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Piadas engraçadinhas já faziam parte de souvenirs da Roma Antiga há 2 mil anos

“É um dos objetos mais humanos da Londres romana”, diz pesquisador. Confira!

Fabio Previdelli Publicado em 13/05/2021, às 14h08

Inscrições engraçadinhas feitas em 'canetas' de ferro
Inscrições engraçadinhas feitas em 'canetas' de ferro - Divulgação/Juan Jose Fuldain/Museum of London Archaeology

“Fui a Roma e tudo que comprei para você foi esta caneta barata”. Este até parece aquele tipo de frase encontrado em souvenirs baratos e engraçadinhos que muitos presenteiam ou são presenteados durante uma viagem, não é mesmo? 

Mas, por incrível que pareça, expressões como essas já se fazem presente há muitos anos, pelo menos é isso que aponta o Museu de Arqueologia de Londres, que revelou que orações assim já eram comuns entre os romanos nos anos de 70 d.C. Entenda! 

Descobertas incríveis 

Entre 2010 e 2014, arqueólogos fizeram escavações para a sede europeia da Bloomberg, próximo à estação Cannon Street, na margem do rio Walbrook, um agora perdido afluente do Tâmisa, como explica matéria do The Guardian. No local, os arqueólogos encontraram os restos de parte de Londinium, o assentamento romano que foi estabelecido perto da borda do império por volta do ano 43. 

Neste período, cerca de 14 mil artefatos foram encontrados, muitos dos quais os pesquisadores estão trabalhando ainda hoje. Porém, em 2019, um item chamou a atenção dos pesquisadores: “canetas” de ferro que continham escrituras. De início, houve certa dificuldade para decifrar o que estava marcado na peça, já que parte do material estava corroído.  

Entretanto, devido a um trabalho de conservação, a frase enfim pode ser entendida. “Eu vim da cidade. Eu trago-lhe um presente de boas-vindas com o ponto afiado de que você pode lembrar de mim. Eu pergunto, se a fortuna permitir, que eu possa ser capaz de dar, tão generosamente quanto o caminho é longo, e como minha bolsa está vazia”, dizia a frase original. 

“Esta caneta única com inscrições oferece uma nova janela para as conexões internacionais de Londinium e sua cultura literária, mas também nos fornece uma conexão humana muito tangível com o proprietário e a pessoa que deu a eles este presente afetuoso, embora barato”, explica Michael Marshall, um especialista em achados romanos, em entrevista ao The Guardian. 

Para Marshall, a descoberta é algo “absolutamente espetacular”. “É um dos objetos mais humanos da Londres romana. É muito despretensioso e espirituoso. Dá a você uma percepção real da pessoa que a escreveu”, declarou.  

Além de instrumentos de escrita, os arqueólogos que trabalhavam na escavação de Londres também encontraram mais de 400 fragmentos de cartas pessoais, notas de empréstimo, contratos, recibos e outros textos rabiscados em tábuas de cera, que oferecem uma visão das primeiras décadas do domínio romano na Grã-Bretanha, como relata o Yahoo News. 

Apesar de serem documentos frágeis e que raramente duram tanto tempo assim, o local alagado onde eles foram encontrados ajudou a preservar as superfícies de cera e suas inscrições. Embora muitas dessas tábuas tenham sido reutilizadas, os registros financeiros e jurídicos representam uma proporção maior dos textos que sobreviveram, já que as pessoas teriam maior interesse em preservá-los.  

“As tábuas são documentos extremamente interessantes, em grande parte relacionados a questões jurídicas e comerciais”, explica Michael, “enquanto a caneta é um objeto excepcionalmente pessoal, que você pode perceber com a quantidade de afeto e bom humor”. 

Com cerca de 13 centímetros, a “caneta” de ferro tem tamanho parecido com as que usamos em nosso cotidiano. Seu elaborado e expressivo texto engraçadinho foi espremido em seu design fino.  

Os arqueólogos descreveram o achado como incomparável em sua poesia e humor, já que apenas um punhado de exemplos inscritos foram encontrados em qualquer lugar em todo o Império Romano, relata o The Guardian. 

A inscrição reflete a importância da escrita e da alfabetização para permitir que comerciantes, soldados e oficiais postados em todo o Império Romano mantivessem contato com amigos e familiares, que poderiam estar separados a, talvez, centenas de quilômetros de distância. “Teria permitido que duas pessoas separadas pela geografia contassem uma piada”, disse Marshall

Curador da exposição intitulada "Última Ceia em Pompéia" no Ashmolean Museum em Oxford, onde a caneta ficou em exibição até janeiro de 2020, Paul Roberts disse que “nunca vi nada parecido” com o achado. 

A mostra reuniu centenas de objetos destinados a refletir aspectos da vida diária (especialmente a comida e o vinho) durante os últimos dias de Pompéia, antes que a erupção do Monte Vesúvio, em 79, destruísse a cidade de maneira espetacular.


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