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Por que a Igreja Católica perde tantos fiéis para as demais cristãs?

Com exclusividade à AH, o teólogo Dr. Italu Colares explica o crescimento, apogeu e queda da Igreja Católica nos dias atuais

Redação Publicado em 10/02/2021, às 21h30

Imagem meramente ilustrativa de vitral
Imagem meramente ilustrativa de vitral - Divulgação/Pixabay

Antes de entender as razões para a queda do número de fiéis na Igreja Católica, é preciso entender todo um contexto histórico. Pensando nisso, o teólogo e licenciado em filosofia Dr. Italu Colares fez um levantamento de todo este movimento.

Em suas pesquisas, ele detalha como a Igreja Católica surgiu, cresceu e agora passa por esta queda progressiva de fiéis. Isso tudo enquanto outras denominações cristãs estão crescendo cada vez mais, principalmente no Brasil.

Segundo Dr. Italu Colares, o termo “igreja” provém do grego eclesia, que dá origem à palavra “eclesiástico”. “Esse termo também está inserido na famosa frase de Cipriano: ‘Extra Eclesia Nulla Sallus’ que significa: fora da igreja não há salvação”, conta.

“Basicamente, a igreja é uma comunidade de pessoas que compactuam da mesma fé na pessoa de Jesus Cristo, narra Italu. Lutero chamava isso de igreja invisível para diferenciar o conceito institucionalizado oriundo da Igreja Católica romana”.

Imagem meramente ilustrativa de Bíblia / Crédito: Wikimedia Commons

 

O nascimento da fé cristã

Não é segredo que o cristianismo foi oriundo do judaísmo. O Dr. Italu lembra que, “a princípio, nasceu de dentro dali diversos segmentos judaicos (fariseus, essência, zelosas) e dentre eles o movimento de Jesus que posteriormente com influências do mitraísmo e maniqueísmo iria gerar o que conhecemos como cristianismo.

No primeiro século da era cristã, não se tinha o cânon fechado do novo testamento. O mesmo somente iria se encerrar no século quarto depois de Cristo. Diante disso, muita literatura apócrifa circulava dentro das comunidades cristãs no primeiro século. Essas comunidades tinham funcionamento dentro das casas dos fiéis e até mesmo nas catacumbas pois não havia templos ou ‘igrejas’ como conhecemos”, detalha o teólogo.

Do primeiro ao terceiro século, os cristãos foram bastante perseguidos. “Primeiramente pelos judeus, que entendiam que o movimento de Jesus era uma nova religião, e depois pelos romanos, que tinham a tolerância religiosa apenas para os judeus.” Foi só depois que “os romanos entenderem que o movimento de Jesus era uma outra religião” que eles “passaram a perseguir os cristãos” também, segundo o teólogo.

Diante disso, Dr. Italu explica que não havia um padrão certo do que os cristãos deveriam crer ou não. “Os fiéis eram doutrinados pelos escritos apostólicos que eram recebidos como correspondência e lidos diante da comunidade. Em suma, a teologia cristã recebeu uma enorme influência do judaísmo, mitraísmo e maniqueísmo”.

Outro detalhe que vale a pena ser destacado, reforça o teólogo, é que apesar de Jesus Cristo ser o personagem principal da fé cristã um fato que não poderá ser ignorado é de que a teologia cristã é muito mais paulina do que cristã propriamente dita.

“A maior parte do novo testamento se deve à colaboração do apóstolo Paulo”, acrescenta. Além disso, “no ano de 325, no concílio de Nicéia, foi decidido o que os cristãos deveriam crer ou não. Nos concílios subsequentes foi decidido os livros que entrariam no cânon bíblico demais assuntos de importância significativa”.

Representação do Primeiro Concílio de Nicéia / Crédito: Wikimedia Commons

 

O surgimento da Igreja Católica

Dr. Italu Colares conta que a Igreja Católica nasceu com os concílios, começando com o concílio de Niceia. A igreja é chefiada pelo bispo de Roma, conhecido como papa e sua administração central é a Santa Sé.

