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Possível assassinato e espionagem: os escândalos do príncipe da Arábia Saudita

Mohammed bin Salman escandalizou diante de episódios insólitos ocorridos nos últimos anos

Caio Tortamano Publicado em 08/06/2020, às 18h06

Príncipe herdeiro Mohamed bin Salman
Príncipe herdeiro Mohamed bin Salman - Wikimedia Commons

Depois que o celular do homem mais rico do mundo, Jeff Bezos, sofreu uma tentativa de espionagem em 2018, é natural que instituições federais e nacionais tenham interesse em saber como uma falha de segurança desse nível ocorreu. Uma das pessoas acusadas, caso fosse confirmada a culpa, poderia causar um gigantesco problema diplomático. Isso porque Mohammed bin Salman seria o responsável pelo ataque.

Salman é o príncipe herdeiro da Arábia Saudita e está envolvido numa série de polêmicas que englobam a violação dos direitos humanos. O príncipe teria, supostamente, enviado uma mensagem no Whatsapp com arquivos que tinham a capacidade de infectar o celular do bilionário empresário.

A acusação ganhou força na época, já que não era a primeira vez que possíveis rivais do governo da Arábia Saudita haviam  levantado queixas sobre ataques a segurança e espionagem. De acordo com os especialistas independentes que trabalham para a ONU, Agnès Callamard e David Kaye, o episódio teria sido uma tentativa de cessar e silenciar a cobertura que o The Washington Post realizava sobre o governo saudita.

O jornal americano tem como atual proprietário Jeff Bezos. No extenso leque de repórteres e comentaristas constava o jornalista Jamal Khashoggi. O saudita trabalhava nos Estados Unidos desde a década de 80, quando se formou na Indiana State University, depois exercendo o ofício do jornalismo ao noticiar fatos sobre o seu país natal.

Encontrou obstáculos porque o governo autoritário da Arábia Saudita não gostava das críticas realizadas por Khashoggi — uma vez que a distância diplomática que o homem conseguia estando nos Estados Unidos o protegia das autoridades sauditas. O tempo passou e as críticas permaneceram.

Em 2018, enquanto estava em Istambul, na Turquia, para cuidar de assuntos relacionados ao seu casamento, Khashoggi foi flagrado no consulado saudita da cidade e desapareceu. 

Depois de dias desaparecido, autoridades turcas e sauditas inspecionaram o consulado e encontraram vestígios que indicariam a realização de assassinatos e esquartejamento, além de adulteração em possível cena de crime.

 Jamal Khashoggi, jornalista do Washington Post / Crédito: Divulgação

 

A vítima era o próprio jornalista, embora as autoridades da Arábia Saudita tenham demorado para admitir o que tinha se passado no consulado. Também foi revelado que ele teria sido morto enquanto era interrogado por agentes da família real de Salman, que através de um relatório da CIA ficou claro ter sido a partir de um pedido do príncipe.

Isso tudo ocorreu depois que Khashoggi não se sentiu mais seguro em seu próprio país, tendo que buscar auxílio nos Estados Unidos onde poderia denunciar a vontade o governo de Mohammed bin Salman — pelo menos era o que achava.

Investigações

Voltando para o caso Bezos... O dono da Amazon pediu para uma agência de consultoria investigações mais concretas a respeito da origem do ataque promovido ao seu celular. Com as informações obtidas, o roubo de informações veio a partir de uma mensagem enviada em maio de 2018, pelo próprio príncipe saudita que continham um link possibilitando a invasão.

A suspeita de Jeff Bezos surgiu depois que um tabloide americano começou a extorquir e chantagear o bilionário afirmando terem informações de cunho privado sobre a vida íntima do bilionário.

Até o momento do assassinato do jornalista, Salman era tido como um jovem líder saudita revolucionário, que buscava investir em seu país para que deixasse de ser apenas um pólo do petróleo, mas que se preocupasse com tecnologias.

Depois de Khashoggi, todas as relações mudaram. A comunidade internacional olhava com maus olhos para aquele jovem líder, que parecia não conhecer limites para o seu projeto megalomaníaco.


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