 2015.  

Durante sua carreira, al-Asaad foi um dos importantes nomes que ajudou a preservar a antiga cidade localizada no nordeste de Damasco, considerada um verdadeiro oásis dentro do deserto sírio.

Visto como o principal guardião do local, o arqueólogo realizou expedições que se concentraram nas muralhas do final do século 3, como relata o The Telegraph. 

Fotografia do arqueólogo Khaled al-Asaad / Crédito: Wikimedia Commons

 

Khaled também trabalhou com missões arqueológicas americanas, polonesas, alemãs, francesas e suíças. Além disso, explica a BBC Internacional, por ser fluente em aramaico, era constantemente contatado para a tradução de textos.  

O arqueólogo se aposentou em 2003, quando deu lugar a seu filho, Walid. Mesmo assim, jamais parou de participar de expedições pela região. Até que foi detido e assassinato pelo Estado Islâmico do Iraque e da Síria (ISIS) em agosto de 2015. 

A vida pela arqueologia 

Em maio daquele ano, a região de Tadmur (a moderna cidade de Palmira) e a antiga cidade adjacente de Palmira ficaram sob o controle do ISIS. De acordo com o The Guardian, al-Asaad ajudou a evacuar o museu da cidade antes que o Estado Islâmico tomasse conta de tudo.  

Porém, o arqueólogo acabou sendo capturado e torturado pelos radicais, que seriam capazes de tudo para que ele dissesse o local onde estava os antigos artefatos. Algo que ele não colaborou. Como consequência, foi decapitado em praça pública no dia 18 de agosto daquele ano. Ele tinha 83 anos na época.  

“Depois de detê-lo por semanas, os jihadistas o arrastaram na terça-feira para uma praça pública onde um espadachim mascarado cortou sua cabeça na frente de uma multidão, disseram parentes de Asaad. Seu corpo encharcado de sangue foi então suspenso por um barbante vermelho pelos pulsos de um semáforo, sua cabeça apoiada no chão entre os pés, os óculos ainda colocados, de acordo com uma foto distribuída nas redes sociais por partidários do Estado Islâmico” retratou matéria do The New York Times em 21 de agosto. 

Como explica o jornal americano, um cartaz foi pendurado na cintura de seu cadáver, onde eram listados os crimes que ele cometeu: ser um “apóstata”, ou seja, abraçar uma ideologia que era contra as crenças religiosas do ISIS; representar a Síria em "conferências de infiéis”; servir como "o diretor da idolatria" em Palmira; praticar “heresia” por visitar o Irã; e se comunicar com "um irmão nos serviços de segurança da Síria". 

A descoberta do corpo 

Desde então, o corpo de Khaled al-Asaad estava desparecido. Mas, em fevereiro deste ano, conforme aponta matéria publicada pela equipe do site do Aventuras na História, as autoridades sírias identificaram três diferentes corpos em Kahloul, ao leste de Palmira, sendo que um deles pode pertencer a Khaled

Porém, testes de DNA ainda serão feitos para confirmar, ou não, a identidade. À época, a então diretora-geral da Unesco, Irina Bokova, afirmou que Asaad havia sido morto "porque não traiu seu compromisso com Palmira". 

Semanas após o assassinato, o Estado Islâmico destruiu vários pontos históricos de Palmira pertencentes aos séculos 1 e 2, como o Templo de Baalshamin e as colunas ao redor do Templo de Bel; assim como o arco do triunfo da cidade antiga e sete torres funerárias em sua necrópole. 

Em março de 2017, a região foi reconquistada pelas forças governamentais, que iniciaram um processo de reconstrução, embora limitado pelas constantes guerras civis na região.

Apesar do grupo ter sido expulso em 2019, a ONU crê que mais de 10 mil militares ainda estão ativos na Síria e no Iraque, divididos em pequenas células, mas que continuam a realizar ataques em outros países. 


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