“As crenças cristãs do catolicismo são baseadas no Credo Niceno. A Igreja Católica ensina que é a Igreja única, santa, católica e apostólica fundada por Jesus Cristo em sua Grande Comissão, que seus bispos são os sucessores dos apóstolos de Cristo e o papa é o sucessor de São Pedro, a quem o primado foi conferido por Jesus”, narra.

Ainda mais, “ela afirma que pratica a fé cristã original, reservando a infalibilidade, transmitida pela tradição sagrada”, conta Italu. “A Igreja Latina, as vinte e três igrejas católicas orientais e institutos, como ordens mendicantes, ordens monásticas fechadas e terceiras ordens, refletem uma variedade de ênfases teológicas e espirituais na igreja”.

É importante lembrar que, dos sete sacramentos, a Eucaristia é a principal, celebrada litúrgicamente na missa. “A igreja ensina que, através da consagração de um sacerdote, o pão e o vinho sacrificiais se tornam o corpo e o sangue de Cristo”, conta.

Retrato de Virgem Maria, a Mãe de Deus pela Igreja Católica / Crédito: Wikimedia Commons

 

“A Virgem Maria é venerada na Igreja Católica como Mãe de Deus e Rainha do Céu, homenageada em dogmas e devoções. Seus ensinamentos incluem a Divina Misericórdia, a santificação pela fé e a evangelização do Evangelho, bem como a doutrina social católica, que enfatiza o apoio voluntário aos doentes, pobres e aflitos pelas obras corporais e espirituais de misericórdia. A Igreja Católica é o maior provedor não governamental de educação e saúde no mundo”, complementa o filósofo.

Sobre a presença dos fiéis no mundo, Dr. Italu observa que, “desde o século 20, a maioria residia no hemisfério sul devido à secularização na Europa e ao aumento da perseguição no Oriente Médio. A Igreja Católica compartilhou a comunhão com a Igreja Ortodoxa Oriental até o Grande Cisma em 1054, disputando particularmente a autoridade do papa”, conta o teólogo.

“Antes do Concílio de Éfeso, em 431 d.C, a Igreja do Oriente também participava dessa comunhão, assim como as igrejas ortodoxas orientais antes do Concílio de Calcedônia, em 451 d.C, todas separadas principalmente por diferenças na cristologia”.

Voltando ao século 16, a Reforma levou ao protestantismo, que também rompeu com os católicos. Além disso, “desde o final do século 20, a Igreja Católica tem sido criticada por seus ensinamentos sobre sexualidade, sua ausência de sacerdotes mulheres e por lidar com casos de abuso sexual de menores envolvendo clérigos”, conta Italu.

Representação do Concílio de Éfeso / Crédito: Wikimedia Commons

 

O protestantismo

Enquanto isso, o protestantismo é uma das três principais divisões do cristianismo, junto com o catolicismo e a ortodoxia, sendo a segunda com o maior número de adeptos e a última a ser criada. Com mais de 900 milhões de adeptos em todo o mundo, compreende aproximadamente 40% de todos os cristãos.

Originou-se com a Reforma Protestante, “um movimento contra o que seus seguidores consideravam erros na Igreja Católica”, narra o teólogo. “Desde então, os protestantes rejeitam a doutrina católica romana da supremacia papal e dos sacramentos, mas discordam entre eles sobre a presença real de Cristo na Eucaristia.”

“Eles enfatizam o sacerdócio de todos os crentes, a justificação pela fé (sola fide) em vez das boas obras e a autoridade da Bíblia sozinha (e não com a tradição sagrada) na fé e na moral (sola scriptura).  As "Cinco Solas" resumem as diferenças teológicas básicas em oposição à Igreja Católica Romana”, destaca o Dr. Italu.

Outra questão de tamanha importância é, que, conforme lembra o especialista, “o protestantismo é popularmente considerado como tendo começado na Alemanha em 1517, quando Martinho Luteropublicou suas 95 Teses como uma reação contra abusos na venda de indulgências pela Igreja Católica Romana, que pretendia oferecer remissão de pecado aos seus compradores”.

Retrato de Martinho Lutero / Crédito: Wikimedia Commons

 

“No entanto, o termo deriva da carta de protesto dos príncipes luteranos alemães em 1529 contra o édito da Dieta de Speyer, que condena os ensinamentos de Martinho Lutero como heréticos”, pontua o teólogo.

