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Por que o testamento de Philip será um segredo durante 90 anos?

O sigilo do documento tem a ver com mais uma tradição britânica, porém, desta vez, algo diferente foi feito

Ingredi Brunato, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 03/10/2021, às 09h00

Príncipe Philip em 2017
Príncipe Philip em 2017 - Getty Images

Em 9 abril de 2021, a Inglaterra perdeu mais um membro da família real britânica. O príncipe Philip, marido da Rainha Elizabeth II, tinha 99 anos de idade quando faleceu. Conforme divulgado pelo jornal inglês The Telegraph na época, sua causa de sua morte foi velhice. 

A partir de então, entraram em prática diversas tradições que a monarquia tem preparada para estes momentos, como o tipo de cerimônia funerária adequada para o falecido, e questões burocráticas como distribuição de bens conforme orientado no testamento. 

Embora uma parte considerável da vida dos membros da Coroa Britânica pertença à esfera pública, o que é uma consequência natural dos cargos históricos ocupados por eles, o documento em que o Duque de Edimburgo escreveu seus desejos finais relativos aos seus pertences será mantido privado durante os próximos 90 anos. 

Vida pública e privada

A decisão foi anunciada pela Suprema Corte do Reino Unido e repercutida pela BBC no último dia 17 de setembro. 

No Reino Unido, vale mencionar que os testamentos dos cidadãos costumam ficar disponíveis ao público. O motivo pelo qual a família de Elizabeth toma medidas para manter os seus em sigilo, por sua vez, é o fato que o conteúdo dele seria imediatamente examinado e comentado pelos britânicos. 

Embora os integrantes da monarquia sejam personagens públicos, eles ainda merecem sua privacidade em alguns assuntos da vida pessoal. Testamentos, em particular, costumam causar o afloramento de assuntos delicados. 

Assim, a Suprema Corte britânica decidiu pela confidencialidade, com o principal motivo sendo a preservação da dignidade da viúva do Duque de Edimburgo, a rainha. 

Vale destacar que não é a primeira vez que um sigilo deste gênero é colocado em prática. Já se trata de uma tradição de mais de um século: o primeiro integrante da monarquia a pedir por isso fora o príncipe Francisco, duque de Teck, que em 1910. Ele era um dos irmãos da rainha Maria

Príncipe Francisco em fotografia / Crédito: Domínio Público via Wikimedia Commons

 

Documento confidencial

"Aceitei a afirmação de que, embora possa haver curiosidade pública quanto aos arranjos privados que um membro da Família Real pode decidir fazer em seu testamento, não há verdadeiro interesse público no conhecimento público dessas informações totalmente privadas", explicou Andrew McFarlane, o juiz que tomou a decisão, ainda segundo a BBC.

O profissional é conhecido por cuidar de um cofre que contém os testamentos dos integrantes da monarquia britânica que quiseram manter seus últimos desejos em segredo do público.

Nesta lista, que já resulta em mais de 30 envelopes selados, estão inclusos, por exemplo, a Rainha-Mãe e a Princesa Margaret (irmã de Elizabeth II). 

Pintura da Rainha-Mãe / Crédito: Domínio Público via Wikimedia Commons

 

"É necessário aumentar a proteção conferida aos aspectos verdadeiramente privados da vida desse grupo limitado de indivíduos, a fim de manter a dignidade da Soberana e dos membros próximos de sua família", concluiu McFarlane

A diferença deste caso, na verdade, está no fato que após este período de 90 anos, a população da Inglaterra terá acesso ao testamento do Príncipe Philip, enquanto com outros membros da Coroa, o documento manteve-se em segredo indefinidamente. 

Assim, muitos dos que estão vivos hoje não terão a chance de saber de que forma o marido de Elizabeth II decidiu dividir seus bens, mas as próximas gerações terão a oportunidade de acessar essa informação. 


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