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Predjama: conheça o castelo que foi construído em uma caverna

Tão impressionante quanto a estrutura improvável, é a história de seu antigo dono

Ingredi Brunato Publicado em 06/09/2020, às 08h00

Fotografia do castelo como está hoje, em sua versão renascentista, não o original que era do período medieval.
Fotografia do castelo como está hoje, em sua versão renascentista, não o original que era do período medieval. - Crédito: KLMircea

A construção, que data do período renascentista, está localizada na República da Eslovênia e é hoje um museu. Porém, nem sempre foi assim. O castelo misterioso já foi o lar de um barão com má fama, e sobreviveu a um estado de sítio graças às suas características únicas.

A estrutura do castelo esloveno já é impressionante por si só: construído na boca de uma caverna, é curioso ver como as paredes do lugar se encaixam à rocha como se fossem uma continuação natural. 

Também é de tirar o fôlego imaginar que a ousada construção está situada a incríveis 123 metros do solo, pressionado contra uma falésia vertical. Os nobres do século 13, época em que o castelo foi construído (o local também precisou passar por uma reconstrução no século 16), pelo visto tinham grande confiança em seus construtores, na hora de escolher um local tão improvável para instalar sua residência. 

Apesar das dúvidas que alguém com medo de altura poderia ter em relação a entrar no castelo, ele têm se mantido de pé durante os últimos cinco séculos - no fim das contas, parece que o chão da caverna era estável o suficiente para permitir a criatividade da construção, afinal. 

Fotografia em que é possível ter uma noção melhor da altura das rochas sobre as quais ficam o castelo, assim como a maneira como a estrutura é moldada ao formato da caverna. Crédito: KLMircea

 

Barão de má fama 

O célebre morador existiu no século 16. Seu nome era Erasmo de Lueg, um cavaleiro filho de um governador imperial da região, e também um barão que, quando dava as costas, os outros chamavam pelo título de “ladrão”. 

A fama negativa veio quando o cavaleiro começou a invadir propriedades na região histórica de Carniola. Essa ação, acompanhada do assassinato de um comandante do exército imperial romano, era motivada por vingança pessoal. 

Por dentro do local / Crédito: Wikimedia Commons

 

A razão de tudo seria que o comandante mencionado havia ofendido a honra de um amigo já falecido de Erasmo. E o cavaleiro, aparentemente, levou esse tipo de ofensa muito a sério. 

Infelizmente para o barão, seus atos vingativos aborreceram profundamente o Sacro Imperador Romano, Frederico III, o que o levou a enviar um governador para sitiar a residência de Erasmo. 

Um truque na manga 

O que Frederico III não sabia, no entanto, era que o castelo habitado pelo barão tinha sua parte de trás virada para uma caverna que se estendia por 14 quilômetros de passagens subterrâneas. Essas passagens têm, inclusive, uma história ainda mais antiga: teriam sido habitadas já no fim da idade da pedra. 

Segundo a lenda, o plano dos romanos era obrigar Erasmo a uma quarentena forçada até que toda a comida do castelo acabasse, e o cavaleiro imprudente morresse de fome. Para evitar esse destino trágico, o barão usou as passagens secretas para contrabandear suprimentos através de um poço natural que abre para a superfície, em certo ponto da caverna. 

Apesar do truque inteligente, tê-lo mantido vivo por algum tempo, o cavaleiro na verdade acabou evitou um destino trágico para cair em outro. Sua morte veio pela mão de um de seus homens, em uma traição cruel. O cavaleiro estaria usando o banheiro, quando o traidor atirou nele com um canhão, destruindo inclusive parte da construção. 

Reconstrução 

A construção do castelo atual aconteceu no século 16, quando uma outra família de nobres veio fazer uma ‘revitalização’ das ruínas da estrutura medieval. Foram habitados por um conde, e então um príncipe até o fim da Segunda Guerra Mundial, porém nenhum deles com histórias tão interessantes quanto a de Erasmo de Lueg. 

Após a proclamação da República Federal Socialista da Iugoslávia, a estrutura foi confiscada pelos comunistas das autoridades iugoslavas e transformado em museu.


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