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Pol Pot, um dos maiores genocidas comunistas da História

Mais do que Stalin, Mao ou Fidel, a ditadura de Pol Pot no Camboja foi um dos governos mais autoritários e sangrentos da História

Jânio de Oliveira Freime Publicado em 01/10/2019, às 13h13

Pol Pot
Pol Pot - Reprodução

Nascido numa vila de pescadores no litoral da Indochina Francesa (colônia no Sudeste Asiático) com o nome de Saloth Sar, em 19 de maio de 1925, Pol Pot é famoso no mundo inteiro pela brutalidade que foi seu governo no Camboja, que durou apenas quatro anos. Por muito tempo, ninguém imaginava o que ocorria no país, pois o ditrador o barrou qualquer influência internacional.

Desde jovem, era convicto na luta antimonarquista e anticolonial. De família rica, estudou na França, metrópole do Camboja, e se alinhou em grupos de oposição ao rei Norodon Sihanouk. Nesse período, entrou em contato com as obras de Lenin e Kropotkin, além de reconhecer a luta de Ho Chi Minh no Vietnã, tornando-se comunista.

Bandeira do Kampuchea / Crédito: Wikimedia commons

 

Em 1953, com a independência de seu país, retornou ao Camboja e filiou-se ao Partido Comunista Indochinês, majoritariamente vietnamita. Em 1960, mudou-se para o recém-fundado Partido dos Trabalhadores Khmers, e então adotou o nome Pol Pot. Três anos depois, tornou-se chefe do partido e o renomeou como Partido Comunista Khmer.

Em 1966, durante uma viajem estratégica à China, na qual Pot tentou desalinhar os vietnamitas no seu país, estourou uma Guerra Civil no Camboja. Pol Pot criou alianças militares e conseguiu, em 1975, tomar as rédeas da guerra e a capital, Phnon Penh. Os comunistas conquistam o governo cambojano e Pol Pot assumiu a presidência do país com um novo nome: Kampuchea Democrático.

Seu governo foi devastador. Ele reorganizou os trabalhadores do país e deslocou massas entre as regiões. Proibiu uma série de produtos que eram básicos da economia domésticas das famílias, tentando controlar todos os cambojanos.

Um grande processo de genocídio foi iniciado. Em apenas quatro anos de governo, o regime de Pol Pot matou entre 1,7 e 2 milhões de cambojanos, equivalente a cerca de 25% da população.

Crânios de vítimas do genocídio cambojano / Crédito: Wikimedia commons

 

O regime de Pol Pot chegou ao fim graças à expansão do Vietnã após a guerra com os EUA. O país, dominado pela Revolução Comunista, invadiu o Camboja e descobriu a situação catastrófica, como extermínios no campo, a fome generalizada e autocracia do governo.

O Vietnã iniciou um processo de ajuda humanitária aos cambojanos, ao mesmo tempo em que estruturou uma dominação completa do país, que durou até 1989. Pol Pot dirigiu a resistência à invasão vietnamita, mas logo deixou de assumir cargos públicos.

Pol Pot foi sentenciado por dissidentes do Khmer à prisão perpétua, amarrado a uma coluna, mas em 1998, Ta Mok, que deu a sentença, fugiu de ataques militares, indo para o interior da floresta e levando o ex-ditador junto. Pol Pot morreu dias depois, antes que pudese ser levado novamente à justiça.