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Matérias / Nova Zelândia

Por que a Nova Zelândia quer taxar arrotos de gado?

Arrotos de ovelhas e gado é uma das principais dores de cabeça para o país

Éric Moreira, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 26/06/2022, às 08h00

Gado e ovelhas estão entre as principais fontes emissoras de metano na atmosfera - Foto por Ryan McGuire pelo Pixabay
Gado e ovelhas estão entre as principais fontes emissoras de metano na atmosfera - Foto por Ryan McGuire pelo Pixabay

A Nova Zelândia é um país localizado na Oceania e conta com pouco mais de cinco milhões de pessoas, no total. Por sua vez, o país abriga também cerca de 10 milhões de bovinos e 26 milhões de ovinos, animais estes que também podem emitir gases poluentes para a atmosfera, como o metano, a partir de seus arrotos.

Quase metade das emissões totais de gases do efeito estufa no país são de origem desses animais, que são criados em larga escala por agricultores e pecuaristas. No entanto, apesar disso, as emissões da pecuária ainda não estavam inclusas no esquema de comércio de carbono da Nova Zelândia, o que vinha provocando diversas críticas.

Não há dúvida de que precisamos reduzir a quantidade de metano que estamos colocando na atmosfera, e um sistema eficaz de precificação de emissões para a pecuária desempenhará um papel fundamental em como conseguiremos isso", disse o ministro de mudanças climáticas da Nova Zelândia, James Shaw.

Proposta

De acordo com a proposta de taxação da emissão de gases poluentes, pecuaristas no país devem pagar por suas emissões de metano a partir de 2025 — em outras palavras, pagar pelo quanto os animais arrotam.

O plano também engloba diversos incentivos a agricultores que não fizerem uso de aditivos alimentares , e o plantio de árvores nas fazendas pode ser usado para compesar as emissões.

Estamos trabalhando com o governo e outras organizações nisso há anos para chegar a um plano que não prejudique a agricultura na Nova Zelândia", disse Andrew Hoggard, produtor de leite e presidente nacional da Federação de Agricultores da Nova Zelândia, em entrevista à BBC.

Hoggard ainda acrescentou que os detalhes do plano para taxação ainda não foram combinados. No entanto, já se sabe que o dinheiro arrecadado será investido em pesquisa, desenvolvimento e serviços de consultoria para agricultores, segundo o Ministério do Meio Ambiente do país.

Movimentações

O ministro de finanças da Nova Zelândia anunciou no mês passado que um valor equivalente a R$ 10 bilhões seria passado para iniciativas contra mudanças climáticas, que, assim, passariam a ser financiadas pelo próprio sistema de comércio de emissões de carbono e metano.

Em carta ao diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, a iniciativa FAIRR afirmava que a agência da ONU está bem posicionada para que pudesse liderar a criação de um plano para conter as fontes de emissão de gases poluentes na atomosfera.

E o metano?

Por volta de 40% de todo o metano emitido na atmosfera é proveniente de fontes naturais, como pântanos. Logo, a maior parte do metano emitido é consequência de ações humanas, como a agricultura, pecuária e lixões. 

Desde 2008, tem se notado um grande aumento na emissão do gás, o que alguns especialistas acredita ter acontecido devido a todo o processo de produção, transporte e uso de gás natural em parte dos EUA. Em 2019, por sua vez, a quantidade de metano na atmosfera atingiu níveis recordes, em torno de duas vezes e meia a mais que na era pré-industrial.

O que mais preocupa na alta quantidade de metano na atmosfera, na verdade, é o quanto ele é impactante no aumento da temperatura do globo. Enquanto o dióxido de carbono é o gás mais presente na atmosfera, dos responsáveis pelo efeito estufa — estando o metano em segundo lugar —, o metano tem um efeito de aquecimento mais poderoso.

Acredita-se que, ao longo de cem anos, o metano aqueceu o planeta em um ritmo de 28 a 34 vezes maior que o dióxido de carbono, mesmo representando somente um terço dos gases emitidos — enquanto o dióxido de carbono representa mais da metade.