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Por dentro do complexo de Tremembé, o Presídio dos Famosos

Local já abrigou nomes como Suzane von Richthofen, Roger Abdelmassih e o casal Nardoni, e é desejado por quem anseia por uma vida tranquila dentro do sistema carcerário brasileiro

Fabio Previdelli Publicado em 23/04/2020, às 18h00

Suzane von Richthofen, Roger Abdelmassih e Alexandre Nardoni são alguns dos criminosos que passaram pelo Tremembé
Suzane von Richthofen, Roger Abdelmassih e Alexandre Nardoni são alguns dos criminosos que passaram pelo Tremembé - Creative Commons

Após ser condenada pela brutal morte dos pais, Suzane von Richthofen foi levada de camburão para o Centro de Ressocialização de Rio Claro. Ao chegar lá, foi hostilizada pelas presas, muito em virtude dos privilégios que gozava sem nunca ter colocado os pés no local.

Após inúmeras polêmicas, acabou transferida para a Penitenciária Feminina de Ribeirão Preto, mas o auge de seu glamurama só aconteceu quando a assassina pediu transferência para o sistema prisional de Tremembé — o qual foi acatado meses despois.

Mas por que tantos presos anseiam passarem seus dias no município do Vale do Paraíba? Segundo Ullisses Campbell, jornalista e autor do livro Suzane: Assassina e Manipuladora (Editora Matrix), não é tão fácil assim conseguir uma vaga entra as 3.283 oferecidas nas celas do corredor do pavilhão, mas a disputa por um lugar tem uma simples explicação.

Imagem de Suzane von Richthofen / Crédito: Divulgação

 

“A seleção é rigorosa. O primeiro pré-requisito para passar pelo crivo é ter cometido atrocidades rejeitadas pela comunidade prisional, como estupro, executar refém, feminicídio, infanticídio, corrupção ou matar membros da própria família com brutalidade”, relata em seu livro.

“Ser autor de crime de impacto na mídia também é garantia de um colchão no local. Advogados, médicos, pedófilos, ex-policiais, ex-promotores, jornalistas e políticos figuram na lista da clientela preferencial de Tremembé”.

Segundo explica o jornalista, um dos maiores atrativos de Tremembé é que o local não abriga qualquer membro de facções criminosas, o que reduz a quase zero os crimes de extorsão ou casos de rebelião ou motins.

“Como o sistema lá é diferenciado, 75% da população carcerária trabalha com remuneração sem pôr os pés para fora da cadeia. Nas penitenciárias de Tremembé há empregos em ateliê de corte e costura, de reforma de carteiras escolares, de usinagem e montagem de torneiras”, explica.

Além das vagas para trabalhos internos, cada prisioneiro recebe um salário mínimo mensal e também usufruem de um benefício mais generoso: afinal, para cada três dias que os criminosos trabalham, um é abatido na pena.

O Presídio dos Famosos

Além das regalias, o complexo também ganhou a inusitada alcunha de O Presídio dos Famosos. A lista de celebridades criminosas que estão ou passaram por lá incluem o médico Roger Abdelmassih; o ex-goleiro Edson Cholbi Nascimento (o Edinho), filho do Rei Pelé; o ex-senador Luiz Estevão; o jornalista Antônio Marcos Pimenta das Neves; Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá; Lindemberg Alves Fernandes; Elize Matsunaga; além de Suzane e os irmãos cravinhos.

Ex-médico Roger Abdelmassih ao ser preso no Paraguai / Crédito: Divulgação

 

“Por pouco, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não foi parar no Presídio dos Famosos. Em agosto de 2019, a Justiça de São Paulo conseguiu um beliche para o petista no pavilhão mais nobre de Tremembé. Mas o Superior Tribunal Federal (STF) resolveu mantê-lo na carceragem da Polícia Federal de Curitiba, onde cumpriu pena no regime fechado por lavagem de dinheiro e corrupção passiva”, revela o autor.

A regras de etiqueta do Tremembé

No livro, Ullisses descreve que logo na entrada principal do Tremembé II, onde ficam os ilustres presos do gênero masculino, há uma frase de autoria desconhecida que os convida para uma reflexão: “Este presídio só recebe o homem. O delito e seu passado ficam nesta portaria”.

O jornalista explica que existe uma mensagem subliminar contida nesse aviso que servem tanto para os presos da ala masculina quanto para as carcerárias da ala feminina. “Recomenda-se nunca perguntar o que o colega de cela fez de errado. Pela etiqueta do presídio, deve partir do próprio criminoso a iniciativa de falar de si. A princípio, quando questionados, eles respondem com o número do artigo do Código Penal correspondente ao delito”.

Imagem interna da penitenciária de Tremembé / Crédito: Governo do Estado de São Paulo

 

Os detalhes sobre as barbaridades cometidas só são expostos após os presos criarem certa intimidade, mas o passado obscuro de cada um não fica muito tempo assim, afinal como o próprio Campbell diz: "todo mundo sabe da vida alheia por causa do 'corre'” (o que seriam as famosas fofocas de corredor).


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