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Matérias / Estados Unidos

Por onde anda Rebecca Wall, mostrada na perturbadora série 'Rezar e Obedecer', da Netflix

Após fugir da seita religiosa conhecida por abusos sexuais e poligamia, ela foi peça-chave para revelar o caso

Wallacy Ferrari Publicado em 13/06/2022, às 16h55

Montagem retrata antes e depois de Rebecca - Divulgação / Netflix
Montagem retrata antes e depois de Rebecca - Divulgação / Netflix

A minissérie documental 'Rezar e Obedecer', lançada mundialmente na plataforma de streaming Netflix durante a última quarta-feira, 8 de junho, conta com apenas 4 episódios, mas engana-se quem acredita que o tamanho pequeno não é capaz de mostrar passagens turbulentas.

A produção, de título original 'Keep Sweet: Pray and Obey', apresenta o assustador submundo da FLDS, sigla em inglês para ‘Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias’.

A instituição, baseada nos preceitos mórmons, foi excomungada no século 19 por manter ideais ligados à poligamia, além de ramificações baseadas nos textos religiosos que embasavam atos de pedofilia e outros abusos sexuais.

Dessa forma, a seita conseguiu usar o nome de Deus para forçar casamentos entre menores de idade e, em especial, com seu líder Rulon Jeffs, que faleceu com 20 esposas.

Uma de suas esposas foi Rebecca Wall, forçada a se casar aos 19 anos com apoio do pai, sofrendo contatos sexuais não consensuais por anos. Quando o líder faleceu, ela ainda teve de se casar com o filho do religioso, Warren Jeffs.

Foi ela também quem tornou o caso mundialmente famoso após fugir da igreja, como informou a revista norte-americana Women’s Health.

Esquema abusivo

Seu casamento forçado com o líder, na época com 85 anos, foi uma troca da direção da seita para o pai de Rebecca, que foi presenteado com uma terceira esposa, identificada na serie documental como Jezabel.

Foi com o idoso que ela perdeu a virgindade em uma experiência descrita como "traumatizante" em sua biografia 'The Witness Wore Red: The 19th Wife Who Brought Polygamous Cult Leaders to Justice'. Ao longo de anos, ela foi abusada até o óbito do marido, em 2002, aos 92 anos.

Rebecca em fotografia com Rulon / Crédito: Divulgação / Netflix

Foi também naquele ano que ela fugiu do complexo da igreja, situado em Utah, nos Estados Unidos, tendo de escalar um portão de ferro de 2 metros de altura e caminhando quase 1 km em um matagal denso onde o complexo estava isolado, além de se esconder de guardas durante todo o trajeto.

Por onde anda?

Sendo a primeira e única da família a escapar da seita ao longo de uma década, foi em 2007 que ela obteve espaço na imprensa para denunciar as práticas da igreja fundamentalista, chegando a testemunhar contra o filho de seu ex-marido e então líder da instituição, revelando os fatos abusivos que passou e presenciou durante o período que viveu na sede.

Pouco depois de obter projeção, lançou o livro que embasa a série documental por testemunhar os fatos que tornaram Warren um dos homens mais procurados dos Estados Unidos, sendo posteriormente capturado pelo FBI.

Buscando amparar outras vítimas de casos semelhantes ao dela, ela fundou a ONG Claim Red Foundation, dedicada a educação e reconhecimento de pessoas que estiveram em situações de abuso e opressão longes da sociedade externa, de maneira a amparar psicologicamente e reintegrá-las na civilização.