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Por trás do glamour: a infeliz vida de Clara Bow, a primeira It Girl de Hollywood

A vida da controversa It Girl dos EUA — antes e depois da fama — foi marcada por episódios insólitos

Caio Tortamano Publicado em 08/05/2020, às 10h00

Clara Bow em imagem pessoal
Clara Bow em imagem pessoal - Wikimedia Commons

Nos critérios de Hollywood, uma It Girl pode ser definida como uma jovem — geralmente famosa — reconhecida por sua sexualidade e forte personalidade. Uma delas era Clara Bow, tida como o primeiro sex symbol do cinema.

Sua vida, porém, não foi nenhum conto de fadas. Crescendo em uma família pobre, Bow tinha certeza que sua mãe, Sarah, não amava seu pai, Robert, do jeito que ele a amava. Além disso, a mulher descrevia seu pai como um homem esperto e proativo, mas que apesar dessas características nunca teve sucesso em sua vida.

Desde que nasceu, em 1905, a família Bow mudou de endereço 14 vezes por conta dos problemas financeiros do pai de Clara por conta de sua falta de trabalho. Sarah, por sua vez, sofreu uma lesão muito séria em sua cabeça depois de ter caído da janela do segundo andar da casa onde moravam. Depois desse episódio, a mãe da futura atriz foi diagnosticada com psicose decorrente de epilepsia.

Com esses problemas, Clara teve que aprender a lidar com os surtos violentos de sua mãe, isso ainda durante a infância e juventude, retirando a parte lúdica da sua criação, tendo que ser introduzida muito cedo a um mundo obscuro.

Apesar do sonho de ser atriz de cinema — único lugar em que encontrava paz em sua vida turbulenta — sua mãe repudiava o sonho dizendo que preferia ter filha morta a vê-la nas telonas, e não estava brincando. Devido à psicose, Sarah demostrava comportamentos agressivos, e, certa vez, enquanto Clara estava dormindo, a garota subitamente acordou com sua mãe com uma faca em seu pescoço.

A filha conseguiu se desviar de sua mãe e trancá-la em seu quarto. No mesmo dia, Robert a enviou para um sanatório, local onde morreria sozinha, aos  43 anos. Supostamente, durante o período em que sua mãe estava internada, Clara foi estuprada por seu pai, todavia, a informação nunca foi confirmada.

Vivendo um inferno, o único refúgio era frequentar os cinemas da cidade, já que os meninos com quem tinha amizade não a identificavam como uma amiga, seu corpo havia se desenvolvido.

O pai encorajava a filha a investir nas atuações. Ele estava certo, a garota chegou a ganhar um concurso de novos talentos, chamando a atenção de agentes de cinema. Certa vez, depois de falar com o diretor Elmer Clifton, ela soube de um papel em que era necessário uma menina que interpretasse um rapaz — basicamente o que ela fez durante toda sua vida com seus amigos majoritariamente homens.

Clara, já adulta, ao lado de seu pai / Crédito: Wikimedia Commons

 

O filme mudo Down to the sea in ships (1949) marcou a estreia propriamente dita das garotas nas telonas, e contava a história do cotidiano de um grupo de caçadores de baleias em alto mar. A produção não contava com rostos famosos, e Clara foi o grande destaque da obra cinematográfica.

A sua ascensão para o estrelato estav pronta. Ela recebeu uma oferta para se mudar do Brooklyn, em Nova York, e estrelar filmes em Hollywood. Bow deixou para trás o pai e o namorado (que era operador de câmera e a conheceu durante a filmagem do filme Grit).

Seu sucesso era absurdo: apenas em 1924 ela apareceu em oito filmes, e logo seu rosto era reconhecido em todos os lugares, muito por conta de ser um dos primeiros sex symbols da indústria cinematográfica.

Bow em cena do filme Dancing Mother (1926) / Crédito: Wikimedia Commons

 

Mas, quando estava por trás das câmeras e, principalmente, quando sua vida nas telas passou a ser a sua trajetória fora, as pessoas que antes tinham ajudado Clara a crescer passaram a ignorá-la.

Seu auge, durante os anos 20, não foram páreos para os escândalos sexuais de sua vida, e sua suposta promiscuidade. Bow, também, nunca teve um apoio por trás dela, seja de sua família ou de algum agente ou empresário.

A falta de afeto fez com que a famosa atriz somente se envolvesse com rapazes de maneira sexual. Os costumes da época, porém, fizeram com que casasse ao longo de sua vida, cinco vezes em quatro anos, para ser mais preciso. Obviamente, por só se interessar no sexo, não conseguiu se estabilizar com nenhum deles.

Depois de Bow, muitas das it girls de Hollywood tiveram fins semelhantes aos da pioneira. Quando envelheciam, os estúdios de cinema — que ditavam boa parte de suas vidas mesmo fora das telas — negavam qualquer outra função para elas, resultando em um pobre e triste esquecimento, que Clara não conseguiu evitar. Ela morreu aos 65 anos na Califórnia, sem um traço do sucesso que outrora tivera.


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Clara Bow, the Tragic “It” Girl: Illustrated, de P McCarty (ebook) (2016) - https://amzn.to/31SRdpl

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