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País mais fechado do planeta: Há 73 anos, era fundada a Coreia do Norte

Como a Guerra Fria resultou na criação de uma linha imaginária que divide a Coreia em duas

Giovanna de Matteo Publicado em 06/12/2020, às 10h00 - Atualizado em 09/09/2021, às 14h06

Líderes das duas Coreias se cumprimentam no local de divisão
Líderes das duas Coreias se cumprimentam no local de divisão - Getty Images

O fim da Segunda Guerra Mundial iniciou um novo conflito no mundo. Dessa vez, uma luta ideológica entre os Estados Unidos, que propagava o capitalismo no mundo, e a União Soviética, que tentava se expandir promovendo revoluções socialistas em outros países, tomou conta do globo.

Esse período ficou conhecido como "Guerra Fria", por seu caráter "indireto". O combate basicamente se entendia a corridas armamentistas, espaciais e de dominação.

No entanto, no meio dessa linha de frente que chamavam de pacífica, alguns conflitos como a Guerra da Coreia foram promovidos pelas duas nações gigantes.

Conflitos durante a Guerra da Coreia / Crédito: Wikimedia Commons

 

Fruto da guerra

Para saber como a Coreia se dividiu, é preciso entender que, naquele momento, quanto mais aliados e territórios os EUA ou a URSS conquistassem, mais poder eles teriam para espalhar suas ideologias opositoras.

Desse modo, eles pretendiam ocupar territórios-chave em cada um dos continentes. A Coreia, em um local estratégico para a conquista da Ásia, e não contando com um governo consolidado - pois havia deixado de ser colônia japonesa apenas com o fim da Segunda Guerra -, era visto como uma oportunidade de representar uma das ideologias dominantes

A partir disso, ela poderia levar outros países asiáticos e do pacíficos a decidirem quem deveriam apoiar nessa guerra. Assim sendo, os EUA e a URSS estabeleceram um acordo a respeito de como deveriam lidar com o território coreano que, diga-se de passagem, foi desaprovada pela maioria dos coreanos.

Cidadãos coreanos protestando contra a ocupação das Coreias por potências estrangeiras, em dezembro de 1945 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Dois controles

As duas superpotências concordaram em ocupar o país, dividindo-o ao longo do paralelo 38°N. Segundo os dominadores, o governo dividido sob o país seria provisório, sendo que uma parte do país, o Norte, ficaria sob controle soviético, e a outra, o Sul, sob controle dos americanos.

No entanto, isso só fez florescer mais conflitos na península coreana. Embora as eleições estivessem agendadas para que o povo pudesse decidir o chefe de estado, que comandaria novamente o território unificado, uma luta se estabeleceu entre as potências, que durante as campanhas eleitorais decidiram apoiar líderes opositores. 

Com o desentendimento, em 1950 se iniciou oficialmente uma guerra no país. A problemática do caso foi que, apesar de terem sido criadas "duas Coreias", do qual uma defenderia o capitalismo e a outra defenderia o comunismo, os coreanos em sua maioria não concordavam com essa divisão social, sendo, portanto, obrigados a lutarem contra seus iguais.

A guerra das Coreias

Durante a luta, ainda, os coreanos foram obrigados a se separarem de suas famílias, já que de uma noite para outra um território ficou definido como Norte e o outro como Sul, não podendo então os moradores de uma área visitarem seus familiares que estariam do outro lado.

Todos foram separados pela Zona Desmilitarizada Coreana, que permanece existindo até os dias de hoje e ainda representa um grande ponto de tensão.

A Guerra entre as Coreias nunca teve fim, e os conflitos separatistas continuam existindo, sendo promovidos pelos governos dos países, e não pelo povo. 

Mapa mostra a Península Coreana dividida no paralelo 38°N, com sua Zona Desmilitarizada Coreana / Crédito: Wikimedia Commons

 

A situação ainda é complicada: A Coreia do Sul estabeleceu uma economia neoliberal capitalista, sendo um dos grandes países desenvolvidos que são apoiados pelos Estados Unidos.

Desde o começo da separação, os EUA promovem uma luta radical contra a Coreia do Norte, considerado um dos maiores inimigos dos dois países. Como podemos ver anualmente, o embate resulta em ameaças constantes do líder norte-coreano,Kim Jong-un. 

Já a Coreia do Norte é considerada um Estado comunista, tendo como suas principais vertentes o combate ao capitalismo, o anti-imperialismo norte-americano, conservadorismo e a autossuficiência nacional.

Inicialmente, a nação do ditador Kim Jong-un teve um crescimento substancial no desenvolvimento, porém, com a queda da União Soviética a partir do final da década de 80, o país passou por um colapso intenso.

Sua economia hoje é decadente, principalmente por conta dos embargos econômicos indiciados sobre o país, que impedem que exista um comércio globalizado, tendo como quase único parceiro à China.

Uma imagem de satélite mostra o território da Península Coreana. Na foto é possível ver a iluminação da parte Sul, que envidenciaria um processo de tecnologia e urbanização, já na parte Norte, a escuridão revela a falta de desenvolvimento do país / Crédito: Wikimedia Commons

 

Por conta das dificuldades e contradições, os dois países ainda caminham devagar para a reunificação. Entretanto, o processo obtém ajuda internacional de grupos que promovem a união da península e a autodeterminação do povo coreano.