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Por que a cantora Taylor Swift está regravando seus 5 primeiros álbuns?

A batalha incansável da compositora americana foi amplamente coberta pela mídia, trazendo um debate relevante sobre direitos autorais

Alana Sousa Publicado em 03/04/2021, às 10h00

Foto de divulgação do álbum Evermore (2020)
Foto de divulgação do álbum Evermore (2020) - Divulgação

Mais de dez anos de sucesso, 11 prêmios do Grammy, 50 milhões de álbuns vendidos, uma legião de fãs dedicados e uma batalha pelo direito sob suas próprias músicas. Taylor Swift é aclamada mundo afora por sua habilidade musical e, principalmente, composições complexas. Lotando estádios durante turnês e ocupando o primeiro lugar nas paradas musicais, a cantora viu sua vida mudar quando seu catálogo foi comprado por um empresário, dando início a uma batalha pública sobre quem seria o verdadeiro dono das canções. 

Lançando seu primeiro álbum em 2006, Swift conseguiu emplacar quatro projetos no gênero country, até que, contrariando sua gravadora, decidiu por se arriscar como uma artista pop. Para a surpresa de sua equipe, 1989, que estreou em 2014, foi um sucesso absoluto — ganhando até mesmo o ‘Álbum do Ano’, no Grammy, uma das maiores honrarias para um músico. 

Com a gravadora Big Machine Records, Taylor emplacou mais um álbum: Reputation, em 2017. Seu longo contrato de 12 anos com o empresário Scott Borchetta, entretanto, havia chegado ao fim. Ainda que de início, o término profissional tenha parecido tranquilo, o que acontecia nos bastidores era bem diferente. 

Taylor Swift adolescente ao lado de Scott Borchetta / Crédito: Divulgação

 

A americana conheceu Borchetta ainda adolescente, quando tentava uma carreira musical em Nashville. Scott deu uma chance a ela e assinou seu primeiro contrato como artista profissional. Ao se despedir da Big Machine, Swift declarou um “sincero agradecimento” a Scott: “Sou extremamente grata por fazer o que amo, especialmente com as pessoas com quem tive a sorte de trabalhar”. 

Taylor fechou um acordo milionário em novembro de 2018 com a Universal Music Group, sob a editora Republic Records. A troca de gravadoras aparentou ser inofensiva, Swift enfatizou que dali em diante teria o direito sobre suas futuras música. 

“É tão emocionante para mim que eles, e a equipe UMG, serão minha família de gravadoras daqui para frente. Também é incrivelmente empolgante saber que possuo todas as minhas gravações master que faço de agora em diante. É muito importante para mim estar de acordo com um rótulo em relação ao futuro de nossa indústria”, disse a compositora em trecho de carta publicada no Instagram. 

Uma batalha incansável 

Ainda que tivesse encontrado um novo lar para sua carreira musical, Swift havia deixado para trás álbuns amados pelos fãs, confessando que foi “uma escolha dolorosa”, em publicação no Tumblr. Ao decidir abandonar a gravadora de Scott Borchetta, a cantora abriu mão dos direitos de seu catálogo estimado em 300 milhões de dólares, que o empresário não aceitou vender. 

Dando continuidade a seus novos projetos com o selo da UMG, Swift lançou Lover (2019), seu sétimo álbum de estúdio que, assim como os outros, teve uma boa recepção crítica e financeira. A batalha contra Scott parecia estabilizada, até que, no final de 2019, outra pessoa comprou a Big Machine Records, adquirindo todo o catálogo da artista. 

O novo dono era ninguém menos que Scooter Braun, um agente musical que já havia feito críticas assíduas a Taylor. A compra de seu rival destruía de vez a chance de recuperar os direitos de suas composições, algo que enfureceu a cantora. 

Scooter Braun ao lado de Scott Borchetta / Crédito: Divulgação/Instagram

 

“Fiquei sabendo da compra dos meus mestres por Scooter Braun quando ela foi anunciada ao mundo. Tudo o que eu conseguia pensar era no bullying incessante e manipulador que recebia de suas mãos há anos”, afirmou Swift em carta pública.  

“Quando deixei meus masters nas mãos de Scott, concordei com o fato de que eventualmente ele os venderia. Nunca, em meus piores pesadelos, imaginei que o comprador seria Scooter. Sempre que Scott Borchetta ouviu as palavras 'Scooter Braun' escaparem dos meus lábios, foi quando eu estava chorando ou tentando não chorar. Ele sabia o que estava fazendo; ambos fizeram. Controlar uma mulher que não queria se associar a eles. Na perpetuidade. Isso significa para sempre.” 

Em defesa, Braun disse em entrevista à Billboard que “a ideia de Scott e eu trabalharmos juntos não é nova, estamos falando sobre isso desde o início de nossa amizade”. Ainda que se mostrasse contente com a aquisição, chegou a declarar em live que “era dono de Taylor Swift”. 

A rixa entre Taylor, Scott e Scooter ficava cada vez pior. Com a artista afirmando que a dupla de empresários havia proibindo-a de cantar suas músicas em uma premiação musical dos Estados Unidos. “Scott Borchetta disse à minha equipe que eles permitirão que eu use minha música apenas se eu fizer estas coisas: Se eu concordar em não regravar versões copiadas de minhas músicas no próximo ano (o que é algo que estou legalmente autorizado a fazer e ansioso para) e também disse à minha equipe que preciso parar de falar sobre ele e Scooter Braun”, relatou Swift

Sua resposta era clara, ela regravaria suas canções quando fosse permitida legalmente a fazer; a estratégia busca fazer os fãs deixarem de ouvir as gravações antigas e apenas ouçam as novas versões nas plataformas de streaming. 

Pouco tempo após adquirir o catálogo, no final de 2020 Braun o vendeu para um fundo de investimentos. Mais uma vez, Taylor disse que todas as suas ofertas foram descartadas, ela não conseguiu recuperar seu trabalho novamente. 

Regravação dos álbuns 

Imagem de Taylor durante o filme Folklore: The Long Pond Studio Sessions / Crédito: Divulgação/Disney +

 

Assim, conforme tinha prometido, durante a quarentena a americana começou a gravar novamente seus primeiros cinco álbuns, são eles: Taylor Swift, Fearless, Speak Now, Red e 1989. Segundo consta em seu contrato, a regravação é permitida após cinco anos do lançamento do projeto, logo, terminando o ciclo, ela seria capaz de liberar as antigas canções sob nova capa e divulgação. 

Reputation ainda terá que esperar um pouco para ser relançado, isso pois, como teve sua estreia em 2017, a regravação só será legamente possível no final de 2022.

Além de produzir dois álbuns inéditos, Folklore e Evermore, a artista utilizou o tempo de isolamento social por conta do coronavírus, onde os shows não podem acontecer, para agilizar o processo de recriação das obras.  

Em 11 de fevereiro de 2021, ela anunciou que a primeira música a ser lançada seria Love Story, carregando um adendo: ‘Taylor’s Version’ (versão da Taylor em tradução livre). Os fãs poderão ouvir o segundo álbum, Fearless, completo na segunda semana de abril, dando início a uma nova era em sua vida. 

Apesar de estar longe de recuperar o direito de suas gravações originais, a ideia foi aclamada pelos fãs e levantou um debate importante: a luta de artistas para manter a autoria de seu trabalho de vida. Assim como Swift quando era adolescente assinou um contrato que lhe retirou esse poder, ela trabalha duro para conscientizar jovens artistas a serem donos de seus projetos.  


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