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O planeta já era modificado pelo ser humano há 92 mil anos

Um estudo publicado no mês passado apontou que queimadas foram essenciais para a sobrevivência humana na África

Isabela Barreiros, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 04/06/2021, às 07h00

Imagem de queimadas na Amazônia
Imagem de queimadas na Amazônia - Divulgação/Greenpeace - Victor Moriyama

Em abril, um estudo publicado na revista científica Frontiers in Forests and Global Change revelou dados alarmantes sobre os impactos da atividade humana na natureza. Segundo a pesquisa, cerca de 97% dos ecossistemas foram alterados por humanos.

Concluindo que apenas 3% da Terra permanece “ecologicamente intacta”, o autor do estudo Andrew Plumptre, diretor do Key Biodiversity Areas Secretariat, afirmou que o resultado “foi muito menor do que esperávamos”. “No início, eu imaginei que seria de 8 a 10 por cento. Isso apenas mostra o grande impacto que tivemos”, completou. 

A evolução desenfreada da humanidade andou lado a lado com os impactos maléficos no meio ambiente. Revoluções industriais e avanços tecnológicos possibilitaram inúmeras melhorias para a vida humana, mas trouxeram uma destruição para o planeta que pode não ter mais volta.

Embora este pareça um fenômeno recente, uma nova pesquisa, divulgada em maio, apontou que os seres humanos têm modificado a natureza há mais tempo do que pensamos. De acordo com o artigo publicado no jornal Science Advances, isso vem acontecendo há pelo menos 92 mil anos.

Como repercutiu a revista Galileu, o ser humano desenvolveu inúmeros métodos para sobreviver ao longo da história. Ferramentas, tecnologias, queimadas e muitos outros recursos foram — e ainda são — usados para mudar o planeta para torná-lo mais favorável a nossa espécie. 

A pesquisa 

Mapa da região analisada pela pesquisa / Crédito: Divulgação/Science Advances

 

Estudos realizados antes da nova pesquisa apontavam que a evidência mais antiga do uso de queimadas antropogênicas data de 40 mil anos atrás. Os vestígios foram encontrados por pesquisadores na Austrália e a origem dessa técnica permaneceu definida como tal desde então.

Cientistas da Universidade de Oslo mudaram essa perspectiva: eles encontraram indícios de queimadas praticadas por pessoas na África há ao menos 92 mil anos, durante a Idade Média da Pedra. 

Foram realizadas análises geológicas em uma região do distrito de Karonga, no Malawi, especialmente em vestígios encontrados em rios. Por meio dessa investigação, percebeu-se que existiam pequenos fragmentos de carvão no local.

Em um comunicado, David Wright, pesquisador da Universidade de Oslo, na Noruega, que participou do estudo, escreveu: “As pessoas da Idade da Pedra podem parecer relativamente simples quanto a ferramentas, tecnologia e comunicação, mas, na verdade, elas estavam usando o solo de formas novas”. 

Concluindo que o carvão encontrado nos rios era resultado de queimadas antropogênicas, o especialista aponta que as pessoas, já durante aquele período, “queimavam e manejavam a terra de maneira sofisticada e vantajosa para os humanos.” 

O estudo aponta uma explicação viável para o uso precoce do fogo como método de sobrevivência ao ser humano: florestas densas dificultavam a caça. “Portanto, suspeitamos que os humanos chegaram ao distrito de Karonga e começaram a usar o fogo para abrir a paisagem para a caça. Isso também poderia fornecer novos alimentos que crescem em áreas abertas”, explicou Wright.

O cientista David Wright durante a pesquisa / Crédito: Divulgação/Dr. Wright

 

Com esse entendimento, foi possível entender que as queimadas foram essenciais para que o ser humano pudesse sobreviver na região naquele período. O pesquisador relembrou que a África passou por um período difícil que secou inúmeros lagos, durante milhares de anos. “Isso não aconteceu no Malawi”, apontou.

Ao sobreviverem por ao menos 70 mil anos devido ao novo conhecimento adquirido, os seres humanos puderam habitar outras regiões. Para os envolvidos no estudo, foi principalmente a partir do desenvolvimento dessa técnica que a espécie pôde se espalhar e se adaptar. 

“Na África, aprendemos como funcionam as ferramentas para povoar o planeta. Com um conjunto de habilidades desenvolvidas sob ambientes desafiadores no continente africano, conseguimos ir para lugares com climas mais inóspitos, como norte da Europa, nordeste da Ásia e, eventualmente, América do Norte, América do Sul e Austrália”, completou Wright.


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