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Por que tantas pessoas usavam perucas no século 18?

Símbolo de nobreza, esse item tinha mais funções do que se pode imaginar

Joseane Pereira Publicado em 20/12/2019, às 11h21

Cena do filme Maria Antonieta (2006)
Cena do filme Maria Antonieta (2006) - Divulgação

A moda, tanto no passado como hoje em dia, é ditada por elites que querem se diferenciar dos mais pobres. E não era diferente na Europa do século 18: com o uso de perucas, a aristocracia ditava as regras de uma boa imagem, que simbolizava riqueza e imponência.

Item extremamente caro, a peruca era usada tanto por homens quanto por mulheres. A moda começou com Luís XIV da França, o Rei Sol, que durante seu governo adotou o item por necessidade: desde a adolescência, ele já apresentava sinais de calvície. Desde então, usar perucas passou a ser status de prestígio e diferenciação social.

Após o casamento, as moças nobres deveriam usar perucas até a hora da morte. E algumas chegavam a ordenar que, caso morressem antes do marido, fossem expostas no caixão com suas perucas. Para uma imagem ainda mais suntuosa, era comum espalhar farinha de trigo ou talco sobre as perucas para imitar o cabelo de idosos.

Luís XIV e seus herdeiros em 1710 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Entretanto, havia outro motivo pelo qual o uso desse item era tão difundido: desde o século 16, a Sífilis estava muito disseminada na Europa. Seus sintomas mais leves eram a perda irregular de cabelo e feridas abertas pelo corpo, podendo chegar à perda de olhos e narizes, e também à insanidade. Cabelos falsos serviam para esconder os primeiros vestígios da doença, amenizando a vergonha que um nobre poderia passar.

Feitas originalmente de cabelo humano ou crina de cavalo, as versões mais baratas das perucas podiam ser de lã. A moda durou até a Revolução Francesa, em 1789, que passou a fazer as cabeças aristocratas rolarem na guilhotina. Após isso, o item caiu em desuso: era perigoso ostentar o símbolo de uma nobreza que se desejava extinguir.


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