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Philip não é o único: Existem outros testamentos em segredo na família real britânica

Justiça do Reino Unido determinou sigilo do documento, porém um jornal inglês de renome defende que documento é de interesse público

Ingredi Brunato, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 22/11/2021, às 13h31

Príncipe Philip em 2018
Príncipe Philip em 2018 - Getty Images

No último mês de setembro de 2021, a Suprema Corte do Reino Unido decidiu que o testamento do príncipe Philip, marido da Rainha Elizabeth II, que faleceu em abril aos 99 anos de idade, será mantido em segredo durante os próximos 90 anos. 

A família real britânica fez esse pedido por sigilo na Justiça pelo fato de constar na legislação do país que esses documentos devem ser tornados automaticamente públicos após o óbito da pessoa que o escreveu.

Dessa forma, qualquer um pode ter acesso aos últimos desejos de um cidadão inglês após minutos de pesquisa na internet. 

De acordo com informações repercutidas pelo UOL nesta semana, o motivo por trás dessa lei seria garantir que os bens do falecido serão distribuídos de acordo com suas orientações.

A medida permite, por exemplo, que os beneficitários saibam o que receberão, e que não estão sendo vítimas de nenhuma injustiça. 

Não é a primeira vez, no entanto, que membros da realeza britânica entram com pedidos para serem exceção à essa regra. 

Segredos da Coroa

O primeiro a ter seu testamento tornado privado foi o príncipe Francis, que era irmão mais novo da Rainha Mary, lá no ano de 1910.

Conforme documentado pelo The Guardian, o nobre teria supostamente deixado algumas joias de família de herança para uma amante. O sigilo, neste contexto, seria uma forma de evitar um escândalo sexual. 

Príncipe Francisco de Teck / Crédito: Domínio Público

 

Desde então, inúmeros outros integrantes da monarquia inglesa fizeram o mesmo. No total, existem cerca de 30 envelopes selados contendo testamentos da realeza que não tem data para serem revelados. O de Philip é o primeiro a receber uma previsão para ser revelado ao público, o que já é algo inédito, conforme uma matéria de setembro da BBC.

Entre o restante dos envelopes, existem o da primeira rainha Elizabeth (também conhecida como Rainha Mãe), e a princesa Margareth, irmã da soberana atual. 

Mas por que? 

Todos os britânicos tem seus desejos finais registrados em arquivos públicos do governo do Reino Unido. Assim, muitos se perguntaram por que a Família Real mereceria um tratamento diferenciado.  

O juiz Andrew McFarlane, responsável pela decisão relativa ao documento escrito por Philip, explicou seu entendimento da situação da seguinte forma: 

"A resposta à pergunta 'por que deveria haver uma exceção para os membros mais antigos da família real?' é, a meu ver, claro: é necessário aumentar a proteção conferida à vida privada deste grupo único de indivíduos, a fim de proteger a dignidade e a posição do papel público do soberano [neste caso, a Rainha Elizabeth II] e de outros membros próximos de sua família", colocou ele. 

Ainda de acordo com o profissional, não existe um verdadeiro interesse público conectado à divulgação desta informação, apenas "curiosidade pública".

Andrew ainda apontou que a imprensa apenas queria saber o conteúdo do termo por motivos comerciais. 

Fotografia de príncipe Philip e rainha Elizabeth II / Crédito: Getty Images

 

The Guardian

Falando em imprensa, a defesa do jornal britânico The Guardian discordou da perspectiva do juiz, e entrou recentemente com recurso pedindo para que a divulgação ao público do testamento de Philip fosse reavaliada. Caso ganhe, o marido de Elizabeth II terá o mesmo tratamento que outros cidadãos ingleses.

De acordo com informações repercutidas pelo UOL, o veículo argumentou que manter o conteúdo do documento em segredo durante 90 anos feriria o "princípio de justiça aberta". Resta agora aguardar qual será o resultado da batalha judicial entre a Família Real e a publicação. 


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