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Precedente de Hiroshima e Nagasaki: Há 76 anos a primeira bomba atômica era detonada

Bomba Trinity fazia parte do Projeto Manhattan, que culminou com a morte de 240 mil japoneses após os ataques com a Little Boy e a Fat Man

Fabio Previdelli Publicado em 16/07/2021, às 10h40

Uma das poucas fotografias a cores da explosão "Trinity"
Uma das poucas fotografias a cores da explosão "Trinity" - Jack W. Aeby/Wikimedia Commons

Entre 6 e 9 de agosto de 1945, o Japão foi bombardeado duas vezes pelo Enola Gay, avião bombardeiro B-29, que soltou duas bombas nucleares sobre as cidades de Hiroshima e Nagasaki — o que vitimou mais de 240 mil pessoas, segundo aponta matéria da BBC. 

Porém, o ataque com a Little Boy e a Fat Man só foi possível graças a outro evento, que ocorreu em 16 de julho de 1945, há exatos 76 anos. Saiba mais sobre a primeira bomba atômica da história e o Projeto Manhattan.  

O começo de tudo 

Em agosto de 1939, como explica matéria do Brasil Escola, os físicos Leo Szilard e Albert Einstein assinaram em conjunto uma carta endereçada ao então presidente americano Franklin Roosevelt. Na missiva, demonstravam preocupação com a chance dos nazistas desenvolverem armas nucleares. 

Afinal, não era pra menos, já que os alemães tinham três notórios cientistas: Otto Hahn, Lise Meitner e Fritz Strassman, que haviam descoberto a fissão nuclear — reação que permite a explosão de uma bomba atômica.  

J. Robert Oppenheimer e Leslie Groves nos restos do teste Trinity/ Crédito: U.S. Army Corps of Engineers/Wikimedia Commons

 

Dessa maneira, quando a Segunda Guerra explodiu, em setembro, Roosevelt não pensou duas vezes ao decidir — junto de políticos, militares e cientistas — pela criação do Projeto Manhattan. Como conta matéria do DW, a missão foi confiada ao físico americano Robert Oppenheimer e ao general Leslie Groves.  

O Projeto Manhattan tinha um simples e claro objetivo, se antecipar aos nazistas na criação de uma bomba atômica, afinal, com tal arma em mãos, os Estados Unidos não só acabariam com a Guerra como também impediria de uma próxima acontecer, já que a possibilidade da autodestruição humana se tornaria algo plausível, como aponta o Brasil Escola.  

“Para OppenheimerWeisskopf, assim como para muitos outros cientistas, inclusive Leo Szilard, embora a bomba atômica fosse um instrumento definitivo de destruição, ela também encerrava a possibilidade de criar a paz duradoura”, explica o historiador P. D. Smith em ‘Os homens do fim do mundo: o verdadeiro dr. Fantástico e o sonho da arma total’. 

“Eles esperavam que a superarma atômica seria tão terrível que os países renunciariam à guerra e abraçariam a paz. Mas será que a bomba atômica tinha o tamanho necessário? — Niels Bohr perguntou a Oppenheimer ao chegar em Los Alamos. O cientista visionário esperava que a arma fosse tão destrutiva que a guerra deixaria de ter sentido, resumindo-se tão somente a um ato de suicídio mútuo”, completa. 

76 anos da primeira bomba atômica 

Com os avanços do Projeto Manhattan, os norte-americanos construíram, em 1942, o Met Lab, em Chicago, que é o primeiro reator nuclear da história. Posteriormente, o andamento do programa ainda proporcionou a construção de outras três bases. 

No Tennessee, por exemplo, a separação de urânio-235 e 238 eram feitas na Oak Ridge. Já na capital, em Washington, estava a Hanford, onde o plutônio era produzido. A última delas, em Los Alamos, ficou marcada por conta do dia 16 de julho de 1945. 

Na data em questão, há 76 anos, o projeto detonou no deserto a bomba Trinity que, segundo o Brasil Escola, teve uma potência de 20 quilotoneladas de TNT. Confira como foi o teste no vídeo abaixo! 

Apesar do sucesso, nem todos os cientistas envolvidos no Projeto ficaram satisfeitos. Como explica o pesquisador Fernando de Souza Barros, do Instituto de Física da URFJ, o físico Joseph Rotblat abandonou o programa depois que percebeu que os nazistas não tinham as menores condições de desenvolver algo semelhante.  

Joseph Rotblat foi o único cientista que saiu do Projeto Manhattan por questões morais. Isso ocorreu quando tomou conhecimento, no final da 2ª Guerra Mundial, que a Alemanha nazista já não tinha condições de fabricar bombas atômicas”, narra em artigo publicado na revista Física na Escola.  

“Enfrentando a reação oficial contrária à sua decisão, Rotblat retornou à Inglaterra, onde havia trabalhando antes do início da guerra, e iniciou sua campanha contra as armas atômicas, fundando a Associação dos Cientistas Atômicos (ASA, em inglês)”, completa.  

Local da Experiência Trinity/ Crédito: Astronaut Photography of Earth/Wikimedia Commons

 

Como já dito, menos de um mês após o teste, outras duas bombas desenvolvidas pelo Projeto Manhattan mataram mais de 240 mil japoneses nos ataques às cidades de Hiroshima e Nagasaki.


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