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Por que nunca voltamos à Lua?

A pergunta resulta em inúmeras teorias, embora a resposta para esse questionamento seja mais simples do que muitos imaginam

Fabio Previdelli Publicado em 13/07/2020, às 15h47

Astronauta da Apollo 11 na lua
Astronauta da Apollo 11 na lua - Divulgação/NASA

“Um pequeno passo para o homem, mas um salto enorme para a humanidade”. Foram com essas palavras que, em 21 de julho de 1969, às 2h56 da manhã no horário local (ou às 00h56 de Brasília), o astronauta Neil Armstrong pisou pela primeira vez na Lua. O marco completa 51 anos na próxima semana, mas desde 1972 a façanha jamais foi repetida, o que nos leva a curiosa pergunta: Por que o homem não voltou à Lua?

A resposta para essa pergunta é bem simples, embora, ainda assim, muitas teorias conspiratórias foram criadas em cima da questão: como a ideia equivocada de que as imagens foram montadas em um estúdio de televisão. Entretanto, na verdade, as razões são outras, como dinheiro, relevância científica e, é claro, interesse político.

Em recente entrevista, Jim Bridenstine, chefe da NASA, respondeu o motivo da agência espacial não enviar novos astronautas ao espaço por mais de 48 anos. "Há risco técnico e há risco político. Estaríamos na Lua agora se não fosse pelo risco político. Estaríamos em Marte, francamente, até agora, se não fosse pelo risco político", disse.

O astronauta Neil Armstrong / Crédito: Getty Images

 

"Estou falando de financiamento. No passado, nos anos 1990 e início dos anos 2000, fizemos esforços para voltar à Lua e a Marte, mas em cada caso, o programa era muito longo e custava muito dinheiro". De fato, a Agência até que tentou voltar à Lua em outras ocasiões, mas como as missões seriam de longa duração, o investimento seria altamente proporcional.

Dessa forma, como a NASA é uma agência estatal e depende de verbas do governo para operar, os altos custos de missões tiveram que ser reduzidos. Afinal, os governantes que lideraram o país nessas oportunidades não enxergavam um retorno financeiro tão favorável assim.

Vale ressaltar que, nessa equação também há o fator do engajamento público. Com o fim do programa Apollo, que culminou com a missão Apollo 17, o público já não estava mais tão empolgado assim com projetos lunares, afinal, já havia se passado três anos desde que o primeiro homem pisou na Lua. Podemos até dizer que tudo isso já havia “perdido a graça”.

Além do mais, como já citado, há o fator político. Paralelamente a isso, os Estados Unidos também estavam envolvidos com a Guerra do Vietnã, além do mais, o país vivia um importante momento da luta pelos direitos civis. Isso sem contar, é claro, que os norte-americanos já haviam vencido a URSS na Corrida Espacial.

Mas por que esse interesse voltou à tona? Bridenstine alega que agora a ideia ressurgiu por interesses políticos. Na gestão Trump, o vice-residente Mike Pence foi uma das pessoas que pressionou a NASA para que o programa Artemis, que visa o retorno à Lua, fosse antecipado de 2028 para 2024.

Os tripulantes da Apollo 17: Harrison Schmitt, Ronald Evans e Eugene Cernan /Crédito: Wikimedia Commons

 

"Agora, queremos voltar à Lua de forma sustentável, para ficar. Mas também temos que manter os olhos no que é o objetivo do presidente Trump. Qual a visão dele? Ele quer colocar uma bandeira estadunidense em Marte", disse Jim.

Mas o que uma coisa tem a ver com a outra? “Nós vamos para a Lua, para que possamos aprender a viver e trabalhar em outro mundo e, em última análise, ter mais acesso ao Sistema Solar do que nunca, para que possamos chegar a Marte", explicou. Inicialmente, esse projeto estava previsto para 2033, mas especialistas contratados pela própria NASA estimam que uma possível ida até Marte só ocorra no final da década, isso tendo uma visão mais otimista.

Para viabilizar tudo isso quanto antes, a NASA já está na fase final do desenvolvimento do foguete Space Launch Sustem (SLS), que fará esses lançamentos com uma nave tripulável que transporta até quatro astronautas.

Além do mais, há também outro ponto importante desse percurso: a estação lunar Gateway, que ficará na orbita da Lua e servirá como uma espécie de "parada de meio de caminho" entre a Terra e o planeta vermelho.

Imagem ilustrativa de Marte / Crédito: Pixabay

 

A tentativa de ser tornar, novamente, a primeira nação a pisar na superfície de outro astro, evidência o que muitos estão chamando de “nova Corrida Espacial”. Só que, desta vez, envolvendo outras nações, como Índia, China e Rússia,

Porém, diferente do que já presenciamos, essa nova disputa não acontecerá em um momento politicamente delicado, como no auge da Guerra Fria, mas sim de uma maneira muito mais cooperativa, com avanços tecnológicos surgindo de ambos os lados.

Isso sem contar quando as nações unem Inteligências para fortalecer a ciência como um bem maior — como podemos ver no caso das naves russas da Soyuz, que têm levado astronautas americanos à Estação Espacial Internacional (ISS) desde 2011.


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