“Embora existissem rupturas anteriores e tentativas de reforma da Igreja Católica Romana — notadamente por Pedro Valdo, John Wycliffe e Jan Hus — somente Lutero conseguiu desencadear um movimento mais amplo, duradouro e moderno. No século 16, o luteranismo se espalhou da Alemanha para Dinamarca, Noruega, Suécia, Finlândia, Letônia, Estônia e Islândia”, completa.

Além disso, as denominações reformadas (ou calvinistas) também espalharam-se na Alemanha, Hungria, Países Baixos, Escócia, Suíça e França por influência de reformadores como João Calvino, Huldrych Zwingli e John Knox.

“A separação política da Igreja da Inglaterra do papa sob o governo do Rei Henrique VIII fez surgir o anglicanismo na Inglaterra e no País de Gales, parte do movimento mais amplo da Reforma. Os protestantes desenvolveram sua própria cultura, com importantes contribuições na educação, nas ciências humanas e nas ciências gerais, na ordem política e social, na economia e nas artes, e em muitos outros campos”, reforça.

Retrato do rei Henrique VIII / Crédito: Wikimedia Commons

 

O protestantismo é diversificado, sendo mais dividido teológica e eclesiásticamente do que a Igreja Católica Romana, a Igreja Ortodoxa Oriental ou a Ortodoxia Oriental, reforça Dr. Italu. “Sem unidade estrutural ou autoridade central, os protestantes lideraram o conceito de uma igreja invisível em vez de um corpo de clérigos ou figuras institucionais.”

“Algumas denominações têm um alcance mundial, enquanto outras são confinadas a um único país”, explica o teólogo. “A maioria dos protestantes são membros de um punhado de famílias denominacionais protestantes: anglicanos, reformados, luteranos, presbiterianos, batistas, metodistas, congregacionais e protestantes unidos.”

Os pentecostais, neo pentecostais, igrejas não denominacionais, carismáticas, independentes e outras estão em ascensão, por sua vez, são um pouco diferentes. “Constituem uma parte significativa no desdobramento do cristianismo protestante, porém não são propriamente protestantes, mas sim evangélicos”, conta Italu.

Já os “Adventistas, Mórmons e Testemunhas de Jeová não são protestantes ou evangélicos e sim paracristãos. Os defensores da teoria da ramificação consideram o protestantismo uma das três principais divisões da cristandade, juntamente com a Igreja Católica Romana e a Ortodoxia (tanto ortodoxa quanto oriental)”, completa o teólogo.

Vista da Basílica de São Pedro, do Obelisco e do Palácio Apostólico, no Vaticano / Crédito: Wikimedia Commons

 

O Movimento Carismático

O Movimento Carismático, ou Carismatismo, teve início a partir dos Movimentos de Avivamento do século 19, estes fortementes influenciados pelo Pietismo Radical do século 18, cujo cerne germinativo encontra-se embasado nas obras e pensamento filosófico e teológico de Philipp Jakob Spener, teólogo alemão que viveu no século 17.

Estourou nos Estados Unidos no começo do século 20 e na Europa no final do século 19. Segundo destaca o Dr. Italu, este movimento também “gerou o pentecostalismo clássico, ponto de partida para o surgimento de ministérios protestantes multifacetados em sua estratégia de evangelismo, pregação e metodologia doutrinária, entre os quais se desenvolveu a chamada Teologia da Prosperidade”.

De acordo com o especialista, ainda é “importante destacar, no Catolicismo a eclosão do Movimento de Renovação Carismática, que alia práticas eminentemente pentecostais na propagação da doutrina”.

Momento de oração em uma Missa de cura do Movimento Carismático / Crédito: Wikimedia Commons

 

O termo Carismático, portanto, descreve a adoção (por volta de 1960 por Protestantes, e a partir de 1967 por católicos romanos) de certas crenças típicas dessas pessoas definidas como cristãos pentecostais pelos cristãos das denominações históricas.

Conforme lembra o teólogo, “o termo ‘carismático’ foi cunhado por Harald Bredesen, um ministro luterano, em 1962, para descrever o que estava acontecendo naquele momento nas igrejas de linha antiga”.

