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Por que Greenwich ganhou o posto de meridiano nº1?

Almanaque de marinheiros e ferrovias pelo mundo explicam a escolha

Redação Publicado em 27/02/2019, às 08h00

Observatório Astronômico de Greenwich
Getty Images

Greenwich, no sudeste de Londres, onde está o Real Observatório Astronômico da Grã-Bretanha, se tornou o meridiano zero em 1884, durante a International Meridian Conference, realizada em Washington, nos Estados Unidos, e que reuniu 27 países.

Foi ali que nasceu o sistema que usamos até hoje. O cálculo da longitude, que hoje divide o mundo em 24 gomos de 111,32 quilômetros na linha do Equador (e zero nos polos), foi um grande desafio desde os tempos das Grandes Navegações.

A resolução do cálculo, na forma de um relógio, garantiu a seu criador, o relojoeiro John Harrison, em 1714, um prêmio de 10 mil libras. Um dos produtos do observatório de Greenwich era o Almanaque Náutico, que se tornou popular entre os oficiais da Marinha. Como o Império Britânico tinha possessões em todo o mundo, a publicação virou um padrão internacional. Mas faltava definir um modelo mundial para horas.

Parque de Greenwich / Getty Images

 

Greenwich também é onde começam os fusos horários. E a decisão não poderia ser mais britânica. A definição de um sistema global de horas nasceu por causa das linhas de ter, que o império espalhou pelo mundo. Era difícil acertar horários de chegada e partida, pois cada país adotava seu próprio modelo de hora solar. A solução foi do engenheiro civil canadense Sandford Fleming.

O sistema do engenheiro dividia o mundo em 24 gomos de 15º no sentido leste-oeste. Ou seja, 2 gomos a leste equivaliam a 2 horas a mais em relação a Greenwich, o que se conhece hoje pela sigla em inglês GMT (Greenwich Mean Time).

Nem todos os países adotam a hora mundial. O exemplo mais gritante é o uso do horário de verão, que fica a critério de cada nação. Há casos mais esquisitos. Em 2007, o ex-presidente da Venezuela Hugo Chávez, resolveu mudar os relógios do país. Eles foram atrasados em meia hora. “Não ligo se me chamarem de louco”, disse na ocasião.

Hoje, Greenwich foi transformado em museu e está aberto a visitação.