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Por que Van Gogh bebia tinta?

Recentemente diversos usuários no Twitter passaram a compartilhar que o pintor ingeria a substância para melhorar seu humor - todavia, a realidade de sua ação era muito mais sombria

Ingredi Brunato, sob supervisão de Alana Sousa Publicado em 15/04/2021, às 08h00

Vincent van Gogh
Vincent van Gogh - Wikimedia Commons

Nos últimos dias, uma informação curiosa a respeito do expoente pintor holandês Vincent Van Gogh acabou viralizando no Twitter: o fato de que ele, em vida, teria bebido tinta amarela. Esse aspecto da vida do artista, todavia, foi interpretado por muitos usuários de forma simplista e até romantizada, como é possível ver nos tweets abaixo: 

Tweet que tem sido repetido nos últimos dias / Crédito: Divulgação/ Twitter

 

Tweet que romantiza ações auto-destrutivas de Van Gogh / Crédito: Divulgação/ Twitter

 

De acordo com o Museu Van Gogh, localizado em Amsterdã, embora o pintor de fato tenha confessado ter ingerido tanto tinta quanto solventes de tinta (em especial, a terebintina), nunca mencionou que se focava em uma cor específica durante esses episódios, ou que havia alguma crença ou simbologia por trás do ato. 

Assim, essa suposta relação feita na mente dele entre a cor amarela e felicidade é uma notícia falsa. Na verdade, o único objetivo que o artista pretendia alcançar bebendo essas substâncias que, evidentemente, não são apropriadas para o consumo seria envenenar o próprio organismo. 

Quando foi internado no asilo para doentes mentais de Saint-Rémy, escreveu uma carta para seu irmão mais novo, Theo, em que explicava a situação: “Parece que eu pego coisas sujas e as como, embora minhas memórias desses momentos ruins sejam vagas”, relatou ele, ainda de acordo com o Museu holandês. 

A ocorrência desses episódios fez inclusive com que o artista fosse por vezes impedido de entrar no próprio estúdio de pintura, uma medida tomada para assegurar seu próprio bem. 

Outro fato relacionado a esse é que Van Gogh foi parar em Saint-Rémy depois de cortar sua orelha esquerda aos 35 anos de idade, uma das mais famosas ocasiões em que acabou machucando a si mesmo. 

Quadro "Noite Estrelada", produzido por Van Gogh enquanto ele estava na instituição / Crédito: Wikimedia Commons

 

A razão por trás 

Em novembro de 2020 uma pesquisa publicada na revista científica “International Journal of Bipolar Disorders” chegou à conclusão de que o artista sofria de transtorno bipolar; que é caracterizado por períodos de mania e períodos de depressão. 

Segundo os especialistas, essa condição mental ainda seria intensificada pelos delírios que acometiam Van Gogh durante seus períodos de abstinência súbita do álcool: seus piores episódios depressivos (com um deles apresentando inclusive características psicóticas, com a presença de alucinações) vinham depois dessas abstinências. 

O estudo, que foi repercutido pela Galileu, traçou ainda uma relação entre os problemas de saúde mental enfrentados pelo pintor e seu trágico suicídio, em que usou uma arma de fogo para atirar contra o próprio peito. Durante sua vida, vale comentar, ele não foi diagnosticado com nenhum transtorno mental — até porque existia menos conhecimento a respeito desses problemas naquela época. 

Voltando à questão do artista beber tinta, uma outra usuária do Twitter, que afirma também sofrer com bipolaridade, comentou sobre como a doença se relaciona com as ações sombrias que o pintor tomou contra si mesmo: 

É possível refletir que caso Van Gogh tivesse tido acesso aos tratamentos e terapias que temos disponíveis hoje, poderia ter embasbacado o mundo ainda mais com seu talento. A despeito de suas muitas lutas mentais, todavia, ele foi capaz de deixar para o mundo diversas telas brilhantes, que revolucionaram o mundo da arte. 


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