Dessa forma, “confrontado com o termo ‘neopentecostal’, ele disse: ‘Nós preferimos o título de 'renovação carismática nas igrejas históricas.' A gênese do Movimento Carismático, porém, é atribuído por vários à Dennis Bennett, um sacerdote episcopal, em 1960. Seu livro Nine O'Clock in the Morning dá um relato pessoal deste período”.

Ícone retratando Constantino e os Padres do Primeiro Concílio de Niceia / Crédito: Wikimedia Commons

 

O crescimento das Igrejas Evangélicas e a perda de fiéis da Igreja Católica

Enfim a questão proposta no início: por que a Igreja Católica está perdendo fiéis? Nas últimas décadas, é notável o decréscimo na participação de católicos na população brasileira, sobretudo a partir da década de 1990.

Em 1872, 99,71% dos brasileiros eram católicos; 95% em 1940; 83,34% em 1991; 73,89% em 2000 e 68,43% em 2009. Ao mesmo tempo, cresceu no país o número de evangélicos, de pessoas sem religião e de seguidores de outras crenças.

Segundo pesquisa da FGV de 2009, o catolicismo no Brasil vem perdendo fiéis sobretudo nos bolsões de pobreza situados em regiões metropolitanas, em especial para igrejas evangélicas pentecostais e para a não religiosidade.

O estudo apontou que a "velha pobreza brasileira", particularmente nas áreas rurais do Nordeste, que é assistida por programas de governo, continua fortemente católica, ao passo que a "nova pobreza", isso é, a periferia das grandes cidades, menos assistidas por programas sociais, estaria migrando para o protestantismo e para a irreligiosidade.

Tabela com os as porcentagens de distribuição religiosa no Brasil / Crédito: Aventuras na História/Dr. Italu Colares

 

Além destas razões, uma outra explicação para a diminuição de católicos são as migrações internas. No Brasil, as religiões evangélicas tendem a crescer nas regiões de expansão da fronteira agrícola e nas favelas e municípios de regiões metropolitanas, onde muitas pessoas são migrantes de outras zonas do país.

Esses migrantes, então, deslocam-se para áreas onde há a ausência do Estado e da Igreja Católica, "que não tem agilidade para deslocar padres e paróquias". Já as igrejas evangélicas são mais ágeis e acabam suprindo essa ausência.

O mesmo não ocorre em áreas com poucos migrantes, onde a população já está estabelecida. Ou no interior rural, como pontua o teólogo, onde "a tendência é as pessoas continuarem seguindo a mesma religião com a qual cresceram".

Além de todos esses fatores, Dr. Italu ainda lembra que "a Igreja Católica não conseguiu acompanhar o novo Brasil, pois tem uma estrutura centralizada, hierarquizada, lenta e muito avessa às modificações”.

Fotografia do Papa Bento XVI / Crédito: Wikimedia Commons

 

Nesse sentido, “os católicos possuem igrejas no centro de praticamente todas as cidades do país, mas não conseguiram acompanhar a expansão demográfica da periferia dos grandes centros urbanos. A falta de padres e a distância em relação aos fiéis, portanto, dificultam a propagação da doutrina católica e inviabilizam a agregação de amplas parcelas da população nas atividades cotidianas da igreja”.

Ainda mais, segundo o teólogo, “o clericalismo atua em benefício do clero e em detrimento de uma participação de base. Mormente, os escândalos de pedofilia lançam dúvidas sobre a honradez e a integridade moral de muitos padres, enquanto a questão do celibato clerical divide a igreja e os dois Papas”.

Em outubro de 2019, a possibilidade de ordenar homens casados como padres na Amazônia foi aprovada no sínodo sobre a floresta. A possibilidade foi criticada pela ala conservadora do Vaticano, inclusive pelo Papa BentoXVI, que a via como um passo para a extinção do celibato na Igreja Católica.

A proposta foi rejeitada pelo Papa Francisco em 2020. “A falta de padres na região amazônica contribuiu para a mudança da demografia religiosa da região, pois na Região Norte é onde se verifica o maior crescimento de evangélicos e a maior diminuição de católicos no Brasil”, destaca Dr. Italu.

