Matérias » Espaço

Por que a NASA vai selecionar pessoas para dormir de cabeça para baixo?

O experimento “Bed Rest Study” começa em 2023 e os participantes ficarão deitados em camas inclinadas por mais de um mês

Pedro Paulo Furlan, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 28/11/2021, às 09h00

Um dos voluntários para o 'bed rest study'
Um dos voluntários para o 'bed rest study' - Foto: Reprodução / DLR (Agência Espacial Alemã)

Em 2019, a Nasa iniciou um estudo sobre problemas de sono enfrentados por astronautas em ambientes com gravidade zero, tentando prevenir os efeitos negativos que a ‘falta de peso’ tem no corpo humano. 

Mais cedo neste mês, novembro de 2021, começaram a convocação de voluntários para participarem dos experimentos planejados, pagando cerca de onze mil euros pela contribuição no estudo. 

Chamada de AGBRESA, Artificial Gravity Bed Rest Study (estudo sobre o descanso na cama em gravidade artificial, em tradução livre), a pesquisa irá utilizar de camas modificadas para simularem a situação espacial, em que os fluidos corporais, especialmente o sangue, são movimentados em direção à cabeça.

Os experimentos irão acontecer na Alemanha, em parceria com a Agência Espacial Alemã (DLR, sigla do nome na sua língua original), e poderão garantir a segurança de astronautas no futuro, especialmente com as expedições mais longas, como aponta Hansjörg Dittus, cientista parte do setor de pesquisa espacial e tecnologia na DLR, em comunicado oficial.

Voos espaciais tripulados continuarão sendo importantes no futuro para garantir descobertas em microgravidade, mas, precisamos fazer isto ser o mais seguro para os astronautas. Este estudo, conduzido pela DLR, Nasa e ESA, oferece a pesquisadores de toda a Europa e Estados Unidos a oportunidade de trabalhar juntos e conseguir o máximo possível de conhecimento sobre a fisiologia humana”, apontou.

O ‘bed rest study’, segundo a cobertura do portal de notícias G1, irá acontecer no verão europeu de 2023, e, antes, os voluntários deverão passar por diversos exames e testes para garantir que estão aptos a fazerem parte do experimento, sem nenhum risco de impactos extremos de saúde.

Passando entre 30 e 60 dias nos equipamentos projetados para o estudo, quem fizer parte deve ter noção de que tudo será analisado e que ficarão presos nas camas pelo período todo. Os profissionais da Nasa recomendam aos voluntários começarem a aprender uma nova língua ou fazer aulas online.

Como vai ser o experimento

Um dos protótipos do experimento 'bed rest study' - Foto: Reprodução / DLR (Agência Espacial Alemã)

 

Gastar muitos dias na cama pode parecer ótimo, mas, muitos participantes concordam que o tédio chega rápido. A rotina diária - tomar banho, vestir-se, comer, exercitar-se - toma muito tempo quando você não pode levantar para fazê-la", detalha o site oficial da Nasa.

O estudo planejado procura, através da simulação de uma situação comum nas viagens interespaciais, entender todos os impactos que a alteração de gravidade e a zero gravidade tem no corpo humano, especialmente com os diversos planos de expedições mais complexas para a exploração de Marte e da Lua.

De acordo com a descrição do experimento ‘bed rest study’ no site da DLR, os participantes estarão sujeitos a monitoramentos contínuos para compreender todos os efeitos que esta simulação terá nos participantes. 

Em uma situação espacial mesmo, a microgravidade tende a fazer com que o sangue tenha dificuldade em se espalhar pelo corpo, especialmente para as pernas, causando o que a Nasa chama de “síndrome da cabeça inchada e pernas de pássaro” — o experimento espera encontrar dados que podem ajudar a evitar isto e a atrofia muscular.

Os voluntários estarão deitados em camas com seis graus de inclinação, nas quais farão suas refeições, que devem seguir dietas restritivas e definidas pelos cientistas do experimento, continuarão com suas rotinas usuais e até mesmo tomarão seus banhos. No site da Nasa, os responsáveis explicam que seus corpos irão se adaptar.

Isso força seus corpos a se adaptarem como se estivessem no espaço. Eles são continuamente monitorados para entender como seus corpos mudaram e porque", explicam.