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Por que Paul McCartney estava sem sapatos na capa do disco Abbey Road?

Abbey Road, que completou meio século na quinta-feira (26), é um dos mais importantes álbuns da história. Ao atravessar a rua descalço, McCartney se tornou alvo de uma teoria da conspiração que perdura até os dias de hoje

Isabela Barreiros Publicado em 30/09/2019, às 18h24

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- Reprodução

Há 50 anos e alguns dias, o último álbum gravado pelos Beatles, “Abbey Road”, foi lançado. Musicalmente, o disco mostrou-se como um dos mais importantes da história, contendo canções icônicas como “Here Comes The Sun” e “Come Together”. Mas sua capa também entrou para o imaginário popular mundial de uma maneira inesquecível.

O nome do disco é em homenagem à rua em que estava localizado o estúdio de gravação da banda. Atravessando a faixa de pedestres, os Beatles foram fotografados na manhã do dia 8 de agosto de 1969 pelo fotógrafo Iain Macmillan. A foto — e a faixa — se tornariam grandes símbolos da cultura pop.

Em Londres, em pleno verão, policiais fecharam a rua para que as fotografias pudessem ser tiradas, seis ao todo. Com inúmeros detalhes, a imagem da capa foi escolhida por Paul McCartney, que passaria a ser o protagonista de uma teoria da conspiração: algumas pessoas passaram a acreditar que o artista estava morto.

Os Beatles durante a sessão de fotos / Crédito: Reprodução

 

Tudo começou quando os fãs perceberam que McCartney estava descalço na capa do disco. O uso do terno e a falta de sapatos foram caracterizados por alguns como sendo parte do enterro do músico. Além disso, a placa do carro que aparece na capa é “LMW281F”, que foi interpretada como “Linda McCartney Weeps” (“Linda McCartney Chora”, em português), e “28IF” — pessoas diziam que, se ele estivesse vivo, completaria 28 anos.

Ao contrário dos outros três integrantes, ele estava com o pé esquerdo para a frente. Também segurava um cigarro com a mão direita, mesmo que na verdade fosse canhoto.

Reunindo todos esses “indícios”, a teoria diz que McCartney teria morrido em um acidente de carro em 1967 e, para não atrapalhar o sucesso da banda, substituído por um sósia. A banda usou, então, a capa do Abbey Road para tentar dizer aos fãs o que havia acontecido com o Beatle, dando algumas “dicas” para avisá-los da verdadeira sina do artista.

Em 1969, ele disse a um repórter da revista estadunidense Life o verdadeiro motivo da sua falta de sapatos. “Na Abbey Road , estávamos vestindo nossas roupas comuns. Eu estava andando descalço porque estava um dia quente”, disse.

Em outras fotos tiradas momentos antes da icônica capa, o músico ainda estava usando suas sandálias, em conjunto com seu terno. Durante a sessão, ele as expulsou, exatamente porque era um dia muito quente na cidade de Londres.

Ironica e satiricamente, McCartney lançou, em 1993, o álbum “Paul Is Live” (“Paul Está Vivo”, em português), em referência à famosa teoria da conspiração. Todos os sinais levantados pelo público foram feitos ao contrário, — nesta capa, por exemplo, ele usa sapatos. Segurando a coleira de um cachorro com sua mão dominante, ele também está com o pé direito à frente.

Capa do álbum de 1993 "Paul Is Live" / Crédito: Reprodução

 

De qualquer forma, a imagem tornou-se um dos maiores símbolos da história da música e da cultura pop no geral. Reproduzida por inúmeros artistas e até desenhos animados, de Kayne West aos Simpsons, o legado da capa é inegável ainda nos dias de hoje.