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Pesquisadores descobrem impressionante arte abstrata de 15 mil anos nas Ilhas do Canal

O sítio arqueológico do Reino Unido revelou a presença de uma tribo de caçadores-coletores que se espalhou pela Europa Antiga

Wallacy Ferrari Publicado em 03/09/2020, às 08h39

Um dos fragmentos localizados no assentamento
Um dos fragmentos localizados no assentamento - Bello et al, doi: 10.1371/journal.pone.0236875

Uma equipe de arqueólogos encontrou impressionantes placas de pedras, datadas de 15 mil anos e repletas de gravações com desenhos abstratos, localizada no sítio arqueológico de Magdaleniano de Les Varines, nas Ilhas do Canal. O estudo, publicado no jornal PLoS ONE, acrescenta evidências para a história das criações abstratas na humanidade.

Os dez fragmentos de placas de microgranito de aplito com os riscos sem linearidade foram localizadas entre 2015 e 2018 e são atribuídas aos Magdalenianos, uma população de cultura primitiva, composta majoritariamente por caçadores-coletores, que viveram há cerca de 23 mil a 14 mil anos atrás.

Um dos fragmentos localizados no assentamento / Crédito: Bello et al, doi: 10.1371/journal.pone.0236875

 

Não é a primeira vez que os Magdalenianos são associados a arte abstrata, tendo outras placas localizadas em locais onde houve registros da presença da população. Na França, cerca de 1,1 mil placas foram encontradas na caverna Enlène; na Espanha, mais de 5 mil foram descobertas na caverna Parpalló; em Portugal, mais de 1,5 mil foram localizadas ao ar livre no Terraço da Foz do Medalha.

Pesquisadora do Departamento de Ciências da Terra no Museu de História Natural de Londres e principal autora do estudo, a dra. Silvia Bello enalteceu a busca pelo registro humano na arte: “A análise microscópica indica que muitas das linhas, incluindo os desenhos curvos e concêntricos, parecem ter sido feitas através de incisões em camadas ou repetidas, sugerindo que é improvável que resultem de pedras sendo usadas para uma finalidade funcional”.