Retrato do Papa Francisco / Crédito: Getty Images

 

Pesquisas mostram que o catolicismo perde adeptos sobretudo entre os jovens brasileiros: segundo o Instituto Data Popular, somente 44% dos brasileiros de 16 a 24 anos definiam-se como católicos. Esse fenômeno é denominado de "descatolização".

Um exemplo é o que acontece na Arquidiocese de Porto Alegre, por exemplo. Por lá, a quantidade de batizados, primeiras comunhões, crismas e casamentos vem diminuindo ininterruptamente. Em 2008, foram batizadas 26,8 mil crianças, contra 20,8 mil em 2013. Houve também quedas ainda maiores na primeira eucaristia (de 14,9 mil para 8,2 mil), nas crismas (de 7,6 mil para 4,8 mil) e até nos casamentos (de 3,1 mil para 1,8 mil).

Dr. Italu vai além: “Segundo o sociólogo da religião Ricardo Mariano, em décadas passadas, havia uma simbiose entre ser brasileiro e ser católico. Em 1940, meio século após a separação entre Estado e Igreja, 95% dos brasileiros ainda se consideravam católicos. O Estado laico existia no papel, mas não na realidade de fato, porquanto a Igreja Católica era muito grande.”

“Imprensa, delegacias de polícia, juízes, intelectuais e uma série de outras categorias, além do clero, criavam dificuldades para os outros credos, que foram discriminados e perseguidos", destaca. Além disso, ele acredita que, “no Brasil, muitas pessoas diziam-se católicas como resposta a uma ‘pressão social’, fato que explica o incontável número de católicos, porém "não praticantes" no país”.

Reconstrução do rosto de Jesus baseada nas características da época e do lugar onde ele viveu / Crédito: Divulgação

 

Apenas na segunda metade do século 20 é que a liberdade religiosa no Brasil se torna realidade. Citando o sociólogo Ricardo Mariano, Italu define esse novo cenário plural, onde "é natural que as pessoas façam algo que não era tão comum no passado: refletir sobre qual é a sua religião e tomar uma decisão diante das opções disponíveis".

Sendo assim, a liberdade de escolha também ajuda a explicar a perda de fiéis da Igreja Católica para a irreligiosidade, bem como de pessoas que vão procurar abrigo em outras igrejas, particularmente nas evangélicas. Outra consequência do pluralismo "seria a amplificação de conflitos, controvérsias e debates públicos envolvendo questões como feminismo, orientação sexual, aborto e os direitos das minorias", salienta o filósofo.

Outro dado importante é que, segundo pesquisa do Datafolha de 2018, os católicos já são metade entre os brasileiros de 16 a 24 anos (46% de católicos, 33% de evangélicos e 13% sem religião) e uma ligeira maioria na população de 25 a 34 anos (49% católicos, 34% evangélicos e 10% sem religião).

Para toda a população, no entnato, a distribuição religiosa encontrada foi: 56% católicos, 30% evangélicos, 7% sem religião e 7% outras. “Em contrapartida, o movimento evangélico cresceu muito por parte dos neopentecostais e depois das igrejas históricas”, finaliza Dr. Italu Colares.

Afresco de A Última Ceia, por Leonardo da Vinci / Crédito: Wikimedia Commons

 

Em resumo, segundo o teólogo e filósofo, a Igreja Católica tem perdido fiéis pelas seguintes questões:

1. A busca de questionamento das estruturas da Igreja Católica. Isso pode ser visto no período da reforma protestante;

2. As contradições conciliares encontradas em diversos concílios da Igreja Católica, como no concílio de Florença;

3. A falta de dinâmica do rito maçante;

4. A oposição da Igreja Católica contra o divórcio independente do caso e demais posições rígidas;

5. O nascimento do neo pentecostalismo que propagava a aquisição dos bens materiais em torno do sagrado. Depois ocorreu o inverso. As igrejas históricas cristãs evangélicas começaram a crescer ainda mais. Para as pessoas que sofrem com a pobreza e a doença isso era uma proposta além do que era prometido: o céu.


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