Matérias » Personagem

Peter Kürten: os sádicos crimes do Vampiro de Düsseldorf

Vivenciando desde cedo os abusos de seu pai, ele se tornou um grande pervertido sexual e um dos maiores serial killers de todos os tempos

Fabio Previdelli Publicado em 01/10/2019, às 18h06

Mugshot de Peter Kürten
Mugshot de Peter Kürten - Reprodução

O sol da manhã estava quase nascendo sobre a prisão de Klingelputz, na cidade alemã de Colônia, quando um homem de estatura média e cabelos escuros bem penteados entrou no pátio de execução no dia 2 de julho de 1931. Com apenas 48 anos de idade, Peter Kürten ou o Vampiro de Düsseldorf, como era mais conhecido, daria seus últimos passos rumo ao seu merecido fim.

Ladeado pelo padre e o psiquiatra da prisão, rumava a caminho da guilhotina, na qual responderia pelos crimes que cometeu nos últimos 17 anos. Antes de seus momentos finais, fez um macabro questionamento ao psiquiatra: “Diga-me... depois que minha cabeça for cortada, ainda poderei ouvir, pelo menos por um momento, o som de meu próprio sangue jorrando do toco do meu pescoço? Esse seria o prazer de acabar com todos os prazeres”.

Quem foi Peter Kürten?

Peter Kürten nasceu no dia 26 de agosto de 1883, na Alemanha. O terceiro entre 13 filhos (dos quais dois morreram muito jovens) vivenciou desde cedo os abusos de seu pai alcoólatra com tendências sádicas. Ele foi submetido a abusos, espancamentos, e constantemente era obrigado assistir seus pais fazendo sexo.

Fotografia de Peter Kürten / Crédito: Reprodução


Antes mesmo de completar 10 anos, fez amizade com um doentio caçador de cães, que morava no mesmo prédio que sua família. Logo, começou a acompanhá-lo em suas rondas e aprendeu técnicas de tortura contra animais.

Ainda nessa fase de sua vida, alegou ter cometido o primeiro crime de sua vida, quando empurrou um amigo da escola — que ele sabia que era incapaz de nadar — da beira de uma balsa de madeira. Quando um segundo colega tentou salvar o jovem, ele empurrou e segurou a cabeça desse garoto embaixo d’água. Os dois morreram afogados, mas na ocasião, as autoridades consideraram o caso como uma fatalidade.

Aos 13 anos, o jovem começou a se relacionar com uma garota de sua idade. Entretanto, ela resistiria a qualquer investida que ele fizesse para ter relações sexuais. Com o objetivo canalizar seu libido, Peter recorreu ao estupro de animais, do qual admitiu tê-los mutilado como um estímulo para alcançar o orgasmo.

Em 1987 ele abandonou a escola e, por insistência de seu pai, começou a trabalhar. Após dois anos, roubou todo o dinheiro de sua família e fugiu de casa e viveu um relacionamento com uma prostituta. Kürten acabou sendo preso quatro semanas depois, acusado por pequenos furtos.

Ele permaneceu preso por apenas um mês, mas logo em seguida voltou ao cárcere devido a diversas fraudes que cometeu. Nessa segunda passassem, ficou detido por quatro anos.  

Em 1904, foi convocado pelo exército alemão, mas logo desertou. Ele começou a cometer crimes incendiários, e observava à distância as equipes de emergência chegarem ao local. Seus momentos de diversão não duraram muito, logo ele foi preso pelas infrações cometidas e foi julgado pelo sistema militar.

Durante sua terceira prisão, alegou ter descoberto um fascínio por atos sexuais brutais e desenvolvido fantasias eróticas perturbadoras. Em busca de se satisfazer cada vez mais, começou a violar as regras da prisão para garantir o maior tempo possível em um confinamento solitário. Apesar de todo o transtorno e instabilidade que apresentava, acabou sendo solto em 1913.

A primeira série de assassinatos

Em maio daquele ano, Peter assaltou uma casa em sua vizinhança. Enquanto esteve na residência, encontrou a filha de nove anos do proprietário. Sem hesitar, a estrangulou e cortou sua garganta com um canivete. Ao ouvir o sangue da garota respingar pelo chão, ejaculou.

Mugshot de Peter Kürten após sua primeira prisão / Crédito: Wikimedia Commons


No dia seguinte, ao visitar uma taberna do outro lado da rua da qual cometeu seu bárbaro ato, ouviu os moradores comentarem sobre o brutal  crime. Tudo aquilo lhe causava uma grande diversão. Nas semanas seguintes, ele passou a visitar o túmulo da garota, tocar o solo sob o qual ela foi enterrada lhe causava uma intensa satisfação sexual.

Dois meses depois de matar a jovem, Peter cometeu o mesmo crime, mas desta vez com uma menina de 17 anos. O enredo no assassinato foi o mesmo: estrangulamento seguido de perfuração na garganta e ejaculação, quase que involuntária, após ouvir o barulho do sangue respingar.

A volta ao cárcere

Embora pretendesse continuar sua farra criminal, Kürten acabou sendo preso mais uma vez por incêndio criminoso e roubo, crimes que o deixaram mais oito anos em cárcere. Livre em abril de 1921,ficou noivo de uma mulher chamada Auguste Scharf, dona de uma loja e ex-garota de programa. A união parecia perfeita, visto que Auguste já havia sido condenada por atirar em seu noivo até a morte.

