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Pete Ham: a morte mais melancólica do Clube dos 27

O cantor e compositor da banda Badfinger, que trabalhou até mesmo com os ex-Beatles George Harrison e Ringo Starr, ganhou o coração do público com suas canções, mas isso não o impediu de ter um fim trágico

Nicoli Raveli Publicado em 01/06/2020, às 18h00

Pete Ham, cantor e compositor da banda Badfinger
Pete Ham, cantor e compositor da banda Badfinger - Divulgação

Pete Ham mostrou sua paixão pela música desde criança, já que, em seus primeiros anos de vida, presenciou seu irmão mais velho tocando trumpete, enquanto seu pai sempre ouvia, acompanhado de sua família, uma música de um grupo instrumental associado ao jazz.

Não demorou a que o jovem seguisse os mesmos passos. Logo, aprendeu a tocar gaita, violão e guitarra. Muitos perceberam seu talento e, em 1959, o adolescente ganhou um violão.

A partir de então, Pete deu vida a seu maior sonho: formou uma banda de rock, a The Panthers, que fazia diversos coverns do The Shadows, um grupo musical famoso na década de 1960.

Pete Ham durante apresentação da banda Badfinger / Crédito: Divulgação 

 

Carreira em ascensão

O nome da equipe, porém, foi mudado muitas vezes, até que o título The Iveys agradou todos os integrantes em 1965. Para fazer com que seu som ficasse conhecido, Ham e seus colegas — entre eles, Tom Evans — passaram a tocar em vários clubes em Londres.

Mas aquilo não parecia o suficiente. O desejo pelo sucesso era grande e, ao mesmo tempo em que se apresentavam, o empresário do grupo, Bill Collins, fazia questão de enviar as fitas musicais para algumas gravadoras.

A fama, porém, só aconteceu em 1968, quando a gravadora Apple Inc teve contato com as faixas. A partir de então, Paul McCartney, um dos proprietários do estúdio, ficou encantado com o que estava ouvindo, principalmente com a composição They're Knocking Down Our Home, feita por Pete.

Pete Ham e os integrantes do Badfinger / Crédito: Divulgação 

 

Contrato com Apple Inc

Ao serem contratados pela gravadora, o grupo passou a realizar outros lançamentos que tornaram-se sucessos iminentes, como Maybe Tomorrow. Mas o então sucesso fez com que a banda, mais uma vez, tivesse que trocar de nome —  agora, para não serem confundidos com outra equipe de título semelhante.

Foi então que os Badfinger gravaram mais seis álbuns nos quais a maioria das canções eram compostas por Tom Evans, como No Matter What e Without You. Mas a maré de boa sorte não parecia ter fim.

Devido ao contato próximo com Paul McCartney, Ham e Evans foram convidados a participar de gravações solo com George Harrison e Ringo Starr, ex-Beatles, o que os tornou ainda mais conhecidos.

O empresário Stan Polley

Foi então que Collins, que sempre acompanhou o progresso da banda, foi substituído por Stan Polley em 1970. O grupo, que tinha um forte laço afetivo com o ex-empresário, até tentou fazer com que o homem continuasse fazendo parte da banda ao gerenciar parte dos negócios, mas a proposta foi negada.

Pete Ham, criador da banda Badfinger / Crédito: Divulgação 

 

Dessa maneira, Polley assumiu o cargo e ficou responsável pelas finanças e investimentos da banda. Os integrantes, porém, não entendiam por que — de uma hora para outra — a renda havia ficado mais curta.

Stan, a fim de resolver a situação, passou a afirmar que grande parte do dinheiro arrecadado estava sendo destinado a compra de equipamentos e na futura divulgação da banda.

Devido a isso, Tom Evans, Joey Molland e Mike Gibbins se viram infelizes e nem mesmo acreditavam na palavra de Polley. Ham, no entanto, tinha total confiança, o que fez com que não fosse investigado se o lucro realmente havia sido destinado à banda.

O empresário, por sua vez, decidiu que era a hora de encerrar o contrato com a Apple Inc. Por isso, os levou até a Warner Bros, onde, a partir de então, o grupo enfrentou sua decadência.

Os últimos dias de Pete Ham

Infeliz e angustiado, além de ter que enfrentar problemas financeiros e constantes brigas entre seus colegas de trabalho e Stan, Ham se viu sem saída. Mas as atrocidades de Polley não pareciam ter fim, até que ele fugiu com o dinheiro da banda.

Pete se sentia culpado pelo que havia acontecido, afinal, ele era o único que não havia questionado a integridade do gestor administrativo. Aquela situação não parecia ter fim. Seus familiares e amigos haviam sido prejudicados.

Badfinger durante apresentação / Crédito: Divulgação 

 

Então, no dia 24 de abril de 1975, aqueles sentimentos o consumiram. Três dias antes de completar 28 anos — e um mês antes de presenciar o nascimento de sua filha — se enforcou na garagem de sua casa.

Ao chamar as autoridades, foi encontrada, no local do suicídio, uma carta escrita por Ham. Nela, o músico alegou que amava Blair, sua mãe, e Annie, sua namorada. “Pete. P.S. Stan Polley é um bastardo sem alma. Eu o levarei comigo”, estava escrito no final do bilhete.

Em sua homenagem, foram lançados dois álbuns póstumos de sua carreira solo, o 7 Park Avenue e Golders Green, em 1997 e 1999, respectivamente. Além disso, em 2000, lançou-se o álbum póstumo da banda Badfinger, intitulado Head First.


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