Ao descobrir que ele estava dormindo com duas crianças, sua recém noiva encorajou uma delas a prestar queixa, alegando que o sádico havia lhe obrigado a fazer sexo forçado. Em consequência, ele foi condenado pela quinta vez, na qual ficou seis meses preso.  

Um recorte de jornal representando os crimes que ele cometeu / Crédito: Reprodução


Ao sentir a liberdade mais uma vez, ele recuperou seus velhos hábitos. Ao longo de um mês, ele matou duas pessoas e tentou matar uma terceira, embora ela tenha sobrevivido aos ferimentos.

Uma nova onda de assassinatos

Seu método preferido de tortura e assassinato era a mutilação com uma faca afiada, seguido de abuso sexual e estrangulamento.  Ocasionalmente, ele também voltava às cenas do crime e conversava com policiais sob o disfarce de um cidadão preocupado com a comunidade.

Nos meses seguintes, tentou estrangular mais quatro mulheres, mas elas acabaram se afastando dele. Em agosto de 1929 sua matança atingiu o nível mais alto de todos os tempos. Assassinando seis pessoas ao longo de um mês.

O mais chocante entre os crimes foi o primeiro. Ele perseguiu uma mulher por quase uma semana, sua intenção era crucificá-la em uma árvore. Mas por fim, ele decidiu enterrá-la e deixou uma carta detalhada para a polícia, contendo detalhes do crime e um mapa com a localização do corpo.

Um recorte de jornal relatando os seus crimes / Crédito: Wikimedia Commons 


Na tentativa de desviar a polícia de seu rastro, ele trocou a tesoura por facas e esfaqueou três pessoas aleatoriamente: uma garota de 18 anos, um homem de 30 e uma mulher de 37. Ambos escaparam, mas descreveram o criminoso de maneiras diferentes, o que confundiu ainda mais as autoridades.

Mais crimes do Vampiro de Düsseldorf

Três dias após as facadas aleatórias, Peter Kürten assassinou duas irmãs, uma por estrangulamento e outra com um corte no pescoço. Pela primeira vez, o assassino experimentou sangue - bebeu o líquido viscoso que escorria do pescoço da irmã mais nova.

No mês seguinte, ele assassinou outras duas mulheres, desta vez, usando um martelo para acertá-las na cabeça. Ele também esfaqueou uma criança, deixando seu corpo em um beco. Este seria seu último crime.

Em 14 de maio de 1930, ele tentou seduzir e assassinar uma mulher de 20 anos recém chegada a Düsseldorf. Maria Budlick veio de Colônia em busca de uma moradia e emprego. Peter convenceu a mulher a acompanhá-lo a sua casa antes de seguirem para um albergue local.

Já em seu apartamento, a jovem desconfiou de sua hospitalidade e disse que não estaria interessada em fazer sexo com ele. Kürten assentiu e no caminho para o albergue, a atraiu para um bosque pouco povoado, no qual a agarrou e tentou estrangulá-la enquanto a estuprava. Apesar do ataque sofrido, ela não o denunciou.

No entanto, ela detalhou o acontecido em uma carta que seria destinada a um amigo. Por sorte, ela endereçou a corta incorretamente e ela acabou nas mãos de um funcionário dos correios, que leu a mensagem e repassou o conteúdo para a polícia.

Mugshot de sua última prisão / Crédito: Wikimedia Commons


O inspetor visitou a casa de Peter, mas na ocasião ele não estava lá. Ciente que poderia ser descoberto a todo o momento e sabendo que havia uma recompensa para quem tivesse pistas do Vampiro de Düsseldorf, confessou seus crimes à sua esposa e insistiu que ela o entregasse — assim, ela receberia o dinheiro para viver após ele ser encarcerado.  

A prisão e o julgamento de Peter Kürten

Apesar de negar num primeiro momento, ele acabou confessando os crimes, sem demonstrar nenhum traço de arrependimento.  Ao todo, ele acabou admitindo ter cometido 68 crimes, incluindo 10 assassinatos e 31 tentativas. Ele justificou os episódios alegando que era uma vingança pelos horrores que a vida infligira a ele durante toda sua infância. Ele alegou que estava simplesmente reivindicando o que lhe era devido.

Horrorizado por sua confissão, a polícia ordenou uma avaliação psicológica, a primeira realizada em um serial killer sexual. Os cinco psicólogos, separados, concluíram que ele era,de fato, perfeitamente sensato e apto a ser julgado.  

Sua falta de remorso se apresentou quando lhe foi questionado sobre sua consciência. “Nunca senti qualquer apreensão em minha alma; nunca pensei comigo mesmo que o que fiz foi ruim, embora a sociedade humana o condene. Meu sangue e o sangue de minhas vítimas devem estar na cabeça dos meus torturadores [...] Os castigos que sofri destruíram todos os meus sentimentos como ser humano. Por isso, não tive pena das minhas vítimas”.

Seu crânio exposto no no Ripley's Believe It or Not! Museum / Crédito: Reprodução


Após sua morte, a cabeça de Peter Kürten foi recolhida para análise forense e, eventualmente, encaminha para exposição no Ripley's Believe It or Not! Museum, em Wisconsin. Apesar das crenças dos médicos, seus exames não revelaram nenhuma alteração anormal nele.